Segunda-feira, Março 08, 2010

Ócsa

- três horas de sono
- uma barba feita
- café da manhã seguindo a dieta, com um suco de argila pouco depois
- uma pauta organizada
- três consultas atendidas
- almoço seguindo a dieta
- a sensação de ser um zumbi, por causa da noite mal-dormida
- uma reunião chatíssima (mas razoavelmente importante) na Câmara
- um plano do mal pensado pela chefe
- correspondência lida
- o retorno às aulas
- uma palestra muito boa
- oito textos redigidos em uma hora.

no meio de tudo isso, algumas sensações ruins, mas que passam. nada irremediável, felizmente, e um oceano de coisas ainda por serem descobertas. por mais que o copo tenha passado o dia meio vazio, a jarra continua meio cheia.

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Sábado, Março 06, 2010

Hércules

estou torcendo aqui pela Ana Paula e pelo Otto, que nesse final de semana têm provas importantes pela frente. e convoco vocês para torcerem por eles, como torcemos pelo Jonas uns dias atrás. vamos lá, galera: vai dar tudo certo.

*

mês passado rolou mais uma edição da Integra, a gincana envolvendo os estudantes de engenharia da Poli, da USP. até onde sei, é uma habilitação contra a outra, não tenho certeza.

mas o que importa é que todo ano a comissão organizadora monta uma lista de tarefas tão hercúleas quanto estapafúrdias e impossíveis de serem cumpridas. meu caro amigo Fábio pôs as mãos na lista desse ano e me enviou (parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4).

*

a Lisa colocou um vídeo de "505", do Arctic Monkeys, no blógue dela. até o mês passado eu achei que era o único a gostar muito do final do "Favourite worst nightmare", mas primeiro descobri que o Lúcio toca "Old yellow bricks", agora essa. e o disco é realmente bom.

*

roupinhas de bebê do Bill Murray (aqui e aqui)? ótimo. nunca é cedo demais para que as crianças tenham as influências certas.

*

uma hora atrás, quando comecei a atualizar o blógue, estava preocupado com a falta de assunto, que parecia um problema crônico. agora estou olhando o tamanho que os posts ficaram e constatando que não ficou mal. essa semana recomeçam duas coisas: as aulas na escola de lobistas e o trabalho de verdade (de fevereiro até agora foi só aquecimento).

mas nem por isso os trabalhos aqui serão diminuídos. ao contrário, eu quero escrever mais. é por essa vontade de escrever mais que não consigo ter um twitter, é por essa vontade de escrever mais que não vejo a hora de ter uma ideia para o segundo livro - uma hora ele fatalmente sairá. por ora, cá estamos.

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Quinta-feira, Março 04, 2010

brinquedo

(daquelas coisas que só acontecem comigo...)

fui ontem com o João Paulo à Toranja, no Balaio Café. não podia ficar lá por muito tempo (a festa vai até três da manhã), já que tinha de estar na Telerj às oito, então pedi ao JP que me levasse em casa por volta de meia-noite. a festa estava muito legal, contando com a presença do Márcio, do Tiago, do Thiago e de mais gente boa, até que, por volta de meia-noite e meia, já estourado o meu tempo de permanência, quando passou uma menina e me deu uma encarada top-bottom, dos meus cabelos até a ponta do meu tênis.

como àquela altura eu já estava sonhando com a minha cama, fiquei apenas impressionado, mas me mandaram ir atrás da moça na pista de dança, que fica no subsolo. como assertividade não é meu ponto forte, chegaram a me empurrar até a beira da escada, para que eu fosse lá. desci, mas ia só ver quem era a moça, no máximo cumprimentá-la - preciso ter algumas informações extras antes de passar desse ponto.

problema: eu sou um péssimo fisionomista. sou bom para datas (sei a da minha formatura do colegial e a do meu primeiro beijo, por exemplo), para números e decorebas em geral (ainda sei a tabela periódica de cor, à exceção da série dos lantanídeos depois do gadolínio). mas para rostos, sem chance.

dito isso, é claro e evidente que não lembrei da cara dela quando cheguei lá. mas ela não tinha me comido dois minutos atrás? tinha. só que eu nem prestei muita atenção. sem saber quem abordar, achei melhor enrolar mais dois minutos antes de subir. não vi ninguém na pista de dança e fui perguntar ao Ivan, organizador da Toranja e DJ residente, se era ele quem estava lá.

e o Ivan estava na pista, conversando com uma menina. como a conversa parecia séria, não quis interromper e fiquei ali do lado aguardando a minha vez. depois de um minuto, perguntei a ele quem estava dando som. enquanto isso, a menina me olhava com cara de "e agora, babaca, vai fazer o quê?", como se querendo tirar satisfação comigo. não dei bola, já que há gente mal-humorada em qualquer canto, e subi ao nível da calçada depois que obtive resposta do Ivan.

quando estava subindo as escadas caiu a ficha: a mal-humorada é uma menina com quem tive um rolo absurdo há coisa de cinco anos, coisa que nem vale a pena lembrar - mas que ela lembrou em janeiro e me procurou, querendo uma massagem no ego. quando li aquilo, disse logo que não tinha vontade nem interesse de falar com ela, e depois de três dias me azucrinando ela finalmente parou.

aí ontem eu simplesmente não a reconheci. não foi soberba minha, mas nem se fosse teria dado um resultado tão bom. contei a história para a Carol, agora cedo, e ela não acreditou, acha que estou mentindo porque a moça "é marcante demais" e não se parece com nenhuma outra conhecida nossa. pode até ser, mas minha capacidade de percepção fisionômica é nula e, melhor de tudo, estou me sentido o máximo por isso... hahahahahahahaha...

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Quinta-feira, Fevereiro 11, 2010

débito

desde ontem à noite eu estou uma azeitona preta chilena mais pobre.

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Domingo, Fevereiro 07, 2010

désir

je voudrais pouvoir lire dans votre esprit et connaître vos pensées...

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Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

coisas que eu nunca te disse #63

I want to know what you got to say
I can tell you taste like the sky cause you look like rain
you look like rain


(Morphine, "You look like rain", 1992)

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Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

Vertrauen

estou com um sorriso no rosto. e sei exatamente como e porque ele veio parar aqui.

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Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

prata da casa

frase (do fim) de 2009: "que se f*** o PIB" - Rogério Chalita, conselheiro, encerrado a discussão (inconclusiva) sobre qual cidade é mais importante para o Brasil: Aparecida ou São José dos Campos.

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Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

I'm a sweet person

uns dias atrás eu estava preocupado com o grau de amargura a que havia chegado, e se esse era o único caminho para a minha vida. meus amigos vieram ao meu socorro, e estou escrevendo aqui para agradecer pela ajuda. o Filipe fez um metadiagnóstico e ponderou que o lance é querer mudar. o Felipe me deu um toque no MSN com uma ótima razão para não ser amargo: a profissão que quero seguir não comporta esse tipo de pessoa.

ambas as coisas são verdades quase que bíblicas. eu temi que a amargura me prejudicasse no trabalho (o que felizmente não chegou a acontecer), e também que não quisesse melhorar. mas eu quero, de verdade, e sei o estrago que uma fase dessas provocaria na minha vida profissional. a Lisa me mandou um email super doce, com um Flaming Lips anexo e a recomendação de ir com fé e coração aberto, tentando até chegar lá. tipo o Nick Drake falando em "Time has told me", a melhor música de todos os tempos.

outras pessoas falaram comigo sobre essa amargura, como a Lucia, e eu agradeço a cada uma delas pela preocupação. mas eu lembrei sozinho de um ótimo argumento para não ser amargo: o de que isso só faria com que eu parecesse quem me deixou assim. melhor continuar sendo uma pessoa doce, como acredito que tenho sido desde que me conheço. sem ingenuidade barata, sem romantizar demais as coisas, mas sem aquele gosto de carvão em tudo o que rola. certo?

*

isso colocado, hora de procurar umas coisas que me lembrem de como a minha vida tem de ser: doce. sem medo de exagerar na glicose, porque dessa vez é necessário. então fui ler a revista Cupcake, só de coisas bonitinhas, e feita no melhor espírito do-it-yourself. e já que o assunto é cupcake, uma passadinha na Garance Doré, para ver as últimas coisas que ela escreveu, inclusive o que ela diz sobre ser "rasa".

depois, um pouco de discussão entre as escolas inglesa e francesa de se vestir, junto com umas maquininhas vintage. aí é só ficar olhando algumas meninas bonitas e estilosas, tipo a Alix e a Rhiannon, baixar os novos da Norah Jones e das Plasticines... e tomar um sorvete. o meu vai ser aquele de canela, da Parmalat. pronto: a vida é doce de novo. e que me desculpem se fodam as pessoas amargas que me afetaram de alguma forma... eu vou continuar do outro lado :)

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Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Bonn

(post nascido de uma impressão tida em Deprelândia, conforme abaixo)

às vezes eu me acho um alienado. que vivo em um mundo à parte. e não, não tem nada a ver com Deprelândia: é uma mistura em partes equânimes entre uma novela do Manoel Carlos, um ambiente de funcionalismo público graduado e um show de uma banda indie qualquer (para exemplificar, tomemos os XX, atuais queridinhos da mídia). em uma cena, era como se eu tomasse café com a Romy Madley-Croft, vocalista da banda, na confeitaria Praliné, na 205 sul, enquanto falo do meu trabalho e nem reparo no ar-condicionado do lugar.

interessou? é até legal, mas tem um problema: não é real. viver no Plano Piloto faz com que a gente se esqueça que aquilo é, com o perdão da expressão, uma Bras-ilha da fantasia, algo que não guarda a mínima semelhança com a forma que as coisas no Brasil são. e eu não vou dizer que basta sair da parte central de Brasília para perceber que as coisas não são assim: nas minhas duas semanas entre Portugal e Espanha, no meio do ano, era como se fosse um spin-off da minha vida brasiliense, como se ela continuasse ali. tudo cinemático, tudo lindo, tudo maravilhoso.

mas aí eu vim parar aqui e vi como funciona: trinta e três graus à sombra, ruas entulhadas de carros, o velho tédio vazio envolvendo pessoas planas. isso parece bem mais próximo de como as coisas são do que a minha vida, isso tem jeito de ser mais tangível do que aquilo que me cerca... mas pode ser que eu esteja falando besteira.

sinto como se tivesse tido um sobressalto daquela doença que me acometeu no final do ano passado, e da qual não me sinto curado até o momento. mas como é que se resolve isso?

*

entre um e dois meses atrás eu andei pensando muito em Bonn, a ex-capital da Alemanha. tenho amigos que moraram lá, e que já me disseram que a cidade é um bom lugar para criar as crianças.

é bem verdade que eu não ando com vontade nenhuma de conversar com eventuais candidatas a mãe das minhas filhas (talvez essas, mais do que qualquer outro grupo de pessoas, e tem a ver com a doença de 2008), mas achei importante reter essa informação, e agora estou com muita vontade de conhecer Bonn. alguém aí pensando em férias para 2010?

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Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

coisas que eu nunca te disse #59

I wake in the morning
and try to be brave
but it's hard to move on
when the ghost of you stays


(Tears, "The ghost of you", 2005)

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Domingo, Dezembro 06, 2009

toalha

precisei ir ao Parkshopping hoje e foi desagradável: demorei quase uma hora para resolver o problema que me levou até lá, muito embora tenha conseguido plenamente e não vou voltar lá tão cedo. quando saí da loja, eram três da tarde e eu não tinha almoçado, então achei por bem pegar comida lá.

no caminho até a praça de alimentação, só deprê: gente feia, plana, que eu aposto uma barra de chocolate que leva uma vidinha medíocre. na praça de alimentação, pior ainda: crianças chorando, gente andando na diagonal (você quer cortá-las, elas te fecham), rostos feios, o caos. e o cheiro de comida subia junto de todos os restaurantes, me embrulhando o estômago.

arrastei-me até o fim da praça de alimentação e pedi um wrap - para comer em casa, já que o que meus olhos viam era o inferno. depois de driblar o povaréu e sair da parte de comidas, fiquei com vontade de chorar; eu tenho meus motivos, mas não posso decliná-los aqui.

aí decidi voltar pela ala mais nova do Parkshopping, e ainda bem que fiz isso: fiquei namorando a vitrine da Trousseau e lembrando de como as coisas podem ser boas. do lado dela, no meio do corredor, tinha uma Mercedes-Benz CLC 200 em exposição. frágil como estava, pedi à moça que estava cuidando do carro para entrar nele. deixei minhas sacolas do lado de fora, entrei, fechei a porta e os olhos, e tudo pareceu melhor. abri os olhos, fiquei meio minuto ali dentro, agradeci e fui embora.

sociabilidade pode ser um negócio horrível, você não acha?

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Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Kroran

hoje eu a vi de novo. incrível como tudo parece ser mais dramático e leve quando ela está perto, incrível como eu paro tudo para vê-la, para cumprimentá-la, para despedir-me dela. acabei lembrando de uma música que diz que ela está nos meus ossos, que é a minha medula, e que ela está no ar, entre as moléculas de oxigênio e dióxido de carbono. e aí ela se foi, poucos segundos presos nas minhas retinas, e o dia todo ficou mais apaixonante. esqueci de tudo o que tinha que fazer e de como esse momento foi bom.

mas não vou chegar perto, não quero que o encanto se quebre.

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Domingo, Novembro 22, 2009

replay

assisti "Psicopata americano" ontem à noite, e pela primeira vez foi do início ao fim. a impressão que tinha tido de fragmentos do filme se confirmou: é assustador. o final, então, nem se fala. mesmo assim eu quero terminar de ler tudo do Bret Easton-Ellis, e ver como é que as histórias dos livros vão se entrelaçando.

*

não foi influência do filme, porque foi anterior, mas ando com medo de outras coisas. não é medo suficiente para me trancar em casa, debaixo do cobertor e com uma lanterna do lado, mas não dá para ignorar. não dá nem para reclamar do temor, sentir medo é bom: o problema é que até agora isso não ficou divertido.

mas é só lembrar da minha regra dourada: não preciso fazer nada. por incrível que pareça, é só ignorar que passa.

*

baixei a trilha do "French kiss" (em português, "Surpresas do coração"), um filme watersugar de 1995 com a Meg Ryan, e é bem legal. já recomendei aqui, cerca de 120 anos atrás, o Beautiful South cantando "Les yeux ouverts", versão em francês de "Dream a little dream", e continua valendo a pena.

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Segunda-feira, Novembro 16, 2009

xilofone

Ich feststellte ich, dass, wie den vorhersagbarsten Job in der Welt haben, ich Risiko an fast alles außerhalb meiner Karriere eingehe, um sie auszugleichen:

- Börse
- schnelle Autos
- verrückte Weibchen

und die Liste erhält größer. Ich weiß nicht, was mehr auf ihm gekennzeichnet werden, aber es sicher ist größer.

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Quinta-feira, Novembro 12, 2009

rocket man

estava saindo de casa para ir à aula, e fui procurar algum disco que combinasse com chuva para ouvir enquanto dirigia, já que tenho dessa coisa de achar que um disco combina com determinado clima ou hora do dia. e vasculhando o iPod achei o "Honky Château", do Elton John, que eu havia baixado mas ouvido uma única vez.

não lembrei se o disco, de 1972, podia ser ouvido sob chuva e a oitenta quilômetros por hora. nem precisou: mal começou "Honky cat" e já se havia criado um clima. não consegui pegar a letra muito bem, e agora acabei de descobrir que ela termina dizendo "viver na cidade, garoto, vai partir seu coração / mas como você pode ficar, quando seu coração diz 'não'/ como você pode parar quando seus pés dizem 'vá'?".

como qualquer pessoa deveria saber, esse tal de Elton John faz umas melodias de te partir ao meio. mas assim, logo de cara, é covardia. a terceira música do disco se explica já no título, que é "I think I'm going to kill myself". mas por que, Elton? I'm getting bored being part of mankind / there's not a lot to do no more, this race is a waste of time. e eu entendi. mas ele é espertinho e pediu que a Brigitte Bardot viesse visitá-lo todo dia, para que sua vida fosse salva.

depois vem "Susie (Dramas)", e ele fala da linda e pequena Susie, uma garota de olhos negros que brinca com o coração dele o tempo todo. ela fez com que ele congelasse patinando no gelo ao lado dela e com que ele comprasse novos sapatos, mas ele não liga, porque ela está ali com ele. em "Rocket man", o sucesso do disco, a vida no espaço pode ser uma metáfora para drogas ou para o estrelato, mas o sentimento de solidão é o mesmo, seja num avião entre uma cidade e outra, seja num ônibus espacial entre um planeta e outro. and all this science I don't understand / it's just my job five days a week.

no lado 2 do disco tem "Salvation", outra puta música, e uma chamada "Amy". lembrou do Ryan Adams? bom, numa entrevista que ele deu ao Alê uns anos atrás, ele disse que adora o "Honky Château", e "Amy" tem o mesmo clima country da "AMY" em maiúsculas que está no "Heartbreaker". e esse disco do Ryan Adams, por sua vez, fez o Elton John pirar e sair de um período de oito anos sem gravar nada. é, só por causa de um disco inspirador.

e os dois até fizeram um dueto em "Mona Lisas and Mad Hatters", música seguinte, lá por 2002. o disco acaba com "Hercules", uma melodia acolhedora como um abraço e que fala sobre perder a namorada (ou paixão platônica, você escolhe) pra um bombado: and it hurts like hell / to see my gal / messin' with a muscle boy / no superman gonna ruin my plans / playin' with my toys.

acabou sendo a resenha do disco, mas o que eu queria dizer, quando pensei em escrever esse post, é que eu me senti o rocket man hoje: estava aqui mas estava com a cabeça em outro ponto do espaço, com aquelas saudades portuguesas que continuo sem saber explicar, entendendo tanta coisa que eu não entendia antes... e me sentindo sozinho, mesmo com tanta gente me ligando (hoje é meu aniversário). torço para que isso passe, mas talvez seja algo que eu simplesmente tenha que aprender a conviver.

enfim, acontece. se você lembrou que era meu aniversário e falou comigo durante o dia, obrigado. se não lembrou, não tem problema: como você já deve saber, acho os aniversários dias absolutamente normais :)

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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

informe

via Bruno, chega ao meu conhecimento uma coluna do Ivan Martins, da "Época", sobre homens que dizem não. foi o típico caso de me identificar com praticamente todo o texto, se não todo o texto. vale muito a pena.

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Segunda-feira, Outubro 19, 2009

gregos...

comecei a semana de um jeito muito ruim, no meu pior momento desde o começo do ano. mas isso é algo extremamente positivo, já que qualquer coisa boa, por menor que seja, será lucro. é uma questão de perspectiva.

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Quinta-feira, Outubro 15, 2009

sobrenatural

(...) Parece que ele foi rejeitado não apenas pelo mundo em geral mas por uma pessoa em especial (uma pessoa «especial»). Rejeitado sem margem para dúvidas. A canção termina: «Yes you made yourself plain / Yes you made yourself very plain». Ou seja:«foste muito explícita» [o «neutro» do inglês é aqui masculino, mas eu não sou neutro e prefiro o feminino]. Tu foste muito clara, directa, explícita: «very plain». Mas «plain» significa também «normal», «banal», «vulgar». E se ele estivesse a dizer: «Tornaste-te vulgar / Tornaste-te muito vulgar»? Afinal, a rejeição é a quebra do encantamento, e quem parecia «especial» torna-se subitamente vulgar. Rejeitando-me, e do modo como me rejeitaste, tornaste-te uma pessoa vulgar, tornaste-te uma pessoa muito vulgar (...)

Pedro Mexia, em mais um post antológico; tão antológico que até fez com que uma música miserável do Morrissey se tornasse algo bom - mas esta é apenas a questão secundária.

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Segunda-feira, Outubro 12, 2009

being boring

(nota: esse post é um desdobramento do anterior)

já tem uns cinco anos que a minha lista das três melhores músicas pop da história não é alterada. "Time has told me", do Nick Drake, é a melhor, com "Step on me", dos Cardigans, em segundo, e "Being boring", dos Pet Shop Boys, em terceiro. a lista está assim desde que conheci a primeira, na verdade.

como o Nick Drake morreu em 1974 e os Cardigans não tocam "Step on me" em suas apresentações há dez anos, o show de ontem dos Pet Shop Boys era a única oportunidade possível de ouvir uma dessas três ao vivo, pelos seus compositores. por ser um clássico da banda, eu sabia que ela entraria no setlist, mesmo tendo quebrado o que seria uma sequência de quatro primeiros lugares da dupla inglesa nas paradas de sucesso de seu país - "Being boring" foi apenas a vigésima entrada no chart britânico quando foi lançada.

só que a partir daí começou uma espécie de culto a ela. não sei se o vídeo do Bruce Weber teve algum papel nisso, mas acho que não: para mim, o fato de ser a primeira música melancólica dos Pet Shop Boys é que foi fundamental. em meio a tanto hedonismo e loucuras noturnas, era uma canção para tardes frias e com clima de despedida. uma vez eu disse que era a melhor música para dar adeus a alguém, e de fato é. na minha vida, ela marca a transição do colegial para a faculdade, e traz consigo uma série de coisas, mas três delas são especiais:

- a mudança da minha turma de amigos;
- a descoberta de que escrever é uma das coisas mais importantes da minha vida; e
- Brasília.

com isso, claro que a minha expectativa por ouvir "Being boring" era a maior do mundo ontem. quando os Pet Shop Boys deixaram o palco, antes de voltar para o bis, o Otto veio me dizer que eles não tocariam. e eu disse a ele que seria a primeira da volta, porque o clima melancólico provocado pela iminência do fim do show estava criado - e realmente foi a primeira do bis. Neil Tennant não fez playback, o arranjo estava um pouco mais lento e um pouco diferente, mas isso era o de menos.

tremendo um pouco, cantei a letra toda em voz alta. pode parecer besteira, mas só eu sei o quanto essa música representa alguma coisa para mim. e sei que o Otto também é fã dela, era a música que ele também queria ouvir. e assim que o refrão voltou na parte final, a menina mais bonita da Telerj apareceu na minha frente e eu ganhei um abraço dela, que estava assistindo também. sem saber o que dizer, apenas disse que essa era uma das músicas mais bonitas da história. achei legal que isso aconteceu bem em "Being boring", queria até que fosse um sinal, mas não é.

depois disso veio "West end girls" e mais uma, antes de tudo acabar e eu ir lá conversar com a moça com mais calma e ganhar outro abraço dela e um "bom te ver". se ela soubesse do timing...

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Domingo, Outubro 04, 2009

flúor

comprei o terno. queria comprar dois, acabei levando um só, vamos com calma. agora preciso achar alguém que me consiga pólos da Fred Perry e uma gravata laranja Hermés.

mas calma, não é pro mesmo look.

*

na saída do Brasília Shopping, com a chuva armando, senti vontade de ouvir o "Comme si de rien n'etait", o último disco da Carla Bruni. mas eu só tenho os outros dois, então precisava adquirir o terceiro. atravessei a cidade para conseguir uma cópia na Livraria Cultura e tive uma grande surpresa.

assim que o disco foi lançado, no ano passado, baixei-o da internet. gostei dele, mas não achei que estivesse no mesmo nível do "No promises", que é um disco injustiçado. aí hoje, ouvindo o "Comme si..." no carro, percebi uma diferença já na primeira música: os arranjos tinham mudado em relação à versão em mp3 que eu tenho. parecia que eu tinha as demos do disco, não ele por inteiro.

na segunda canção, a mesma coisa. e na terceira, e na quarta. minha maior crítica à cover de "You belong to me", uma música da década de 1950, era que só havia sobrado a primeira parte da letra. e na versão do disco, não é que a letra estava inteira? minha música preferida, "Déranger les pierres", estava mais encorpada, "Il vecchio e il bambino", que no meu computador era instrumental, estava com letra.

ai meu Deus, virou um disco lindo, e olha que nem estou falando da capa. e já virou um dos favoritos para ouvir dirigindo na chuva, como o "Gish", o "Ladies and gentlemen we are floating in space" e o "New morning", dentre outros. o único problema desse disco de madame Sarkozy é que ele é muito recomendado para ouvir quando se está apaixonado, exatamente como eu não estou.

*

depois dessa (re)descoberta do "Comme si de rien n'etait", descobri que o Mika fez uma cover de "Poker face", da Lady Gaga. e ficou fera demais. se você gostou do Scissor Sisters tocando "Take me out", vai gostar dessa também.

*

falei de chuva ali em cima e agora a estação das monções chegou. e eu preciso tomar muito cuidado para não lembrar do mesmo período do ano passado, que foi uma experiência singular. mas ela está em todo lugar: na torrente que desce do céu, no 307 saindo de frente, nos planos de voltar à academia, na vontade de ignorar o despertador e continuar dormindo, na rotina de mergulhar no trabalho para esquecer os ferimentos. mas parece que sob essas condições climáticas eles abrem as cicatrizes e voltam a se expor, a doer, a lembrar que nem se eu pudesse cortar fora uma parte de mim eles iriam embora.

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Segunda-feira, Setembro 21, 2009

equação

oi, tudo bem? voltei de Deprelândia ontem à noite e, como prometi, estou escrevendo alguma coisa aqui. a viagem foi um pouco diferente de como costuma ser, provavelmente porque foi curta e isso fez com que eu não me aborecesse na mesma medida como de costume. na ida a minha bagagem foi extraviada pela primeira vez em onze anos de vida no ar: enquanto eu seguia para Cumbica, a mala laranja ia para Congonhas. tive de esperar duas horas para reavê-la e sempre repetindo para mim mesmo "podia ser pior, ela podia ter ido para Porto Alegre". mas em termos psicológicos eu sei que não há nada pior que São Paulo.

de resto, foi assim:



eu me senti como o Brandon Flowers, cantor dos Killers, na letra de "Read my mind" e também naquela parte do clipe em que ele aparece no meio de um cruzamento em Tóquio (Shibuya?): desorientado, sem saber para onde correr ou sequer se há algum lugar para isso. vi minha avó, conheci minha irmã (fotos a caminho), dirigi alucinadamente o Civic do meu pai, vi alguns amigos, comi bem. e, na minha cabeça, equiparei Deprelândia a outros lugares do estado, com a diferença de que ali a renda é bem menor do que em regiões prósperas como Ribeirão Preto, Sorocaba e Piracicaba.

meus pais estão bem, cada um no seu canto, assim como as duas irmãs maiores de idade. a Carolina vai pra Irlanda em menos de um mês, e não sei quanto tempo ela pretende ficar por lá. eu já esperava que ela tomasse uma atitude sobre a vida dela há um certo tempo, e ela tá aí. a Isadora eu não sei o que vai fazer da vida mas, se quiser mesmo prestar vestibular para medicina, é bom que pare de ter vida social durante um tempo e se concentre nisso. o que, em se tratando dela, é impossível.

minha irmã está se recuperando bem do nascimento prematuro, ganhando tamanho e peso. e é mais calma do que se espera de uma recém-nascida, comportamento que espero que se mantenha pelos próximos dezoito anos, já que meu pai tem pavio curto. quanto à minha avó, achei-a com uma cara melhor do que da última vez em que a vi, no Natal do ano passado. ela continua com um senso de humor maneiro, soltando palavrões quando vê os personagens de novela de que não gosta e escondendo o Toddy do meu primo Diego dentro do próprio guarda-roupa, só para sacaneá-lo.

fui a Paraibuna, onde minha avó mora, usando o Civic do meu pai, que ele usa muito pouco e estava com mero 1,2 mil quilômetros. provavelmente ele chegará ao ano 2019 a tempo de fazer a revisão de 20 mil. nunca tinha dirigido um Civic da atual geração com câmbio manual, e foi bem divertido: testei o controlador de cruzeiro, ouvi a Band Vale e umas outras rádios locais, constatei o perfeito escalonamento do câmbio (longo como deveria ser o do 307) e a plena disposição do motor, que me levou a cravar 113 milhas por hora na Carvalho Pinto - converta aí para km/h e não conte ao meu pai quanto deu, ou eu nunca mais dirijo o carro.

à noite, uma passada naquele bistrô do lado da estação ferroviária de Deprelândia. no ano passado eu conheci o lugar e pedi um risoto de bacalhau que estava completamente sem gosto, mais parecendo uma canja de galinha (até mesmo porque não secara por completo). como a carta de cervejas do lugar é boa e a proposta é ousada, decidi voltar lá. pedi um sanduíche de carpaccio, mas não tinha. aí pedi uma outra coisa e não tinha também. terminei com um sanduíche de filé e queijo brie que, se desconstruído, seria delicioso: o filé estava uma delícia, o brie também. mas ali um escondia o gosto do outro e não ficou legal.

no outro dia, no restaurante da Luciana, a coisa melhorou bastante, e eu ainda encontrei o casal Angelieri por lá, sempre simpáticos e com mil projetos (o que eu adoro). e o farfale... meu Deus, o que é aquele farfale, com aquele filé e aquela farofa de pão? absurdo, minha gente, absurdo.

Ana Paula e eu nos vimos na sequência, ela com o cabelo cheio de laquê do dia anterior, quando foi ao casamento de uma amiga que eu também conheço. segundo ela, a festa mais parecia o intervalo do colégio em 1998, tamanha a quantidade de gente que lá estava. eu não fui convidado mas, se fosse, provavelmente não iria se soubesse disso, já que prefiro evitar de ver aquelas pessoas que por um motivo ou outro pertencem ao passado: não há coisa mais triste do que perguntar "e aí, tá gostando do trabalho?" ou algo do tipo a alguém que foi tão importante na sua vida em algum momento e hoje o assunto já não existe mais, a conversa não flui, a distância tornou tudo um grande cânion e os papos do passado não interessam mais, já que, ainda que sejamos pessoas iguais, continuamos nos esforçando para parecermos diferentes.

na volta, tive a sensação de que foi um bom final de semana mas, à medida em que me aproximava da capital de São Paulo, fui me sentindo cada vez pior e com vontade de explodir, o que só passou quando o JJ 3586 aterrou em Brasília. deu a impressão que Deprelândia é um problema de monta menor e que meu problema mesmo é o nojo que tenho pela cidade de São Paulo. provavelmente é só uma impressão, já que eu passei muito pouco tempo em Deprelândia para dizer que minha relação com a região melhorou. mas eu me diverti, vi pessoas legais, acelerei e comi bem. não podia pedir muito mais do que isso.

p.s.: eu iria até relacionar aqui algo sobre uma bolsa Birkin da Hermès, mas essa história é tão fuleira que não merece ser contada.

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Terça-feira, Setembro 08, 2009

coisas que eu nunca te disse #53

do I have time?
a man of my calibre
stood in the street
like a sleepwalking teenager
no
and I dealt with this years ago
I took a hammer to every memento
but image on image
like beads on a rosary
pulled through my head
as the music takes hold
and the sickener hits
I can work till I break
but I love the bones of you
that, I will never escape


(Elbow, "The bones of you", 2008. o Márcio matou a charada, a voz do Guy Garvey é a coisa mais melancólica do mundo)

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Segunda-feira, Setembro 07, 2009

greed is good

eu não tenho do que reclamar da minha vida. não mesmo. moro na cidade onde sempre quis morar, meu emprego é legal, tenho os amigos mais feras do mundo, estudo na melhor escola de lobistas de Brasília, me divirto e amanhã vou comer comida chinesa.

mas por algum motivo eu quero sempre mais, mais, mais. e vou conseguindo mais, mais, mais.

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Sexta-feira, Agosto 28, 2009

trincheira

segunda-feira vai ter guerra de novo, isso acabou de ser anunciado. e lá vamos nós de novo, carregando as armas, cavando as trincheiras, preparando a defesa, semeando a discórdia do lado inimigo. que eles não pensem que será fácil.

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Konjugationstabelle

apply some pressure, apply some pressure, apply some pressure...

*

tava dirigindo um pouco, agora à tarde, e do nada lembrei que o Jonas é um prego porque prefere o Scott Walker fazendo pós-rock do que ele nas antigas. e olha que eu nem tava ouvindo um Scott.

*

ontem as bombas começaram a estourar todas. todas, sem exceção, em uma explosão que eu imagino que vá durar até segunda-feira, ininterruptamente. mas eu estou tranquilo e posso explicar: tudo são fogos de artifício e eu não posso pensar em nada mais bonito por agora. entendeu? não? eu explico daqui a um tempo, quando a festa estiver completa.

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Quinta-feira, Agosto 27, 2009

embrenhado

ontem eu tive um problema grave envolvendo horários, hábitos ruins, responsabilidade acadêmica e coisas conexas. para piorar, uns pensamentos antigos que não consigo deixar me ficavam rondando a cabeça. foi forte, e eu achei, ali pelas cinco ou seis da tarde, que tinha chegado ao fundo do poço, à rua sem saída etc.

morrendo de dor de cabeça mas com outras dores ainda mais fortes por aí, saí de casa para ir à faculdade, quando meu celular tocou. era a minha chefe, e ela me falou algo inacreditável. para bem. fiquei tremendo nas bases, de tão incrédulo que fiquei - cheguei até a suar frio. dirigir até a UnB em linha reta pela L4 se transformou em um slalom, de tanto que eu tremia.

ainda não posso falar o que é, pois não tem nada oficializado. mas dali em diante, e passando por uma outra noticia bem interessante, as coisas só melhoraram. chegou a um ponto em que deu meia-noite e fui para a cama, mas não consegui dormir. tentei de tudo, mas só peguei no sono às três. estou caindo de sono, continuo tremendo (agora é um pouco pelo frio), mas estou feliz. ainda que, por conta da dívida com a minha cama, mal consiga esboçar um sorriso.

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Quarta-feira, Agosto 19, 2009

lições de Madoff

é muita pergunta na minha cabeça.

*

mas aí, no final da aula, eu me levantei e fui até o professor só para dizer que não estava entendendo quase nada, mas estava gostando. calma, Palandi: só se passaram duas aulas.

por outro lado, duas aulas são 22% da duração desta matéria.

*

mas as perguntas não começaram naquele momento, nem acabaram naquele momento. na verdade, alguns dos pontos de interrogação que me rondam a cabeça eu consegui na escola de lobistas e levei pra minha vida fora dali. e outros eu importei lá para dentro.

é, o final desse ano vai ser difícil.

*

na volta, ouvindo o "Love is hell", não me dei conta que a primeira música do disco tem a ver com o curso no título, embora uma letra que diga "ele precisa dela como precisa de remédios" só possa ser aplicada a uma situação escolar dessas se... ah, deixa pra lá. boa noite.

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Quinta-feira, Julho 16, 2009

plátano

você já teve preguiça de um certo grupo de pessoas?

eu estou tendo agora, de dois grupos diferentes. e não parece que um dia isso vá passar.

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Sexta-feira, Julho 10, 2009

coisas que eu nunca te disse #51

once there was a time
when a kind word could be enough
and once there was a time
I could blindfold myself with love
but not now - now I'm resigned
to the kind of life I had reserved
for other guys less smart than I
you know - the kind who will always end up with the girls


(Divine Comedy, "Becoming more like Alfie", 1996)

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Terça-feira, Junho 30, 2009

poliestireno

meu disco preferido do Radiohead, de uns três anos para cá, é o "Pablo honey", como já deixei claro algumas vezes. mas dia desses eu saí para passear ouvindo o "The bends" e me encantei por algumas músicas dele. de "Bulletproof... I wish I was" eu já tratei aqui, mas acabou que voltei a amar "Fake plastic trees".

sempre gostei dessa música, em especial do verso "but I can't help the feeling, I could blow through the ceiling". além da sonoridade das palavras (note como você solta a primeira frase de forma bem esparrada e depois enche a boca para soltar a segunda), tem essa coisa da letra: "explodir pelo telhado". é uma imagem forte, mas ao mesmo tempo um pouco artística, se você não pensar em pedreiros, lajes e coisas de construção civil em geral. quando eles tocaram em São Paulo, três meses atrás, morri de vontade de cantar esse verso como se fosse o último dia da minha vida, mas tive vergonha e abri a boca para cantá-lo apenas moderadamente. uma pena.

mas a coisa com "Fake plastic trees" não acaba por aí: logo depois o Thom Yorke canta "if I just turn and run it wears me out", com uma pausa no meio do período. imagino que sejam takes diferentes de voz, mas o fato é que ele canta a segunda parte de forma diametralmente oposta à explosão de emoções dos versos anteriores: ele é frio, comedido, como se soubesse que de nada adianta gritar. e a forma como começa a dizer "it wears me out" diz que, além de saber de tudo isso, e que esse comportamento o cansaria e o desgastaria, ele já se adaptou à situação, num ritmo quase que bipolar.

e por fim tem outra frase que me martela a cabeça de vez em quando: "if I could be who you wanted, if I could be who you wanted all the time". esse "o tempo todo" muda o sentido dela por completo e dá mais uma beleza à canção, mas nesse caso o fato é que as duas frases andam presentes na minha vida. eu não posso ser quem você queria, eu não posso ser quem você queria o tempo todo. e também não dá para falar mais do que isso.

(atualização em 2 de julho: Tomás escreve para dizer que o vocal é obra de um take só, o que torna a elasticidade do sr. Yorke uma coisa assustadora. e linda)

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Quarta-feira, Junho 24, 2009

azeite

um dia, ou melhor, uma tarde de muitas surpresas: três, todas com desdobramentos futuros. ainda não posso falar, mas a que mais importa é a segunda, porque pode ser uma mudança de rumos histórica no trabalho. a primeira é uma frivolidade, enquanto a terceira, pelo menos por enquanto, não é nada.

uma quarta surpresa: chego em casa e descubro que meu chá branco com lichia congelou. agora ele está lá no mármore da cozinha, suando para descongelar. parece que se eu colocar qualquer vasilhame com líquidos na primeira prateleira abaixo da gaveta de congelamento rápido, o líquido congela. só sei que não gostei de ver o iceberg dentro do Tetra Pak, e que agora tenho que reverter esta joça.

*

noite passada eu acordei às quinze para as seis, sem sono. tinha dormido à meia-noite, e quando durmo tão pouco é óbvio que o dia não rende. tem coisa de um ano que não tomo um remédio pra dormir sequer, mas hoje não tem jeito, e acabei de tomar: escrevo essas linhas em meio a mil bocejos, e espero dar um duplo twist carpado na cama dentro de alguns minutos. eu preciso dormir, eu preciso dormir. posso?

*

hoje a Volvo anunciou oficialmente o que você, que lê este blógue, sabe já há vinte dias: o C30 na versão 2 litros tem agora câmbio automático de seis marchas como opcional. a única coisa que o comunicado oficial adiciona é que a transmissão é a fabulosa Ford Powershift, de duas embreagens, que funciona assim: você está em primeira marcha, o câmbio já pré-engata a segunda. quando você passa a segunda, ele já pré-engata a terceira, e o resultado é que não existem trancos na mudança de marchas. e você só não soube desse fato antes porque perguntei para o vendedor da Calmac Brasília e ele disse que não era um câmbio de dupla embreagem, o que me levou a crer que a Volvo acoplara ao carro a Ford Durashift, uma transmissão mais das antigas.

mas o que você precisa saber de tudo isso é: eu quero um C30. boa noite, vou lá sonhar com um.

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Segunda-feira, Junho 15, 2009

xadrez

uma briga grande é difícil de administrar, mas temos dado conta. duas, e com a segunda tendo efeitos imediatos de magnitude ainda maior, é uma missão impossível. mas também acreditávamos que a primeira era uma dessas, e olha só nossas pequenas vitórias que levarão a algo ainda maior no final.

não pedimos para a coisa ficar desse tamanho e com essas ideias ridículas, mas ela ficou. só nos resta destruir tudo isso e continuar respirando.

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Domingo, Junho 07, 2009

autolimpante

tá no MSN do Victor: "que fase...", seguido de um emoticon triste. eu vinha voltando pra casa hoje, à pé, às quatro da manhã, pensando a mesma coisa, quando tive uma epifania: a última vez em que me senti assim era junho de 2007. aquele foi um mês difícil, e terminou com uma tragédia que me fez repensar a vida. foi uma das poucas vezes em que acreditei estar diante de um sinal divino, mas pode ser que eu tenha dado importância demais à coisa.

em todo caso, como não quero passar por aquilo de novo, já entendi o recado e agora começo a colocá-lo em prática. vou botar a cabeça no lugar e não me preocupar demais com o maior dos problemas, vou segurar a língua, não vou deixar as coisas se partirem. não é tão fácil como parece, mas uma hora consigo.

*

o dia foi de pausas, silêncios e alguns sentimentos esparramados. depois de um silêncio causado por uma corrida anódina na Fórmula 1, assisti ao Roger Federer ganhando Roland Garros, aquele que lhe faltava. catorze títulos de Grand Slam, gente. e no final ele chorando, extasiado, explodindo. foi legal demais. aí fui pro Wal-Mart comprar risoto e chocolate, e fiquei em silêncio até umas quatro da tarde, quando me ligaram para fazer alguma coisa. e depois de novo às sete.

ufa, se não fossem meus amigos eu teria passado o dia todo calado, e não seria nada legal.

*

na volta para casa, agora há pouco, uma ideia fixa na cabeça: comportamentos reais para sentimentos imaginários. eu não sei se tenho motivo real para dirigir como um louco, o que tenho feito bastante por esses dias, mas eu faço a coisa mesmo assim, como se um sentimento imaginário me compelisse. e ao mesmo tempo tenho aquela saudade portuguesa do que não conheço, do que não conheci, do que viria pela frente mas que por algum motivo já ficou para trás.

não que buscar explicação para essas coisas seja necessário, tampouco que seja bom. mas ando com vontade de escrever sobre isso... e não sei como fazer.

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Sábado, Junho 06, 2009

instrumento

cinco coisas legais de se ter no café da manhã:

- suco de laranja
- pão integral
- queijo
- açaí com granola
- pain au chocolat avec amandes da Boulangerie (106 sul). só provei hoje, e é a melhor coisa de lá. nota 11.

*

comecei a ler a biografia do Chet Baker, avançando cinquenta e seis páginas; um número pequeno, não chega a 15% do total. mas terminá-lo em dois ou três finais de semana não será nenhum demérito, certamente, e o livro é muito gostoso de se ler. lembro que li o primeiro capítulo no apê do Alexandre, em São Paulo, seis anos atrás, e desde então fiquei com vontade de ler tudo - o que finalmente farei agora. e que coisa, o jovem Chet também era um petrolhead.

*

assistir ao resgate do espólio do voo 447 da Air France é algo bastante triste. mas não é por isso que vamos parar de voar, certo? hoje tem um debate na "Folha de São Paulo", com o Nelson Ascher dizendo que tem medo de avião, enquanto o Ronnie Von (que é piloto), diz não ter. obviamente a discussão não fica no plano racional, afinal de contas é o medo. mas há bons argumentos dos dois lados e, de qualquer forma, eu continuo me sinto mais seguro no ar do que em terra.

*

depois daquela vitória conquistada no trabalho, na quarta-feira, uma surpresa: tudo foi colocado a perigo por gente que não deveria agir desta maneira. não deveria, mas a índole das pessoas é capaz de tudo. até de má índole, como é o caso. e antes que me acusem de não tolerar opiniões contrárias ou algo assim, esclareço: eu espero certas coisas sim, mas não de certas pessoas que, até pela posição que ocupam, têm o dever de se posicionar do nosso lado.

ontem a chefe me atualizou sobre essa lamentável manobra e, ao final do relato, disse que vencer essa queda-de-braço havia virado questão de honra para ela. já tinha virado para mim, meses atrás, mas não me surpreendi com a fala dela ontem. esse tipo de postura não costuma fazer bem à saúde, mas se bem a conheço, vai nos ajudar de alguma forma com a questão, que pode ter mais um lance importante até a próxima quarta-feira. novamente, cruzem os dedos e torçam pela gente.

*

minha mãe andou me dizendo para não estabelecer metas rígidas para a minha vida. bem que eu gostaria de ouvir, e até não as faço para certas coisas que não dependem só de mim, mas é bom ter um certo planejamento ou, no mínimo, um "onde quero estar". mas é bom lembrar que nunca é tarde para certas coisas. Leonard Cohen lançou o primeiro disco aos 34, o Tasso Jereissati entrou para a política aos 36, um chefe meu só foi dar o grande salto (para cima) no padrão de vida aos 47. como dizia Renato Russo, que não faz parte dessa galera porque alcançou o estrelato aos 26, "somos tão jovens"...

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Quarta-feira, Junho 03, 2009

Barnaul

lembra que eu disse aqui, semana passada, que quarta-feira seria um dia crucial no trabalho? pois então: descobri, minutos atrás, que aconteceu o que queríamos. quatro meses de murros em ponta de faca, discussões acaloradas, reuniões para medir quem tem o pau maior conversar de forma civilizada, dúvidas sobre a vida sexual competência dos envolvidos no processo, coisas feitas na surdina, mais murros em ponta de faca, atropelos, fogo amigo, promessas desfeitas, ódio gratuito e pago... mas a coisa agora começa a dar certo. e é uma delícia ler o resultado de algo grande e saber que aquilo começou porque a sua área, num cantinho qualquer da Asa Sul, viu a bomba ser armada e não a deixou detonar.

escrevo este vigésimo e último post do dia ao lado de um copo de Smirnoff Twist sabor maracujá. feliz, com vontade de chorar mas, ao contrário das últimas vezes em que senti isso, agora é de alegria.

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ciência

hmmmm, isso explica uma série de coisas que andei sentindo.

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Sexta-feira, Maio 22, 2009

inexplicável

ainda não engoli essa história da Lucy Gordon, de verdade. e por mais banal que possa parecer agora que o tempo vai passando, é a coisa mais triste do mundo.

*

mas nem todas as inexplicações da vida são ruins: hoje, na hora do almoço, aconteceu algo que não pode ser descrito aqui, e que provavelmente não há de ser nada. mas duas horas depois vieram me contar uma outra versão, inexplicável, para o ocorrido, e eu me senti bem. ainda que no final das contas não seja nada.

*

descobri um jeito mais fácil de sair do trabalho em dias de maior trânsito: fugir pela L2, se o balão que dá acesso ao Eixinho estiver congestionado. saio por lá, ganho velocidade a partir da 403 e vou mais rápido por mais quatro ou cinco quadras. é uma volta maior, mas a sensação cinética compensa plenamente. e nesses dias de temperatura mais baixa, ouvindo música calma e dirigindo como se o mundo estivesse acabando a cinco metros atrás do meu carro, tem sido delicioso.

*

esse é o post mais polêmico do ano. e não é qualquer polêmica besta não: quem assina é o Bob Sharp, o único jornalista automotivo que admiro além do Jeremy Clarkson. e ele está coberto de razão em apontar essa história da película escura no acidente. coberto de razão.

*

alguém me belisca, por favor?

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Quinta-feira, Maio 21, 2009

eletrochoque

tô chocado: acabei de ver que a Lucy Gordon morreu. ou melhor dizendo, se matou. ela fez o "Bonecas russas", um dos filmes com que mais me identifico, quatro anos atrás; nele, a moça coloca um enorme ponto de interrogação na cabeça do protagonista, em uma das cenas mais bonitas que já vi - e não só pelo visual da garota, que era linda.

eu tinha prometido pra mim mesmo nunca escrever nada sobre esse filme, mas diante de uma notícia dessas, não teve jeito. é sempre assustador quando alguém da sua idade morre (a menos que você tenha mais de setenta anos), e ainda mais quando essa pessoa era linda mesmo e, assim como fez com o protagonista, também te deixou com um ponto de interrogação na cabeça.

e agora, lendo as notícias que vão aparecendo sobre o fim de Lucy Gordon, eu fico me perguntando "por quê?", mas sei que não tem resposta.

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Terça-feira, Maio 19, 2009

colágeno

uma semana sem grandes movimentações vai se desenhando aqui no trabalho. e se não há muito para se preocupar com isso, vou aproveitar e mudar um plano feito para a maior prioridade do ano e investigar mais a fundo aquela ideia sensacional que me ocupou a cabeça na semana passada. a primeira é uma preocupação de curto prazo e as chances de me dar bem são muito boas; a segunda é uma incógnita.

mas é aí que mora a grande diversão da coisa.

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Terça-feira, Maio 12, 2009

Lagavulin

uma ideia perigosa me rondou a cabeça agora no final desta tarde. calma, não vou matar ninguém - afinal de contas, ainda não é preciso.

*

em sua lista de 10 coisas essenciais, publicada um dia desses ontem, o Mark Ronson falou maravilhas desse uísque aqui, sobre o qual já tinha lido esse texto do Bruno Garschagen a respeito. uma rápida busca no Google e descobri que, para variar, não é vendido cá no país da mandioca, o que o torna mais uma coisinha na minha mala ibérica.

caramba, ela vai ficar pesadona.

*

por falar em coisas que não são vendidas no Brasil, tenho que trazer um par de Reebok Classics pro Ivens, já que muito em breve ele vai realizar seu sonho de ter um Subaru Impreza. não entendeu? seguinte: na Inglaterra, só dois tipos de pessoas compram Subarus: os fazendeiros, que calçam galochas verdes e compram os intrépidos japas para conseguirem chegar em qualquer lugar, e a turma de engenheiros do pé pesado, que calça Reebok Classics e compra Subaru pelo refinamento técnico da coisa. aqui no Brasil é diferente, mas eu acho que é mais fácil que o herdeiro do Gattonero faça parte do segundo grupo, sem contar que tem uns Reebok Classic estilosos, tipo esse e esse, que vou tentar achar pra mim e, portanto, serão três pares de Reebok Classics para acrescer à mala ibérica.

caramba, ela vai ficar muito pesadona.

*

um colega de Telerj deixou comigo a primeira temporada do "Prison Break", mas eu não sei se vale a pena assistir. tem alguém aqui que gosta? alguém que me dê uma referência, pelo menos?

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Segunda-feira, Maio 04, 2009

gongo

eu ia escrever aqui sobre uma conversa imaginária com o meu pai. imaginária, porque ele não é muito de conversar comigo, embora goste de mim, eu saiba disso e a recíproca seja verdadeira. mas ele não se sente à vontade para conversar com os filhos, então paciência. mas o post foi perdendo o prumo e achei melhor esquecer a ideia, até mesmo porque não saberia como terminá-la.

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Sexta-feira, Abril 17, 2009

topônimo

depois que o Guilherme me sugeriu fazer um Twitter, graças ao tamanho diminuto dos últimos posts, eu prometo: vou aumentar o tamanho deles... ou pelo menos vou morrer tentando!

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Terça-feira, Abril 14, 2009

disco dancing

oi, tudo bem? caí da cama e cheguei mais cedo hoje na Telerj, preparando meu espírito para o que vem pela frente daqui a algumas horas. hoje tem coisas mais midiáticas para resolver, então parece que vamos ter algum auxílio aqui dentro. ao mesmo tempo, a missão é bem mais espinhosa... é aquela na qual estamos reunindo algumas pequenas vitórias desde fevereiro, sempre andando um passo ou meio rumo ao que queremos. hoje a briga será mais importante, mas ainda será outro passo pequeno, quem sabe um passo e meio.

infelizmente, tem seus problemas: além da exposição midiática, espera-se que o tom de voz entre os participantes da porrada se eleve, e em mais gravidade que a importância da discussão de hoje. como qualquer vitória continua sendo uma vitória, é de se esperar que não fujamos do bate-boca, embora nosso escaldado comandante tenha percebido a armadilha em que tentarão colocá-lo e, mais do que isso, tenha o wit para contorná-lo sem deixar que o chá transborde da chávena.

pelo outro lado, vários apoios externos foram angariados nos dois últimos meses, inclusive na organização da briga, e como os debates se darão entre sete pessoas e não apenas duas, há boas possibilidades de se haver uma coalizão - ao que pudemos apurar, serão cinco do nosso lado contra dois do lado de lá. eles são mais fortes, mas nós não estamos mortos e não vamos desistir - como dizem no Bope, "sou o temido cão de guerra, sou treinado pra matar", então hoje vai ter briga boa :)

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Quarta-feira, Abril 08, 2009

troca

minha música preferida do Everything but the Girl, "Wrong", fala logo antes do refrão: there's a little give and take. regra básica da vida, né? negociações, cessões, obtenção de coisas em troca. e nas mil maravilhas a 180 quilômetros por hora que se tornou o trabalho, por que não seria assim também?

hoje descobrimos que teremos de abrir mão de uma parte muito importante dele. algo que, em última instância, pode piorar a dinâmica das coisas, mas não é hora de ser pessimista. o que me consola é que, ao abrir mão disso, automaticamente uma outra parte do trabalho na Telerj, bem maior, vai melhorar imediatamente, como se fosse o caso de abrir mão de uma parte para salvar o corpo todo.

mas essa parte, a nossa, pode se regenerar. e pode ser que, no final das contas, esse toma lá, dá cá termine apenas como uma pequena cicatriz, enquanto todo o resto flui. agora é esperar.

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Terça-feira, Abril 07, 2009

vegetal

preciso dizer uma coisa: nunca torci tanto para um dia acabar. e não havia nenhuma missão impossível, nenhum desconforto pré-agendado, tampouco eu teria que interagir com gente que não gosto, dentre outras coisas ruins.

mas aconteceu que acordei me sentindo frágil e cansado, às quatro da manhã. perdi o sono por algum motivo que ignoro, e devo ter demorado uma hora, uma hora e meia até voltar a dormir. meu corpo estava bem cansado, e não conseguir descansar nessas horas é de enlouquecer o cidadão. quando o despertador tocou, era óbvio que não estava totalmente recuperado, mas fui logo me arrumar tentando ignorar.

quando cheguei no trabalho, vi que a Solange estava com uma cara de sono mais forte que a minha. perguntei se ela também estava insone e ela disse que não, estava se recuperando da viagem que fez. e me falou que se eu havia perdido o sono era porque havia alguma coisa me preocupando. respondi que não, que estava tudo bem, que minha vida estava ótima (e está), não havia nada capaz de me deixar assim. com o meu corpo reclamando da falta de sono e com dores na coluna e na perna, fui fazer a primeira parte do Geólogo, fiz dois relatórios estratégicos para a Telerj e ainda apurei os votos da enquete da Popload - na parte que me coube, o show do Radiohead teve o quádruplo dos votos do segundo colocado, vamos ver como fica no cômputo final.

enquanto isso Brasília, essa cidade deslumbrada, ia imitando Londres no clima e a chuva ia caindo e parando, caindo e parando. sem vontade de tomar caldinho ao sair para comer, encomendei comida. enquanto esperava, lembrei do dedinho dela, que agora era ameaçado por uma das classes de pessoas que eu gostaria que fossem extintas da face da Terra, e senti vontade de quebrar a cara de quem ameaçasse perturbá-la no trabalho. descobri que a Publisher agora aceita assinaturas da GQ Portugal no Brasil (com aquele atraso de quatro meses que já mencionei) e fiz a minha. à tarde, em compasso de espera de uma reunião que aconteceria sem mim, terminei de atualizar o Geólogo, visitei aquele monte de páginas de moda e carros e fiquei pensando em umas estratégias para aquela missão impossível que nos deu um descanso nas duas últimas semanas mas que, soube disso hoje, volta com força dobrada na semana que vem.

ao chegar em casa, a vontade de ir à fisioterapia era zero, mas não tinha jeito: todo dolorido e sem querer desmarcar em cima da hora, me arrastei até lá, debaixo de chuva e ouvindo o disco da Charlotte Gainsbourg, que é um daqueles que, independente do que dizem as letras, me falam que tudo vai dar certo, que tudo acabará bem. na saída, um pouco menos frágil do que quando cheguei, ainda tive coragem de ouvir um Radiohead e voltar devagarinho pra casa, por um caminho mais longo (eixinho W desde a 16), louco por três coisas: para que o dia acabasse, por uma dose de Bailey's (que era exatamente a quantidade que tinha na garrafa) e por um abraço, que fica para outro dia.

mas agora tudo está bem, foi só o cansaço mesmo. minha vida continua legal, e tem uma história que mostra bem o que quero dizer: dois meses atrás eu percebi minhas primeiras rugas embaixo dos olhos e, para além de passar um hidratante ali de vez em quando, não fiz disso um grande problema, não fiquei inconformado, nada do tipo. claro que quero não ter esse tipo de coisa, mas tem tanta tragédia de verdade por aí, como esse terremoto na Itália, não? sobre o dia de hoje, que não foi ruim, apenas frágil, já está tudo resolvido: em menos de três horas ele vai embora. um abraço, 7 de abril: você já vai tarde.

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Quinta-feira, Março 19, 2009

ampoule

as coisas continuam legais no trabalho.

hoje, em um terreno extra-oficial, conseguimos a terceira vitória da guerra em que nos metemos. maior que as duas primeiras, aliás bem maior - mas ainda muito pequena face ao desafio que temos. um dia ainda gostaria de falar sobre isso aqui, ou quem sabe em um livro que, claro, contará com um final feliz.

assim acaba a terceira semana consecutiva em que trabalho em sexta marcha. sei que tem gente que trabalha a vida toda em quinta, e que tem casos em que a sexta dura um bom tempo. se eu não gostasse tanto desse trabalho, provavelmente já teria caído da cama. mas que nada, a cada dia volto para minha mesa, meus corredores, meus textos, com vontade de fazer mais coisas, de fazê-las ainda melhor.

e quando essa pequena grande vitória foi anunciada pela minha chefe, depois de uma reunião no fim do dia, a minha esperança de ver a coisa resolvida para o nosso lado me deixou feliz. e olha que hoje ainda não é amanhã...

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Domingo, Março 08, 2009

mudança 2

tenho observado que meus posts estão cada vez mais concretos, com muito pouco espaço para abstrações, devaneios e coisas do tipo. mas eu não parei de sonhar, apenas guardo esse tipo de coisa para dividir com ela. e um dia, quem sabe, volto a escrever sobre isso por aqui.

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Terça-feira, Março 03, 2009

coisas que eu nunca te disse #45

you're so young, so sweet, so surprised
you look so young
like a daisy in my lazy eyes


(Interpol, "My chemistry", 2007)

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Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

numa só

hoje o dia foi simples, as coisas eram todas simples. tanto eram que acabei de pensar se não tive um momento Alberto Caeiro. li cem páginas do "31 canções" e só parei porque dormi, naturalmente. amanhã cedo dou conta das outras 50. quando acordei, nunca tive tanta certeza do que fazer: buscar um milk-shake de Ovomaltine, certeiro.

todos os problemas - as dores físicas, as contas por vencer, a falta de coisas legais para assistir etc - eram tão pequenos, tão ínfimos. senti até que, se quisesse dominar o mundo, bastaria eu estender a mão e, hélas, eu conseguiria. mas tudo que eu quero hoje é um beijo seu, e ouvir uma boa notícia qualquer, por menor que seja. é que hoje as coisas foram todas simples, então quero manter tudo assim.

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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

pai, mãe, quero ser popstar

tenho a impressão de que o painkiller que estou tomando para a lesão está acabando com o meu senso de humor. que ele me deixa com sono o dia inteiro não é segredo, mas o humor só fui perceber hoje. mesmo assim, enquanto voltava pra casa ouvindo a Executiva FM (o cd player do carro engoliu meu cd do Super Furry Animals, vou ter que levá-lo numa oficina aqui pra liberar), tocou uma música que diz tudo que queria pra minha vida agora:

 Joao Penca e seus Miquinhos Amestrados - Popstar


(...)

acho que ninguém me entende.
me dizem que eu sou new wave demais.
eu vou na onda que mais longe me levar, me levar
me levar...

a sua mãe diz que eu sou vagabundo
e o seu pai é tão esnobe:
"esse garoto não combina contigo,
a gente arranja pra você bom partido."
mas, quando eu virar um astro,
com a minha guitarra e uma prancha do lado,
eu quero ver na hora do jantar,
o seu pai sentado à mesa ao lado de um pop star.

e o neto dele também vai ser new wave,
filho de popstar, popstar é.
e vamos todos morar no Hawaii,
tocar guitarra às três da manhã.
e a vizinhança de cabelo em pé.
e da maneira que a gente quiser.

*

pois é, "Popstar", João Penca & seus Miquinhos Amestrados safra 1986, a música com o instrumental mais Talking Heads do mundo (ouça e chore, Pedruxo). liguei pro Alexandre e falei pra ele "cara, me salva, cansei de ser funcionário público, quero ser popstar". talvez isso passe depois que a dor na perna passar, ou quando o trabalho ficar ainda mais emocionante do que está agora. mas se hoje à noite eu estivesse lá fora tocando guitarra até não poder mais, era tudo que queria.

e te encontrar depois do show, pra gente comer a melhor pizza da cidade e ir dormir às três da manhã, honey.

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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

coisas que eu nunca te disse #44

this is the first day of my life
I'm glad I didn't die before I met you.
but, now I don't care, I could go anywhere with you
and I'd probably be happy


(Bright Eyes, "First day of my life", 2005)

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Domingo, Fevereiro 08, 2009

rapidinho

ah, claro: considerando o histórico de sobremesas abaixo, mas principalmente o meu comportamento desde o início do ano, fico satisfeito em ver que minha meta de me tornar uma pessoa mais doce está sendo plenamente cumprida.

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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Santa Marinella

ah, claro: vi na televisão a nevasca que se abateu sobre Londres, e gostaria de estar lá com você agora, antes de irmos para a Escócia. vem comigo?

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Sábado, Janeiro 31, 2009

coisas que eu nunca te disse #43

do you believe that there's someone up above?
and does he have a timetable directing acts of love?

why did I write this song on that one day?
why did you touched my hand and softly said,
"stop asking questions that don't matter anyway,
just give us a kiss to celebrate here, today
something changed"

and when we woke up that morning
we've had no way of knowing
that in a matter of hours we'd change
the way we were going (...)





(Pulp, "Something changed", 1995. porque se o chefe vai falar do Pulp na segunda-feira é melhor lembrar da mais bonita música de amor que eu conheço)

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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Kitai-gorod

tem um certo valor que às vezes parece estar impregnado no Oriente: copiar o Ocidente, mas com algumas adaptações locais. em alguns casos o resultado é grotesco, mas em outros beira o sublime. estou vendo aqui umas obras de arquitetos italianos na Rússia, e maravilhado com a forma como eles conseguiram colocar no país aquilo que bombava na Europa da época. tem a Igreja da Ascensão em Kolomenskoye, na grande Moscou, obra de um italiano cujo nome só se conhece em russo: Petrok Maly. ele também fez os muros da Kitai-gorod, um bairro moscovita cercado de muros e que traz um mistério no nome: a tradução literal de "Kitai-gorod" é "Bairro chinês" (ou "Chinatown" se você é fã do Charles Bronson), mas de chinês a coisa não tem nada. de toda forma, mais um local para eu dar um rolê.

*

indo do século XVI para o XIX, tem as obras do Carlo Rossi, que desenhou boa parte dos prédios históricos de São Petersburgo, inclusive uma das ideias mais fascinantes que já vi, a tal da "rua de proporções perfeitas". se alguém aí assistiu "Bonecas russas" sabe do que estou falando: seu criador acreditava em uma relação perfeita entre a altura dos prédios (22 metros), a largura da rua (idem) e seu comprimento (220 metros). isso tem alguma implicação no enredo do filme, mas não vamos mudar de assunto... prometi que nunca publicaria o post sobre esse filme. mas a tal rua, que leva o sobrenome de seu arquiteto e também é conhecida por "rua do Teatro", já que termina em um, é mais uma pra lista de lugares a conferir ao vivo, e o quanto antes.

*

outra italianada da boa é o Palácio de Gatchina, construído no século XVIII por Antonio Rinaldi. vi umas pinturas que detalhavam seu interior, que era de chorar de tão bonito. infelizmente o verbo está no pretérito porque os nazistas acharam por bem queimar tudo até a última ponta de afresco neoclássico. mas a fachada do palácio (que hoje parece um tanto mal cuidada) e as vistas dele permanecem, para alívio geral do Brasil. ou da Rússia, já que brasileiro gosta mesmo é de Caraguatatuba.

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Sábado, Janeiro 17, 2009

invecchia con noi

pois é: a torcida do Milan, depois de ouvir por aí que uma galera de Dubai quer dar quase uma bilha para o Kaká ir jogar na Inglaterra, levou umas faixas para o jogo de hoje. e uma delas é a declaração de amor mais bonita que eu vi em um bom tempo: "Kaká, invecchia con noi" ou, em bom português, "Kaká, envelheça conosco". dá só uma olhada:

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Domingo, Janeiro 11, 2009

coisas que eu nunca te disse #42

someday, one day
we'll get sky and move away
and like the birds we'll fly tomorrow
obscene machines that glide away
and like the birds we'll fly tomorrow
and like the birds we'll fly
from your Asda Town
never coming down


(Suede, "Asda town", 1994)

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Sábado, Janeiro 03, 2009

bonequinha de luxo

2009, um ano mais leve, mais doce e mais delicado. por aí, por aí.

*

soube pelo Alê, nos últimos dias do ano passado, que a Nuvem Nove, nossa loja de cds preferida, havia fechado. curiosamente, o disco que mais ouvi no ano passado (o "The night", do Morphine) foi comprado lá, e até continua com a etiqueta de preço, que denuncia que morreram apenas 12 reais em sua compra. e o que mais tenho ouvido no começo desse ano, o "Nine objects of desire", da Suzanne Vega, também.

*

por falar em Suzanne Vega, e como parte de um ano mais doce e mais delicado, "Caramel" é o hino. o problema é só que, quando ela diz but I don't know what I would give of myself, how I would live with myself if you don't go, a minha preocupação é exatamente a contrária, ou seja, como eu viveria comigo mesmo se você se fosse.

dia desses lembrei da música porque o Telecine fez uma chamada para o "Closer" com essa música. tentei achar o anúncio na internet, mas infelizmente não tem. em compensação, algumas das sensações daquele filme me passaram pela cabeça já algumas vezes este ano, o que vai contra a leveza das coisas. mas quem foi que falou que seria fácil?

*

em um dos últimos posts do Estado Civil, o Pedro Mexia menciona que acordou com "Sweet about me", da Gabriella Cilmi, e discorre sobre algumas coisas da letra, e eu só faço com a cabeça que sim, porque uma vez mais ele tem razão. só espero que essa minha suspeita de que ele pretende fechar o melhor blog que a língua portuguesa já conheceu seja completamente infundada.

por outro lado, ele sempre abre outro depois, e é sempre melhor.

*

uma situação inusitada me espera hoje: estou querendo muito encontrar uma pessoa, apenas porque me faz bem, mas não tenho nada de novo para dizer a ela. nada. mas vou vê-la, apenas pelo fato de que me faz muito bem, o que nunca pode ser desprezado. alguém aí me deseja sorte, por favor?

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Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Paraibuna 1

(post censurado por alguns dias, finalmente liberado depois que vi que era inofensivo)

geograficamente, a minha maior paixão é Brasília, não tem jeito. mas existem alguns outros lugares que moram no meu coração. um deles é Paraibuna, uma cidade de quinze mil habitantes no interior de São Paulo, e terra da minha família por parte de pai: se eu saio do DF para passar o Natal nesse estado frívolo, meu único prazer que não se relaciona às pessoas queridas e a alguns detalhes culinários pontuais é caminhar pelas ruas de Paraibuna.

 

minha avó mora lá, e eu lhe havia prometido uma visita antes do dia de Natal, já que nesse dia a casa dela chega a ter quarenta pessoas, entre os filhos, netos, bisnetos e agregados que por lá aparecem. sendo assim, peguei o carro da minha irmã e percorri cento e dez quilômetros até Paraibuna, a partir de Deprelândia.

 

felizmente, minha irmã deixara sua coletânea dos Smashing Pumpkins no carro, e ela duraria o tempo da viagem, mesmo pulando "Disarm". quando cheguei à rodovia Presidente Dutra, vi que o carro dela, que tem o mesmo motor do meu mas uns 250 quilos a menos, era perfeito para testar uns limites. e, na reta entre Roseira e Pindamonhangaba, bati meu antigo recorde de velocidade (163 km/h, a bordo do Polo Classic em que aprendi a dirigir), cravando 168 km/h.

 

ao sair da Dutra e entrar na Carvalho Pinto, já era hora das músicas do "Mellon Collie and the Infinite Sadness", aquele disco que todo mundo tem – e quem não tem deveria comprar um ainda hoje; aumentei a velocidade de cruzeiro dos 120 km/h permitidos para algo entre 130 e 140, e a cada descida ou reta sem outros carros ia esticando a 150, 160. quando "Bullet with butterfly wings" começou, lembrei de quão boa é essa música, e de quão importante ela foi (e é) na minha vida. a cada vez que o Billy Corgan gritava a última palavra do refrão, eu ia junto: "despite all my rage, I'm still just a rat in a CAAAAAAAAAAGE".

 

eu precisava desabafar já há coisa de vários meses, e berrar junto com os Smashing Pumpkins a 150 km/h era a melhor forma de fazer isso. em "1979", fui acompanhando a letra, cantando alto, and we don't even care, just restless as we are. comecei a chorar, e a lembrar como essa música me faz sonhar e me avisa que não há limites para onde posso chegar. veio "Zero" e seu pessimismo metaleiro, e eu não me abati, apenas para voltar a chorar em "Tonight, tonight" e seu aviso: believe, believe that life will change, that you're not stuck in vain. e que termina com uma das "coisas que eu nunca te disse": acredite em mim como eu acredito em você.

 

quando "Tonight, tonight" acabava, apareceu, bem atrás de mim, um dos carros com que ando sonhando, um Volvo C30. faróis de xenônio acesos (era meio-dia), ele vinha em disparada. como eu estava num estado de daydreaming, achei que era o caso de perseguir o meu sonho, literalmente, e acelerei o 206 da minha irmã para acompanhá-lo. 130, 140, 150... e ele ia se distanciando. 160, 170, um novo recorde pessoal de velocidade... e ele ainda abrindo espaço.

 

foi só a 180 km/h que ele parou de ficar mais longe de mim. mas fiquei apenas dez segundos nessa velocidade, para ver se o C30 não fugiria mais: ele ficou à mesma distância. estava ouvindo "Tonight, tonight" mais uma vez, e meu sonho estava ali, sem fugir de mim. e quando chegaram as duas do "Adore", o melhor disco da história, eu já me aproximava da Tamoios, aquela estradinha horrorosa que leva ao litoral. mas eu não estava ali... estava nas nuvens. foi questão de descer cantando junto de novo, lovely girl you're the beauty in my world e todas aquelas coisas lindas, strangers down the street, lovers while we sleep.

 

eu havia ganho meu dia, e olha que nem havia chegado à parte que imaginava que seria a mais legal dele.

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Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

verdadeiro

manchete do Maplink, página de trânsito: "hoje é o melhor dia para deixar cidade de São Paulo". para fazer ainda mais sentido, essa frase deve ser aplicada fora de seu contexto.

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Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

Voronezh

aí uma amiga, em crise com o namorado, me pergunta "cadê as pessoas que se imaginam juntas?", diz que se sente sozinha por não achar alguém assim e que não entende como se mete com pessoas que "nem sonhar um pouquinho sonham".

não tive uma boa resposta para ela, mas por algum motivo achei que fosse o caso de colocar aqui.

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Sábado, Dezembro 20, 2008

realidade

em uma resenha do Jetta, descrito como "so boring you want to die", Jeremy Clarkson conta a seguinte história:

Once, when I was working on a local newspaper, I came home at night and told my girlfriend that we’d had some new office furniture delivered to the office. Moments later, when I realised what I’d said, and how deeply uninteresting this was, I left her, the job and moved to London.

sentado aqui, com a Duda no colo, percebi que isso aconteceu comigo. quer dizer, a primeira parte; nesse exato momento eu acabo de perceber o que falei, e o quão profundamente desinteressante isso era. eu tenho consciência do que aconteceu, e já é um bom começo, mas agora falta tomar uma atitude, e eu vou tomá-la.

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Terça-feira, Dezembro 09, 2008

coisas que eu nunca te disse #38

I leave a message every night
but you don't call me
the only times we ever talk, you're in a hurry

(...)

I thought we were the same
but now you play this game
you're young, no fun
and you're making me crazy

well, are you afraid of me?


(Rooney, "Are you afraid?", 2007)

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Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

coisas que eu nunca te disse #37

(todo mundo batendo palmas e cantando junto)

one day we're gonna live in Paris
I promise
I'm on it
I'll find you that French boy,
you'll find me that French girl
I promise
I'm on it

(...)

And every night we'll watch the stars
They'll be out for us
And every night, the city lights
They'll be out for us


(Friendly Fires, "Paris", 2007. ou 2008, se quiser)

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Domingo, Novembro 23, 2008

C.

descobri mais um belo disco lançado esse ano, desses que provavelmente só eu vou acabar gostando. não importa: logo logo escreverei mais sobre ele.

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Quarta-feira, Novembro 19, 2008

rútilo

às vezes uma pequena mudança na rotina traz grandes efeitos. ontem precisei tomar um táxi para buscar meu carro na concessionária, onde ele estava para corrigir um pequeno problema, que eu mesmo causei. no caminho, o motorista falava do trânsito em Brasília, e quando contei o caminho que fazia para voltar da Telerj para casa, ele me deu uma sugestão: andar por baixo mais um par de quadras, antes de subir ao Parque da Cidade.

segui a sugestão dele. saindo da 304, passei pelo caminho indicado, e vi um monte de árvores floridas num canteiro central e, do lado direito, os alunos de uma escola saindo da aula. e me senti bem vendo aquela cena, por pior que o trânsito pudesse estar - estava um pouco mais lento que o normal. a paisagem daquele pequeno trecho entre a 304 e a 904 sul, que bem poderia estar em alguma cidade de médio porte dos EUA, me fez lembrar, mais uma vez, que eu amo essa cidade. na semana passada o Craudio disse, como se eu tivesse alguma dúvida, que Brasília é a cidade. e eu só concordei.

enquanto isso, no tocador de cds do meu carro rolava o primeiro do Interpol, uma pequena obra-prima. desde o final de semana passado estou com "Hands away" na cabeça, sem motivo aparente. gosto daquele clima de flutuação que fica durante toda a música, coisa das guitarras, aquela sensação de que a música te leva a flutuar, mas com uma sensação tensa, apesar do seu corpo relaxado. dizendo assim é estranho, mas não é porque sentimos algo que existem palavras para definir a sensação.

e de alguma forma, o disco, a paisagem, a direção do carro e a sensação causada por uma pequena mudança fizeram com que eu me sentisse feliz naquele momento e tivesse consciência disso.

*

pouco depois, decidi adiantar minha ida à academia. além de pegar menos gente lá dentro (academia boa é academia vazia, mind it), saí de lá bem na hora do poente. e foi gostoso voltar pra casa enquanto a luz natural se apagava, enquanto pensava que estou mais forte do que ontem. de qualquer forma. e essa mudança de horário, tão banal, também foi boa. se vou adotar o hábito é outra coisa, mas é bom saber que continuo me sentindo bem com essas coisinhas frívolas...

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Domingo, Novembro 09, 2008

tetrationato

em tempo: "Quantum of solace" me deixou com ainda mais vontade de ir pra academia ficar forte e resistente. essa semana os 14 minutos na esteira vão virar 20. e tenho dito.

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Segunda-feira, Novembro 03, 2008

coisas que eu nunca te disse #35

I left my job, my boss, my car and my home
I'm leaving for a destination I still don't know
somewhere nobody must have duties at home
and if you like this, you can follow me
so let's go

follow me
and let's go
to the place where we belong
and leave our troubles at home
come with me
we can go
to a paradise of love and joy
a destination unknown


(Alex Gaudino & Crystal Waters, "Destination Calabria", 2006. clipe bem aqui, cortesia do Lelo)

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Quinta-feira, Outubro 30, 2008

el viento

a seguir, neste blog:

- como voltar à cidade que você mais odeia e não tirar o sorriso do rosto
- como não usar terno e se sentir elegante
- tudo sobre autenticidade
- kebab: modo de usar
- virando a mesa

tudo isso, e quem sabe ainda mais, neste blog. mas a partir de amanhã, meu amor.

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Terça-feira, Outubro 21, 2008

catedral

imprimi um mapa do Império Austro-Húngaro, mostrando como era a divisão étnica deles em 1911, e coloquei para adornar a minha baia. eu não entendo como um Estado desses durou quase sessenta anos. é pura nitroglicerina você juntar tedescos, húngaros, romenos, servo-croatas, rutenianos, tchecos, eslovacos, poloneses, eslovenos e uns italianos debaixo de um único governo - e ainda esperar que ele funcione.

e essa é a principal razão pela qual eu imprimi o mapa e o deixei aqui bem à minha vista: ele me faz lembrar que não basta resolver tudo no trabalho, tenho outras coisas na vida. e que, por mais que a vida não seja conciliar uma dezena de etnias debaixo de uma única nação, ela é tão desafiadora quanto isso, e pode ser mais bonita e duradoura do que foi esse império.

para quem quiser, o mapa está aqui.

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Domingo, Outubro 19, 2008

reage, Rio

primeira coisa a se constatar: este blógue não anda muito interessante. aliás, não anda nada interessante. então vamos tentar entender o que está acontecendo...

no trabalho, alguma movimentação. vocês devem ter lido no final desta semana coisas sobre a Telerj no noticiário, provavelmente coisas ruins. recomendo o editorial de ontem da "Folha de São Paulo", tão pesado quanto verdadeiro.

mas aí, não sei se pela forma como me envolvi nessas movimentações do trabalho ou pelo quê, mas ando me sentindo vazio fora dele. sem assunto para conversar com ela e com os amigos, sem me entusiasmar em sair de casa - até porque nem programas legais andam aparecendo. conversei sobre isso com a Lisa e falei de ontem, quando assisti o "Closer" na tevê: estava ali vendo o filme e constatei que a vida deles era bem movimentada. de repente, pensei "ah, mas são o Jude Law e a Natalie Portman, tá explicado". e não pensei mais no assunto.

conversando com a Camila eu lembrei do meu pai, que tem uma rotina para o final de semana que beira o absurdo, de tão metódica, de tão irremediavelmente previsível. com todo o respeito a ele, eu não quero isso pra minha vida. e nem esse marasmo em que ela agora está.

mas ufa, sorte que amanhã é segunda.

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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Portugal Telecom

sentado no sofá, assistindo meu computador recarregando baterias depois de passar horas num deserto de tomadas no Congresso. morando sozinho, descobrimos que a comida não cresce na geladeira e que de vez em quando precisamos levar o carro para beber gasolina. com o 307 abastecido e mafuzado até o sexto, agora estou pensando na lista de coisas a se comprar... palha de aço, água sanitária, detergente, desinfetante, desodorante, recheios para sanduíche, tahime, açaí, o que mais?

vou ver se dá tempo de descer no mercadinho com coisinhas diferentes, pra sair um pouco da rotina. quem sabe ache alguma coisa que faça o deslocamento valer a pena. eu não gosto de fazer supermercado, mas confesso que hoje a idéia cai bem. talvez porque, shame on me, faltarei à academia. saí tarde do trabalho, amanhã será um dia muito longo por conta de um evento na Telerj, vou ter de dar uma mão a uma galera de outras áreas. deseje-me sorte, deseje-me que eu saia vivo de quinta-feira. e quando eu dormir, não me deixe sentir frio. na sexta-feira eu volto a cuidar de você e te levo pra almoçar.

*

saindo do Congresso agora à noite, encontrei uma moça que trabalhou na Telerj por uns tempos - antes de eu entrar para lá, inclusive. ela me pergunta da próxima seleção, passo algumas informações e contemporizo. ela realmente quer entrar lá, eu digo que entendo. então ela me pergunta se eu gosto, digo que sim, mas que é temporário e que a médio prazo estarei longe dali.

então ela me disse algo que me fez perceber o quão longe já andei, e que às vezes não tenho consciência. fico um pouco sem graça, mas isso não dura dois minutos: eu amo a minha vida, mas sei que ela pode - e vai - melhorar muito. se eu acreditasse em destino, diria que certas coisas que sinto nessas horas são obra dele. como não são, there is only myself to blame.

o que não é necessariamente algo ruim, nesse caso.

*

mais um dia de disjuntor na bolsa. pena que não estive acompanhando mais de perto, já que fiquei o dia todo mergulhado em alguns assuntos. mas amanhã vai ser um dia especial - igual hoje, embora nem sempre percebamos. pieguice? um pouco. mas me desculpe, é a vontade de fazer com que cada dia seja assim.

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Terça-feira, Outubro 07, 2008

nectarina

com a minha cabeça ainda fora do lugar, não deu para falar ontem do final de semana. como todos aqui devem saber, tenho uma certa preguiça espiritual de voltar a Deprelândia e visitar meus pais. porque, apesar de serem meus pais, estar ali não é uma sensação muito agradável. mas tive um ótimo motivo para ir ao estado de São Paulo e, por tabela, ir até lá – mas, primeiro, até a capital.

tem certas companhias que são tudo de bom. que conseguem transformar uma cidade cinzenta e claustrofóbica em uma experiência deliciosa, uma viagem cansativa em puro descanso para a alma, um beijo em algo inesquecível. ela é assim, e quando a vi chegando, todo o meu desconforto de estar na maior cidade do país saiu do meu rosto e virou um sorriso que preencheu aquelas horas, junto com um frio na barriga que, na verdade, é questão de referencial: o coração é que estava aquecido.

bom demais sentir isso, não?

*

no dia seguinte, de volta à penitenciária a céu aberto onde cumpri vinte e três anos de detenção. voltei lá sem avisar ninguém, como sempre: não gosto que meus pais, minhas irmãs e meus amigos criem expectativas a meu respeito, não gosto mesmo. um calor infernal se abatia sobre a cidade, em véspera de eleição (meu título de eleitor foi transferido para Brasília), mas é bom deixar alguém feliz porque se está ali. o resto é aquilo que se espera: bucolismo, suco de morango com água tônica, algumas (poucas) novidades e, principalmente, a vontade de ver todo mundo em 24 horas.

24 horas? é, fiquei de um dia para outro. parece ser o tempo máximo que agüento na cidade, antes de derreter. Deprelândia é um lugar que realmente me deixa mal, mesmo que sem motivo. tirando por algumas pessoas e pela possibilidade de colocar a leitura em dia, já que não se há o que fazer, aquilo é realmente deprimente. tem alguém, acho que o Diogo Mainardi, que fala que mais importante que sair do Brasil é fazer com que o Brasil saia de você. e eu consegui fazer isso com Deprelândia: não me entusiasmo com o progresso a conta-gotas de lá, com a vida dali, não levo o lugar a sério, tampouco sinto saudades e, mais do que isso, não espero nada da cidade e da região. tipo um alheamento, sabe? o incômodo é apenas pelo tédio, não pela mediocridade em si. e assim vou lá apenas para cumprir o protocolo e para lembrar que, apesar de ainda não ter conseguido nem dez por cento do que quero, já consegui muita coisa e tenho muita sorte.

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

purê de batatas

o melhor de quinta-feira à noite é quando você pensa na sexta-feira e lembra que à noite vai ter açúcar e carinho, nessa ordem cronológica. e sorri, contando as horas para estar nas nuvens com isso, só voltando quando acordar um dia.

mas fazendo de tudo para que o sonho dure pra sempre.

*

ontem entrei no novo Fiat Linea (versão básica, apenas com câmbio Dualogic) e constatei umas coisas. é um carro bem estreito, de modo que andar com três pessoas no banco de trás é uma missão impossível, pelo parco espaço para os ombros. o descansa-braço, então, é risível. mas é um carro bem acabado, com plásticos bons, a excelente idéia de ter duas cores pro revestimento, motores bem desenvolvidos e, importante ressaltar, airbags laterais e de cortina como opção. se a Ford incluísse as opções de cores e de airbags no novo Focus, por exemplo, seria um carro perfeito. como não o fez, é apenas mais um que vou preterir em 2010. e no Linea eu nem penso.

*

você já teve a sensação de trabalhar em uma coisa e estar preso a outra que escolheu deixar, mas não sabe se fez bom negócio? ando me sentindo assim por esses dias. mas provavelmente é circunstancial (respiro fundo). tem que ser.

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Sexta-feira, Setembro 19, 2008

incandescente

umas duas semanas atrás eu entrei na página de uma faculdade que tem um curso de pós-graduação muito interessante, mas que eu não iria fazer porque a partir deste ano ele passou a ser pela internet - sou das antigas e não troco a sala de aula por nada. ele continua nesse esquema, então decidi procurar outro, e achei um na Universidade de Brasília. como é bem a cara do que eu quero e a instituição é ainda melhor, pensei "nossa, deve ser concorridíssimo", já preparando o espírito para a próxima seleção, que deve ocorrer dentro de alguns meses.

aí soube que esse ano não houve curso por conta da baixa demanda. ano que vem farei a minha parte para que isso não se repita.

*

tem uma grua aqui à minha esquerda, na janela do décimo sétimo andar: ela constrói um prédio a trezentos metros daqui, vigorosamente. a obra tem causado um transtorno no Setor Comercial Sul, que já é engarrafado pela idéia djenial de enfiarem um tribunal ali no meio. são dois prédios lado a lado, ambos ainda em sua estrutura.

eu adoro esqueletos de prédio, adoro esse visual de obra em andamento, as telas alaranjadas, as vigas... toda essa paisagem "industrial". quando ia de ônibus a São Paulo, não deixava de sentir um certo carinho por aqueles prédios na região de Guarulhos, mesmo sabendo que odiaria trabalhar num lugar assim, ou mesmo morar perto daquilo. mas eles dão belas fotos e suscitam aquela velha dúvida sobre o que é/será/foi feito ali, e isso já é suficiente.

*

segunda-feira meu recorde de 4 minutos de corrida ininterrupta na esteira virou 10. e ontem virou 11 (com direito a "ieeeiiii"). se no final do ano eu conseguir correr 20 minutos sem parar é porque tem algo de errado.

mas algo de errado não é necessariamente ruim, é?

*

fiz a minha primeira compra na Estante Virtual: um exemplar do "Abaixo de zero", do Bret Easton Ellis, há alguns anos fora de catálogo no país. paguei uma ninharia, e espero que chegue logo. sabe o que é gostar da história de um livro, do título de um livro, sem tê-lo lido? é essa expectativa.

e por falar em história de livro, a do novo do Will Self parece algo do tipo Seinfeld meets Kafka. senão, vejamos:

"The Butt" begins with Tom Brodzinski—who sounds an awful lot like the author—carelessly flicking his final cigarette over a balcony. Unfortunately, for him, he hits a tourist. As a result, he's charged with assault with a deadly weapon, and is forced to stand trial.

*

alívio no mundo: ao contrário do que eu pensava, a Rolex ainda faz o Explorer I. tirar de circulação algo tão eterno quanto um relógio com esse desenho seria covardia.

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Quinta-feira, Setembro 11, 2008

dilaudid II

essa semana eu quase pensei em desistir de metade das minhas coisas. uma metade em que eu venho apostando e brigando para que dê certo, que venho perseguindo e dedicando tempo, esforços, potássio, tudo que posso. e sempre mais, sempre mais. mas quando estava saindo de casa, hoje cedo, fui procurar um disco pra ouvir e achei o "Dog man star"... e é incrível ver como ouvir "The power", "New generation" e "Black or blue", nessa seqüência, me anima. se o Suede ali era uma banda à beira do colapso e produziu um disco perfeito, eu, que não estou à beira de um colapso, também posso fazer coisas legais. nem que para isso eu precise dobrar a aposta.

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Quarta-feira, Setembro 03, 2008

bachianas

Se todo mundo acha que há trabalhos manuais inumanos, por que ninguém acha que há trabalhos intelectuais inumanos? Algum dia robôs liberarão a mente humana da necessidade de tomar conhecimento de qualquer artigo ou inciso da CF/88? Qual a diferença em termos de felicidade humana entre ler qualquer artigo ou inciso da CF/88 e trabalhar numa mina de enxofre? Onde está o Sebastião Salgado para tirar fotos cheias de pathos e luz e sombra de advogados frequentando varas cíveis, comendo pastel de palmito etc?

Alexandre Soares Silva, dizendo melhor aquilo que eu gostaria demais de ter dito.

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Segunda-feira, Agosto 25, 2008

matéria

um final de semana daqueles lindos. caramba, foi bom demais. no sábado, apesar de ter sido acordado por brasileiros comemorando a medalha de ouro no vôlei feminino, o passeio pela exposição de carros antigos, no Pontão, foi bom demais. um monte de carros legais à beira do lago - que continua sendo meu cartão-postal preferido de Brasília - umas meninas com roupas de época fazendo figuração, um picolé de goiaba e um dia bonito: não precisava de mais nada. mas ainda tinham dois rabos-de-peixe vindos de cinco décadas atrás: um Cadillac De Ville e um Ford Thunderbird. uou.

à noite, uma festa no Lago Norte, na casa do Davi Barranco. a festa em si tava muito ruim (não deixem a Clarissa dar som, por favor. gosto muito dela, mas como DJ não dá. e nem deixem o Cochlar também), não tinha nem uma Coca-Cola pra beber. mas a companhia dos amigos era boa... e o desfecho da noite foi ainda melhor, nota dez mesmo. chegando em casa, constatei que o Brasil era prata no vôlei e fui dormir. eram quatro da manhã e fui acordar... às quatro da tarde.

com o domingo todo perdido na cama, fui assistir "O procurado" e gostei do filme e de tudo o que rolou em volta. como tinha comido bem pouco durante o dia, dei-me ao luxo de provar esse China Burger do McDonald's: é bom, mas o gosto chinês do sanduíche era apenas um gergelim pouco pronunciado no molho. tá bom, McDonald's é como o acústico do Capital Inicial, feito pra não ofender ninguém... mas esperava um pouco mais. só que foi pouco pra macular o final de semana. e você, como foi de sábado e domingo? conta aí nos comentários.

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Sábado, Agosto 23, 2008

geito

(é, com "g" mesmo)

o Brasil acabou de ser campeão olímpico de vôlei feminino. ótimo, parabéns, eu só torço contra no futebol. mas aí o repórter da Globo, querendo falar com as campeãs, diz ao narrador "vamos falar com elas, mesmo que seja proibido". o narrador responde: "se cassarem sua credencial não tem problema, porque amanhã você já não tem mais que trabalhar". depois, vendo a algazarra das moças - dentro dos limites impostos pela organização, diga-se - o narrador, que é esse mesmo que você está pensando, manda um "é bom quando o Brasil ganha porque quebra o protocolo".

do orgulho à vergonha (por causa desse maldito jeitinho brasileiro) em dois minutos. é um novo recorde olímpico.

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Domingo, Agosto 17, 2008

lenta

a coisa mais engraçada do dia - que ainda está no começo - está bem aqui.

(dica do Luciano)

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

sobrenatural

there's a ghost in me
who wants to say "I'm sorry"
doesn't mean I'm sorry


eu entendo perfeitamente a Helen Marnie cantando isso em "Ghosts", uma das músicas do novo disco do Ladytron - a melhor coisa que foi lançada em 2008.

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