Terça-feira, Junho 30, 2009

poliestireno

meu disco preferido do Radiohead, de uns três anos para cá, é o "Pablo honey", como já deixei claro algumas vezes. mas dia desses eu saí para passear ouvindo o "The bends" e me encantei por algumas músicas dele. de "Bulletproof... I wish I was" eu já tratei aqui, mas acabou que voltei a amar "Fake plastic trees".

sempre gostei dessa música, em especial do verso "but I can't help the feeling, I could blow through the ceiling". além da sonoridade das palavras (note como você solta a primeira frase de forma bem esparrada e depois enche a boca para soltar a segunda), tem essa coisa da letra: "explodir pelo telhado". é uma imagem forte, mas ao mesmo tempo um pouco artística, se você não pensar em pedreiros, lajes e coisas de construção civil em geral. quando eles tocaram em São Paulo, três meses atrás, morri de vontade de cantar esse verso como se fosse o último dia da minha vida, mas tive vergonha e abri a boca para cantá-lo apenas moderadamente. uma pena.

mas a coisa com "Fake plastic trees" não acaba por aí: logo depois o Thom Yorke canta "if I just turn and run it wears me out", com uma pausa no meio do período. imagino que sejam takes diferentes de voz, mas o fato é que ele canta a segunda parte de forma diametralmente oposta à explosão de emoções dos versos anteriores: ele é frio, comedido, como se soubesse que de nada adianta gritar. e a forma como começa a dizer "it wears me out" diz que, além de saber de tudo isso, e que esse comportamento o cansaria e o desgastaria, ele já se adaptou à situação, num ritmo quase que bipolar.

e por fim tem outra frase que me martela a cabeça de vez em quando: "if I could be who you wanted, if I could be who you wanted all the time". esse "o tempo todo" muda o sentido dela por completo e dá mais uma beleza à canção, mas nesse caso o fato é que as duas frases andam presentes na minha vida. eu não posso ser quem você queria, eu não posso ser quem você queria o tempo todo. e também não dá para falar mais do que isso.

(atualização em 2 de julho: Tomás escreve para dizer que o vocal é obra de um take só, o que torna a elasticidade do sr. Yorke uma coisa assustadora. e linda)

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Quarta-feira, Junho 24, 2009

azeite

um dia, ou melhor, uma tarde de muitas surpresas: três, todas com desdobramentos futuros. ainda não posso falar, mas a que mais importa é a segunda, porque pode ser uma mudança de rumos histórica no trabalho. a primeira é uma frivolidade, enquanto a terceira, pelo menos por enquanto, não é nada.

uma quarta surpresa: chego em casa e descubro que meu chá branco com lichia congelou. agora ele está lá no mármore da cozinha, suando para descongelar. parece que se eu colocar qualquer vasilhame com líquidos na primeira prateleira abaixo da gaveta de congelamento rápido, o líquido congela. só sei que não gostei de ver o iceberg dentro do Tetra Pak, e que agora tenho que reverter esta joça.

*

noite passada eu acordei às quinze para as seis, sem sono. tinha dormido à meia-noite, e quando durmo tão pouco é óbvio que o dia não rende. tem coisa de um ano que não tomo um remédio pra dormir sequer, mas hoje não tem jeito, e acabei de tomar: escrevo essas linhas em meio a mil bocejos, e espero dar um duplo twist carpado na cama dentro de alguns minutos. eu preciso dormir, eu preciso dormir. posso?

*

hoje a Volvo anunciou oficialmente o que você, que lê este blógue, sabe já há vinte dias: o C30 na versão 2 litros tem agora câmbio automático de seis marchas como opcional. a única coisa que o comunicado oficial adiciona é que a transmissão é a fabulosa Ford Powershift, de duas embreagens, que funciona assim: você está em primeira marcha, o câmbio já pré-engata a segunda. quando você passa a segunda, ele já pré-engata a terceira, e o resultado é que não existem trancos na mudança de marchas. e você só não soube desse fato antes porque perguntei para o vendedor da Calmac Brasília e ele disse que não era um câmbio de dupla embreagem, o que me levou a crer que a Volvo acoplara ao carro a Ford Durashift, uma transmissão mais das antigas.

mas o que você precisa saber de tudo isso é: eu quero um C30. boa noite, vou lá sonhar com um.

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Segunda-feira, Junho 15, 2009

xadrez

uma briga grande é difícil de administrar, mas temos dado conta. duas, e com a segunda tendo efeitos imediatos de magnitude ainda maior, é uma missão impossível. mas também acreditávamos que a primeira era uma dessas, e olha só nossas pequenas vitórias que levarão a algo ainda maior no final.

não pedimos para a coisa ficar desse tamanho e com essas ideias ridículas, mas ela ficou. só nos resta destruir tudo isso e continuar respirando.

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Domingo, Junho 07, 2009

autolimpante

tá no MSN do Victor: "que fase...", seguido de um emoticon triste. eu vinha voltando pra casa hoje, à pé, às quatro da manhã, pensando a mesma coisa, quando tive uma epifania: a última vez em que me senti assim era junho de 2007. aquele foi um mês difícil, e terminou com uma tragédia que me fez repensar a vida. foi uma das poucas vezes em que acreditei estar diante de um sinal divino, mas pode ser que eu tenha dado importância demais à coisa.

em todo caso, como não quero passar por aquilo de novo, já entendi o recado e agora começo a colocá-lo em prática. vou botar a cabeça no lugar e não me preocupar demais com o maior dos problemas, vou segurar a língua, não vou deixar as coisas se partirem. não é tão fácil como parece, mas uma hora consigo.

*

o dia foi de pausas, silêncios e alguns sentimentos esparramados. depois de um silêncio causado por uma corrida anódina na Fórmula 1, assisti ao Roger Federer ganhando Roland Garros, aquele que lhe faltava. catorze títulos de Grand Slam, gente. e no final ele chorando, extasiado, explodindo. foi legal demais. aí fui pro Wal-Mart comprar risoto e chocolate, e fiquei em silêncio até umas quatro da tarde, quando me ligaram para fazer alguma coisa. e depois de novo às sete.

ufa, se não fossem meus amigos eu teria passado o dia todo calado, e não seria nada legal.

*

na volta para casa, agora há pouco, uma ideia fixa na cabeça: comportamentos reais para sentimentos imaginários. eu não sei se tenho motivo real para dirigir como um louco, o que tenho feito bastante por esses dias, mas eu faço a coisa mesmo assim, como se um sentimento imaginário me compelisse. e ao mesmo tempo tenho aquela saudade portuguesa do que não conheço, do que não conheci, do que viria pela frente mas que por algum motivo já ficou para trás.

não que buscar explicação para essas coisas seja necessário, tampouco que seja bom. mas ando com vontade de escrever sobre isso... e não sei como fazer.

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Sábado, Junho 06, 2009

instrumento

cinco coisas legais de se ter no café da manhã:

- suco de laranja
- pão integral
- queijo
- açaí com granola
- pain au chocolat avec amandes da Boulangerie (106 sul). só provei hoje, e é a melhor coisa de lá. nota 11.

*

comecei a ler a biografia do Chet Baker, avançando cinquenta e seis páginas; um número pequeno, não chega a 15% do total. mas terminá-lo em dois ou três finais de semana não será nenhum demérito, certamente, e o livro é muito gostoso de se ler. lembro que li o primeiro capítulo no apê do Alexandre, em São Paulo, seis anos atrás, e desde então fiquei com vontade de ler tudo - o que finalmente farei agora. e que coisa, o jovem Chet também era um petrolhead.

*

assistir ao resgate do espólio do voo 447 da Air France é algo bastante triste. mas não é por isso que vamos parar de voar, certo? hoje tem um debate na "Folha de São Paulo", com o Nelson Ascher dizendo que tem medo de avião, enquanto o Ronnie Von (que é piloto), diz não ter. obviamente a discussão não fica no plano racional, afinal de contas é o medo. mas há bons argumentos dos dois lados e, de qualquer forma, eu continuo me sinto mais seguro no ar do que em terra.

*

depois daquela vitória conquistada no trabalho, na quarta-feira, uma surpresa: tudo foi colocado a perigo por gente que não deveria agir desta maneira. não deveria, mas a índole das pessoas é capaz de tudo. até de má índole, como é o caso. e antes que me acusem de não tolerar opiniões contrárias ou algo assim, esclareço: eu espero certas coisas sim, mas não de certas pessoas que, até pela posição que ocupam, têm o dever de se posicionar do nosso lado.

ontem a chefe me atualizou sobre essa lamentável manobra e, ao final do relato, disse que vencer essa queda-de-braço havia virado questão de honra para ela. já tinha virado para mim, meses atrás, mas não me surpreendi com a fala dela ontem. esse tipo de postura não costuma fazer bem à saúde, mas se bem a conheço, vai nos ajudar de alguma forma com a questão, que pode ter mais um lance importante até a próxima quarta-feira. novamente, cruzem os dedos e torçam pela gente.

*

minha mãe andou me dizendo para não estabelecer metas rígidas para a minha vida. bem que eu gostaria de ouvir, e até não as faço para certas coisas que não dependem só de mim, mas é bom ter um certo planejamento ou, no mínimo, um "onde quero estar". mas é bom lembrar que nunca é tarde para certas coisas. Leonard Cohen lançou o primeiro disco aos 34, o Tasso Jereissati entrou para a política aos 36, um chefe meu só foi dar o grande salto (para cima) no padrão de vida aos 47. como dizia Renato Russo, que não faz parte dessa galera porque alcançou o estrelato aos 26, "somos tão jovens"...

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Quarta-feira, Junho 03, 2009

Barnaul

lembra que eu disse aqui, semana passada, que quarta-feira seria um dia crucial no trabalho? pois então: descobri, minutos atrás, que aconteceu o que queríamos. quatro meses de murros em ponta de faca, discussões acaloradas, reuniões para medir quem tem o pau maior conversar de forma civilizada, dúvidas sobre a vida sexual competência dos envolvidos no processo, coisas feitas na surdina, mais murros em ponta de faca, atropelos, fogo amigo, promessas desfeitas, ódio gratuito e pago... mas a coisa agora começa a dar certo. e é uma delícia ler o resultado de algo grande e saber que aquilo começou porque a sua área, num cantinho qualquer da Asa Sul, viu a bomba ser armada e não a deixou detonar.

escrevo este vigésimo e último post do dia ao lado de um copo de Smirnoff Twist sabor maracujá. feliz, com vontade de chorar mas, ao contrário das últimas vezes em que senti isso, agora é de alegria.

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ciência

hmmmm, isso explica uma série de coisas que andei sentindo.

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Sexta-feira, Maio 22, 2009

inexplicável

ainda não engoli essa história da Lucy Gordon, de verdade. e por mais banal que possa parecer agora que o tempo vai passando, é a coisa mais triste do mundo.

*

mas nem todas as inexplicações da vida são ruins: hoje, na hora do almoço, aconteceu algo que não pode ser descrito aqui, e que provavelmente não há de ser nada. mas duas horas depois vieram me contar uma outra versão, inexplicável, para o ocorrido, e eu me senti bem. ainda que no final das contas não seja nada.

*

descobri um jeito mais fácil de sair do trabalho em dias de maior trânsito: fugir pela L2, se o balão que dá acesso ao Eixinho estiver congestionado. saio por lá, ganho velocidade a partir da 403 e vou mais rápido por mais quatro ou cinco quadras. é uma volta maior, mas a sensação cinética compensa plenamente. e nesses dias de temperatura mais baixa, ouvindo música calma e dirigindo como se o mundo estivesse acabando a cinco metros atrás do meu carro, tem sido delicioso.

*

esse é o post mais polêmico do ano. e não é qualquer polêmica besta não: quem assina é o Bob Sharp, o único jornalista automotivo que admiro além do Jeremy Clarkson. e ele está coberto de razão em apontar essa história da película escura no acidente. coberto de razão.

*

alguém me belisca, por favor?

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Quinta-feira, Maio 21, 2009

eletrochoque

tô chocado: acabei de ver que a Lucy Gordon morreu. ou melhor dizendo, se matou. ela fez o "Bonecas russas", um dos filmes com que mais me identifico, quatro anos atrás; nele, a moça coloca um enorme ponto de interrogação na cabeça do protagonista, em uma das cenas mais bonitas que já vi - e não só pelo visual da garota, que era linda.

eu tinha prometido pra mim mesmo nunca escrever nada sobre esse filme, mas diante de uma notícia dessas, não teve jeito. é sempre assustador quando alguém da sua idade morre (a menos que você tenha mais de setenta anos), e ainda mais quando essa pessoa era linda mesmo e, assim como fez com o protagonista, também te deixou com um ponto de interrogação na cabeça.

e agora, lendo as notícias que vão aparecendo sobre o fim de Lucy Gordon, eu fico me perguntando "por quê?", mas sei que não tem resposta.

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Terça-feira, Maio 19, 2009

colágeno

uma semana sem grandes movimentações vai se desenhando aqui no trabalho. e se não há muito para se preocupar com isso, vou aproveitar e mudar um plano feito para a maior prioridade do ano e investigar mais a fundo aquela ideia sensacional que me ocupou a cabeça na semana passada. a primeira é uma preocupação de curto prazo e as chances de me dar bem são muito boas; a segunda é uma incógnita.

mas é aí que mora a grande diversão da coisa.

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Terça-feira, Maio 12, 2009

Lagavulin

uma ideia perigosa me rondou a cabeça agora no final desta tarde. calma, não vou matar ninguém - afinal de contas, ainda não é preciso.

*

em sua lista de 10 coisas essenciais, publicada um dia desses ontem, o Mark Ronson falou maravilhas desse uísque aqui, sobre o qual já tinha lido esse texto do Bruno Garschagen a respeito. uma rápida busca no Google e descobri que, para variar, não é vendido cá no país da mandioca, o que o torna mais uma coisinha na minha mala ibérica.

caramba, ela vai ficar pesadona.

*

por falar em coisas que não são vendidas no Brasil, tenho que trazer um par de Reebok Classics pro Ivens, já que muito em breve ele vai realizar seu sonho de ter um Subaru Impreza. não entendeu? seguinte: na Inglaterra, só dois tipos de pessoas compram Subarus: os fazendeiros, que calçam galochas verdes e compram os intrépidos japas para conseguirem chegar em qualquer lugar, e a turma de engenheiros do pé pesado, que calça Reebok Classics e compra Subaru pelo refinamento técnico da coisa. aqui no Brasil é diferente, mas eu acho que é mais fácil que o herdeiro do Gattonero faça parte do segundo grupo, sem contar que tem uns Reebok Classic estilosos, tipo esse e esse, que vou tentar achar pra mim e, portanto, serão três pares de Reebok Classics para acrescer à mala ibérica.

caramba, ela vai ficar muito pesadona.

*

um colega de Telerj deixou comigo a primeira temporada do "Prison Break", mas eu não sei se vale a pena assistir. tem alguém aqui que gosta? alguém que me dê uma referência, pelo menos?

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Segunda-feira, Maio 04, 2009

gongo

eu ia escrever aqui sobre uma conversa imaginária com o meu pai. imaginária, porque ele não é muito de conversar comigo, embora goste de mim, eu saiba disso e a recíproca seja verdadeira. mas ele não se sente à vontade para conversar com os filhos, então paciência. mas o post foi perdendo o prumo e achei melhor esquecer a ideia, até mesmo porque não saberia como terminá-la.

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Sexta-feira, Abril 17, 2009

topônimo

depois que o Guilherme me sugeriu fazer um Twitter, graças ao tamanho diminuto dos últimos posts, eu prometo: vou aumentar o tamanho deles... ou pelo menos vou morrer tentando!

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Terça-feira, Abril 14, 2009

disco dancing

oi, tudo bem? caí da cama e cheguei mais cedo hoje na Telerj, preparando meu espírito para o que vem pela frente daqui a algumas horas. hoje tem coisas mais midiáticas para resolver, então parece que vamos ter algum auxílio aqui dentro. ao mesmo tempo, a missão é bem mais espinhosa... é aquela na qual estamos reunindo algumas pequenas vitórias desde fevereiro, sempre andando um passo ou meio rumo ao que queremos. hoje a briga será mais importante, mas ainda será outro passo pequeno, quem sabe um passo e meio.

infelizmente, tem seus problemas: além da exposição midiática, espera-se que o tom de voz entre os participantes da porrada se eleve, e em mais gravidade que a importância da discussão de hoje. como qualquer vitória continua sendo uma vitória, é de se esperar que não fujamos do bate-boca, embora nosso escaldado comandante tenha percebido a armadilha em que tentarão colocá-lo e, mais do que isso, tenha o wit para contorná-lo sem deixar que o chá transborde da chávena.

pelo outro lado, vários apoios externos foram angariados nos dois últimos meses, inclusive na organização da briga, e como os debates se darão entre sete pessoas e não apenas duas, há boas possibilidades de se haver uma coalizão - ao que pudemos apurar, serão cinco do nosso lado contra dois do lado de lá. eles são mais fortes, mas nós não estamos mortos e não vamos desistir - como dizem no Bope, "sou o temido cão de guerra, sou treinado pra matar", então hoje vai ter briga boa :)

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Quarta-feira, Abril 08, 2009

troca

minha música preferida do Everything but the Girl, "Wrong", fala logo antes do refrão: there's a little give and take. regra básica da vida, né? negociações, cessões, obtenção de coisas em troca. e nas mil maravilhas a 180 quilômetros por hora que se tornou o trabalho, por que não seria assim também?

hoje descobrimos que teremos de abrir mão de uma parte muito importante dele. algo que, em última instância, pode piorar a dinâmica das coisas, mas não é hora de ser pessimista. o que me consola é que, ao abrir mão disso, automaticamente uma outra parte do trabalho na Telerj, bem maior, vai melhorar imediatamente, como se fosse o caso de abrir mão de uma parte para salvar o corpo todo.

mas essa parte, a nossa, pode se regenerar. e pode ser que, no final das contas, esse toma lá, dá cá termine apenas como uma pequena cicatriz, enquanto todo o resto flui. agora é esperar.

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Terça-feira, Abril 07, 2009

vegetal

preciso dizer uma coisa: nunca torci tanto para um dia acabar. e não havia nenhuma missão impossível, nenhum desconforto pré-agendado, tampouco eu teria que interagir com gente que não gosto, dentre outras coisas ruins.

mas aconteceu que acordei me sentindo frágil e cansado, às quatro da manhã. perdi o sono por algum motivo que ignoro, e devo ter demorado uma hora, uma hora e meia até voltar a dormir. meu corpo estava bem cansado, e não conseguir descansar nessas horas é de enlouquecer o cidadão. quando o despertador tocou, era óbvio que não estava totalmente recuperado, mas fui logo me arrumar tentando ignorar.

quando cheguei no trabalho, vi que a Solange estava com uma cara de sono mais forte que a minha. perguntei se ela também estava insone e ela disse que não, estava se recuperando da viagem que fez. e me falou que se eu havia perdido o sono era porque havia alguma coisa me preocupando. respondi que não, que estava tudo bem, que minha vida estava ótima (e está), não havia nada capaz de me deixar assim. com o meu corpo reclamando da falta de sono e com dores na coluna e na perna, fui fazer a primeira parte do Geólogo, fiz dois relatórios estratégicos para a Telerj e ainda apurei os votos da enquete da Popload - na parte que me coube, o show do Radiohead teve o quádruplo dos votos do segundo colocado, vamos ver como fica no cômputo final.

enquanto isso Brasília, essa cidade deslumbrada, ia imitando Londres no clima e a chuva ia caindo e parando, caindo e parando. sem vontade de tomar caldinho ao sair para comer, encomendei comida. enquanto esperava, lembrei do dedinho dela, que agora era ameaçado por uma das classes de pessoas que eu gostaria que fossem extintas da face da Terra, e senti vontade de quebrar a cara de quem ameaçasse perturbá-la no trabalho. descobri que a Publisher agora aceita assinaturas da GQ Portugal no Brasil (com aquele atraso de quatro meses que já mencionei) e fiz a minha. à tarde, em compasso de espera de uma reunião que aconteceria sem mim, terminei de atualizar o Geólogo, visitei aquele monte de páginas de moda e carros e fiquei pensando em umas estratégias para aquela missão impossível que nos deu um descanso nas duas últimas semanas mas que, soube disso hoje, volta com força dobrada na semana que vem.

ao chegar em casa, a vontade de ir à fisioterapia era zero, mas não tinha jeito: todo dolorido e sem querer desmarcar em cima da hora, me arrastei até lá, debaixo de chuva e ouvindo o disco da Charlotte Gainsbourg, que é um daqueles que, independente do que dizem as letras, me falam que tudo vai dar certo, que tudo acabará bem. na saída, um pouco menos frágil do que quando cheguei, ainda tive coragem de ouvir um Radiohead e voltar devagarinho pra casa, por um caminho mais longo (eixinho W desde a 16), louco por três coisas: para que o dia acabasse, por uma dose de Bailey's (que era exatamente a quantidade que tinha na garrafa) e por um abraço, que fica para outro dia.

mas agora tudo está bem, foi só o cansaço mesmo. minha vida continua legal, e tem uma história que mostra bem o que quero dizer: dois meses atrás eu percebi minhas primeiras rugas embaixo dos olhos e, para além de passar um hidratante ali de vez em quando, não fiz disso um grande problema, não fiquei inconformado, nada do tipo. claro que quero não ter esse tipo de coisa, mas tem tanta tragédia de verdade por aí, como esse terremoto na Itália, não? sobre o dia de hoje, que não foi ruim, apenas frágil, já está tudo resolvido: em menos de três horas ele vai embora. um abraço, 7 de abril: você já vai tarde.

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Quinta-feira, Março 19, 2009

ampoule

as coisas continuam legais no trabalho.

hoje, em um terreno extra-oficial, conseguimos a terceira vitória da guerra em que nos metemos. maior que as duas primeiras, aliás bem maior - mas ainda muito pequena face ao desafio que temos. um dia ainda gostaria de falar sobre isso aqui, ou quem sabe em um livro que, claro, contará com um final feliz.

assim acaba a terceira semana consecutiva em que trabalho em sexta marcha. sei que tem gente que trabalha a vida toda em quinta, e que tem casos em que a sexta dura um bom tempo. se eu não gostasse tanto desse trabalho, provavelmente já teria caído da cama. mas que nada, a cada dia volto para minha mesa, meus corredores, meus textos, com vontade de fazer mais coisas, de fazê-las ainda melhor.

e quando essa pequena grande vitória foi anunciada pela minha chefe, depois de uma reunião no fim do dia, a minha esperança de ver a coisa resolvida para o nosso lado me deixou feliz. e olha que hoje ainda não é amanhã...

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Domingo, Março 08, 2009

mudança 2

tenho observado que meus posts estão cada vez mais concretos, com muito pouco espaço para abstrações, devaneios e coisas do tipo. mas eu não parei de sonhar, apenas guardo esse tipo de coisa para dividir com ela. e um dia, quem sabe, volto a escrever sobre isso por aqui.

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Terça-feira, Março 03, 2009

coisas que eu nunca te disse #45

you're so young, so sweet, so surprised
you look so young
like a daisy in my lazy eyes


(Interpol, "My chemistry", 2007)

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Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

numa só

hoje o dia foi simples, as coisas eram todas simples. tanto eram que acabei de pensar se não tive um momento Alberto Caeiro. li cem páginas do "31 canções" e só parei porque dormi, naturalmente. amanhã cedo dou conta das outras 50. quando acordei, nunca tive tanta certeza do que fazer: buscar um milk-shake de Ovomaltine, certeiro.

todos os problemas - as dores físicas, as contas por vencer, a falta de coisas legais para assistir etc - eram tão pequenos, tão ínfimos. senti até que, se quisesse dominar o mundo, bastaria eu estender a mão e, hélas, eu conseguiria. mas tudo que eu quero hoje é um beijo seu, e ouvir uma boa notícia qualquer, por menor que seja. é que hoje as coisas foram todas simples, então quero manter tudo assim.

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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

pai, mãe, quero ser popstar

tenho a impressão de que o painkiller que estou tomando para a lesão está acabando com o meu senso de humor. que ele me deixa com sono o dia inteiro não é segredo, mas o humor só fui perceber hoje. mesmo assim, enquanto voltava pra casa ouvindo a Executiva FM (o cd player do carro engoliu meu cd do Super Furry Animals, vou ter que levá-lo numa oficina aqui pra liberar), tocou uma música que diz tudo que queria pra minha vida agora:

 Joao Penca e seus Miquinhos Amestrados - Popstar


(...)

acho que ninguém me entende.
me dizem que eu sou new wave demais.
eu vou na onda que mais longe me levar, me levar
me levar...

a sua mãe diz que eu sou vagabundo
e o seu pai é tão esnobe:
"esse garoto não combina contigo,
a gente arranja pra você bom partido."
mas, quando eu virar um astro,
com a minha guitarra e uma prancha do lado,
eu quero ver na hora do jantar,
o seu pai sentado à mesa ao lado de um pop star.

e o neto dele também vai ser new wave,
filho de popstar, popstar é.
e vamos todos morar no Hawaii,
tocar guitarra às três da manhã.
e a vizinhança de cabelo em pé.
e da maneira que a gente quiser.

*

pois é, "Popstar", João Penca & seus Miquinhos Amestrados safra 1986, a música com o instrumental mais Talking Heads do mundo (ouça e chore, Pedruxo). liguei pro Alexandre e falei pra ele "cara, me salva, cansei de ser funcionário público, quero ser popstar". talvez isso passe depois que a dor na perna passar, ou quando o trabalho ficar ainda mais emocionante do que está agora. mas se hoje à noite eu estivesse lá fora tocando guitarra até não poder mais, era tudo que queria.

e te encontrar depois do show, pra gente comer a melhor pizza da cidade e ir dormir às três da manhã, honey.

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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

coisas que eu nunca te disse #44

this is the first day of my life
I'm glad I didn't die before I met you.
but, now I don't care, I could go anywhere with you
and I'd probably be happy


(Bright Eyes, "First day of my life", 2005)

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Domingo, Fevereiro 08, 2009

rapidinho

ah, claro: considerando o histórico de sobremesas abaixo, mas principalmente o meu comportamento desde o início do ano, fico satisfeito em ver que minha meta de me tornar uma pessoa mais doce está sendo plenamente cumprida.

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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Santa Marinella

ah, claro: vi na televisão a nevasca que se abateu sobre Londres, e gostaria de estar lá com você agora, antes de irmos para a Escócia. vem comigo?

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Sábado, Janeiro 31, 2009

coisas que eu nunca te disse #43

do you believe that there's someone up above?
and does he have a timetable directing acts of love?

why did I write this song on that one day?
why did you touched my hand and softly said,
"stop asking questions that don't matter anyway,
just give us a kiss to celebrate here, today
something changed"

and when we woke up that morning
we've had no way of knowing
that in a matter of hours we'd change
the way we were going (...)





(Pulp, "Something changed", 1995. porque se o chefe vai falar do Pulp na segunda-feira é melhor lembrar da mais bonita música de amor que eu conheço)

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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Kitai-gorod

tem um certo valor que às vezes parece estar impregnado no Oriente: copiar o Ocidente, mas com algumas adaptações locais. em alguns casos o resultado é grotesco, mas em outros beira o sublime. estou vendo aqui umas obras de arquitetos italianos na Rússia, e maravilhado com a forma como eles conseguiram colocar no país aquilo que bombava na Europa da época. tem a Igreja da Ascensão em Kolomenskoye, na grande Moscou, obra de um italiano cujo nome só se conhece em russo: Petrok Maly. ele também fez os muros da Kitai-gorod, um bairro moscovita cercado de muros e que traz um mistério no nome: a tradução literal de "Kitai-gorod" é "Bairro chinês" (ou "Chinatown" se você é fã do Charles Bronson), mas de chinês a coisa não tem nada. de toda forma, mais um local para eu dar um rolê.

*

indo do século XVI para o XIX, tem as obras do Carlo Rossi, que desenhou boa parte dos prédios históricos de São Petersburgo, inclusive uma das ideias mais fascinantes que já vi, a tal da "rua de proporções perfeitas". se alguém aí assistiu "Bonecas russas" sabe do que estou falando: seu criador acreditava em uma relação perfeita entre a altura dos prédios (22 metros), a largura da rua (idem) e seu comprimento (220 metros). isso tem alguma implicação no enredo do filme, mas não vamos mudar de assunto... prometi que nunca publicaria o post sobre esse filme. mas a tal rua, que leva o sobrenome de seu arquiteto e também é conhecida por "rua do Teatro", já que termina em um, é mais uma pra lista de lugares a conferir ao vivo, e o quanto antes.

*

outra italianada da boa é o Palácio de Gatchina, construído no século XVIII por Antonio Rinaldi. vi umas pinturas que detalhavam seu interior, que era de chorar de tão bonito. infelizmente o verbo está no pretérito porque os nazistas acharam por bem queimar tudo até a última ponta de afresco neoclássico. mas a fachada do palácio (que hoje parece um tanto mal cuidada) e as vistas dele permanecem, para alívio geral do Brasil. ou da Rússia, já que brasileiro gosta mesmo é de Caraguatatuba.

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Sábado, Janeiro 17, 2009

invecchia con noi

pois é: a torcida do Milan, depois de ouvir por aí que uma galera de Dubai quer dar quase uma bilha para o Kaká ir jogar na Inglaterra, levou umas faixas para o jogo de hoje. e uma delas é a declaração de amor mais bonita que eu vi em um bom tempo: "Kaká, invecchia con noi" ou, em bom português, "Kaká, envelheça conosco". dá só uma olhada:

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Domingo, Janeiro 11, 2009

coisas que eu nunca te disse #42

someday, one day
we'll get sky and move away
and like the birds we'll fly tomorrow
obscene machines that glide away
and like the birds we'll fly tomorrow
and like the birds we'll fly
from your Asda Town
never coming down


(Suede, "Asda town", 1994)

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Sábado, Janeiro 03, 2009

bonequinha de luxo

2009, um ano mais leve, mais doce e mais delicado. por aí, por aí.

*

soube pelo Alê, nos últimos dias do ano passado, que a Nuvem Nove, nossa loja de cds preferida, havia fechado. curiosamente, o disco que mais ouvi no ano passado (o "The night", do Morphine) foi comprado lá, e até continua com a etiqueta de preço, que denuncia que morreram apenas 12 reais em sua compra. e o que mais tenho ouvido no começo desse ano, o "Nine objects of desire", da Suzanne Vega, também.

*

por falar em Suzanne Vega, e como parte de um ano mais doce e mais delicado, "Caramel" é o hino. o problema é só que, quando ela diz but I don't know what I would give of myself, how I would live with myself if you don't go, a minha preocupação é exatamente a contrária, ou seja, como eu viveria comigo mesmo se você se fosse.

dia desses lembrei da música porque o Telecine fez uma chamada para o "Closer" com essa música. tentei achar o anúncio na internet, mas infelizmente não tem. em compensação, algumas das sensações daquele filme me passaram pela cabeça já algumas vezes este ano, o que vai contra a leveza das coisas. mas quem foi que falou que seria fácil?

*

em um dos últimos posts do Estado Civil, o Pedro Mexia menciona que acordou com "Sweet about me", da Gabriella Cilmi, e discorre sobre algumas coisas da letra, e eu só faço com a cabeça que sim, porque uma vez mais ele tem razão. só espero que essa minha suspeita de que ele pretende fechar o melhor blog que a língua portuguesa já conheceu seja completamente infundada.

por outro lado, ele sempre abre outro depois, e é sempre melhor.

*

uma situação inusitada me espera hoje: estou querendo muito encontrar uma pessoa, apenas porque me faz bem, mas não tenho nada de novo para dizer a ela. nada. mas vou vê-la, apenas pelo fato de que me faz muito bem, o que nunca pode ser desprezado. alguém aí me deseja sorte, por favor?

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Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Paraibuna 1

(post censurado por alguns dias, finalmente liberado depois que vi que era inofensivo)

geograficamente, a minha maior paixão é Brasília, não tem jeito. mas existem alguns outros lugares que moram no meu coração. um deles é Paraibuna, uma cidade de quinze mil habitantes no interior de São Paulo, e terra da minha família por parte de pai: se eu saio do DF para passar o Natal nesse estado frívolo, meu único prazer que não se relaciona às pessoas queridas e a alguns detalhes culinários pontuais é caminhar pelas ruas de Paraibuna.

 

minha avó mora lá, e eu lhe havia prometido uma visita antes do dia de Natal, já que nesse dia a casa dela chega a ter quarenta pessoas, entre os filhos, netos, bisnetos e agregados que por lá aparecem. sendo assim, peguei o carro da minha irmã e percorri cento e dez quilômetros até Paraibuna, a partir de Deprelândia.

 

felizmente, minha irmã deixara sua coletânea dos Smashing Pumpkins no carro, e ela duraria o tempo da viagem, mesmo pulando "Disarm". quando cheguei à rodovia Presidente Dutra, vi que o carro dela, que tem o mesmo motor do meu mas uns 250 quilos a menos, era perfeito para testar uns limites. e, na reta entre Roseira e Pindamonhangaba, bati meu antigo recorde de velocidade (163 km/h, a bordo do Polo Classic em que aprendi a dirigir), cravando 168 km/h.

 

ao sair da Dutra e entrar na Carvalho Pinto, já era hora das músicas do "Mellon Collie and the Infinite Sadness", aquele disco que todo mundo tem – e quem não tem deveria comprar um ainda hoje; aumentei a velocidade de cruzeiro dos 120 km/h permitidos para algo entre 130 e 140, e a cada descida ou reta sem outros carros ia esticando a 150, 160. quando "Bullet with butterfly wings" começou, lembrei de quão boa é essa música, e de quão importante ela foi (e é) na minha vida. a cada vez que o Billy Corgan gritava a última palavra do refrão, eu ia junto: "despite all my rage, I'm still just a rat in a CAAAAAAAAAAGE".

 

eu precisava desabafar já há coisa de vários meses, e berrar junto com os Smashing Pumpkins a 150 km/h era a melhor forma de fazer isso. em "1979", fui acompanhando a letra, cantando alto, and we don't even care, just restless as we are. comecei a chorar, e a lembrar como essa música me faz sonhar e me avisa que não há limites para onde posso chegar. veio "Zero" e seu pessimismo metaleiro, e eu não me abati, apenas para voltar a chorar em "Tonight, tonight" e seu aviso: believe, believe that life will change, that you're not stuck in vain. e que termina com uma das "coisas que eu nunca te disse": acredite em mim como eu acredito em você.

 

quando "Tonight, tonight" acabava, apareceu, bem atrás de mim, um dos carros com que ando sonhando, um Volvo C30. faróis de xenônio acesos (era meio-dia), ele vinha em disparada. como eu estava num estado de daydreaming, achei que era o caso de perseguir o meu sonho, literalmente, e acelerei o 206 da minha irmã para acompanhá-lo. 130, 140, 150... e ele ia se distanciando. 160, 170, um novo recorde pessoal de velocidade... e ele ainda abrindo espaço.

 

foi só a 180 km/h que ele parou de ficar mais longe de mim. mas fiquei apenas dez segundos nessa velocidade, para ver se o C30 não fugiria mais: ele ficou à mesma distância. estava ouvindo "Tonight, tonight" mais uma vez, e meu sonho estava ali, sem fugir de mim. e quando chegaram as duas do "Adore", o melhor disco da história, eu já me aproximava da Tamoios, aquela estradinha horrorosa que leva ao litoral. mas eu não estava ali... estava nas nuvens. foi questão de descer cantando junto de novo, lovely girl you're the beauty in my world e todas aquelas coisas lindas, strangers down the street, lovers while we sleep.

 

eu havia ganho meu dia, e olha que nem havia chegado à parte que imaginava que seria a mais legal dele.

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Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

verdadeiro

manchete do Maplink, página de trânsito: "hoje é o melhor dia para deixar cidade de São Paulo". para fazer ainda mais sentido, essa frase deve ser aplicada fora de seu contexto.

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Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

Voronezh

aí uma amiga, em crise com o namorado, me pergunta "cadê as pessoas que se imaginam juntas?", diz que se sente sozinha por não achar alguém assim e que não entende como se mete com pessoas que "nem sonhar um pouquinho sonham".

não tive uma boa resposta para ela, mas por algum motivo achei que fosse o caso de colocar aqui.

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Sábado, Dezembro 20, 2008

realidade

em uma resenha do Jetta, descrito como "so boring you want to die", Jeremy Clarkson conta a seguinte história:

Once, when I was working on a local newspaper, I came home at night and told my girlfriend that we’d had some new office furniture delivered to the office. Moments later, when I realised what I’d said, and how deeply uninteresting this was, I left her, the job and moved to London.

sentado aqui, com a Duda no colo, percebi que isso aconteceu comigo. quer dizer, a primeira parte; nesse exato momento eu acabo de perceber o que falei, e o quão profundamente desinteressante isso era. eu tenho consciência do que aconteceu, e já é um bom começo, mas agora falta tomar uma atitude, e eu vou tomá-la.

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Terça-feira, Dezembro 09, 2008

coisas que eu nunca te disse #38

I leave a message every night
but you don't call me
the only times we ever talk, you're in a hurry

(...)

I thought we were the same
but now you play this game
you're young, no fun
and you're making me crazy

well, are you afraid of me?


(Rooney, "Are you afraid?", 2007)

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Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

coisas que eu nunca te disse #37

(todo mundo batendo palmas e cantando junto)

one day we're gonna live in Paris
I promise
I'm on it
I'll find you that French boy,
you'll find me that French girl
I promise
I'm on it

(...)

And every night we'll watch the stars
They'll be out for us
And every night, the city lights
They'll be out for us


(Friendly Fires, "Paris", 2007. ou 2008, se quiser)

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Domingo, Novembro 23, 2008

C.

descobri mais um belo disco lançado esse ano, desses que provavelmente só eu vou acabar gostando. não importa: logo logo escreverei mais sobre ele.

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Quarta-feira, Novembro 19, 2008

rútilo

às vezes uma pequena mudança na rotina traz grandes efeitos. ontem precisei tomar um táxi para buscar meu carro na concessionária, onde ele estava para corrigir um pequeno problema, que eu mesmo causei. no caminho, o motorista falava do trânsito em Brasília, e quando contei o caminho que fazia para voltar da Telerj para casa, ele me deu uma sugestão: andar por baixo mais um par de quadras, antes de subir ao Parque da Cidade.

segui a sugestão dele. saindo da 304, passei pelo caminho indicado, e vi um monte de árvores floridas num canteiro central e, do lado direito, os alunos de uma escola saindo da aula. e me senti bem vendo aquela cena, por pior que o trânsito pudesse estar - estava um pouco mais lento que o normal. a paisagem daquele pequeno trecho entre a 304 e a 904 sul, que bem poderia estar em alguma cidade de médio porte dos EUA, me fez lembrar, mais uma vez, que eu amo essa cidade. na semana passada o Craudio disse, como se eu tivesse alguma dúvida, que Brasília é a cidade. e eu só concordei.

enquanto isso, no tocador de cds do meu carro rolava o primeiro do Interpol, uma pequena obra-prima. desde o final de semana passado estou com "Hands away" na cabeça, sem motivo aparente. gosto daquele clima de flutuação que fica durante toda a música, coisa das guitarras, aquela sensação de que a música te leva a flutuar, mas com uma sensação tensa, apesar do seu corpo relaxado. dizendo assim é estranho, mas não é porque sentimos algo que existem palavras para definir a sensação.

e de alguma forma, o disco, a paisagem, a direção do carro e a sensação causada por uma pequena mudança fizeram com que eu me sentisse feliz naquele momento e tivesse consciência disso.

*

pouco depois, decidi adiantar minha ida à academia. além de pegar menos gente lá dentro (academia boa é academia vazia, mind it), saí de lá bem na hora do poente. e foi gostoso voltar pra casa enquanto a luz natural se apagava, enquanto pensava que estou mais forte do que ontem. de qualquer forma. e essa mudança de horário, tão banal, também foi boa. se vou adotar o hábito é outra coisa, mas é bom saber que continuo me sentindo bem com essas coisinhas frívolas...

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Domingo, Novembro 09, 2008

tetrationato

em tempo: "Quantum of solace" me deixou com ainda mais vontade de ir pra academia ficar forte e resistente. essa semana os 14 minutos na esteira vão virar 20. e tenho dito.

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Segunda-feira, Novembro 03, 2008

coisas que eu nunca te disse #35

I left my job, my boss, my car and my home
I'm leaving for a destination I still don't know
somewhere nobody must have duties at home
and if you like this, you can follow me
so let's go

follow me
and let's go
to the place where we belong
and leave our troubles at home
come with me
we can go
to a paradise of love and joy
a destination unknown


(Alex Gaudino & Crystal Waters, "Destination Calabria", 2006. clipe bem aqui, cortesia do Lelo)

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Quinta-feira, Outubro 30, 2008

el viento

a seguir, neste blog:

- como voltar à cidade que você mais odeia e não tirar o sorriso do rosto
- como não usar terno e se sentir elegante
- tudo sobre autenticidade
- kebab: modo de usar
- virando a mesa

tudo isso, e quem sabe ainda mais, neste blog. mas a partir de amanhã, meu amor.

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Terça-feira, Outubro 21, 2008

catedral

imprimi um mapa do Império Austro-Húngaro, mostrando como era a divisão étnica deles em 1911, e coloquei para adornar a minha baia. eu não entendo como um Estado desses durou quase sessenta anos. é pura nitroglicerina você juntar tedescos, húngaros, romenos, servo-croatas, rutenianos, tchecos, eslovacos, poloneses, eslovenos e uns italianos debaixo de um único governo - e ainda esperar que ele funcione.

e essa é a principal razão pela qual eu imprimi o mapa e o deixei aqui bem à minha vista: ele me faz lembrar que não basta resolver tudo no trabalho, tenho outras coisas na vida. e que, por mais que a vida não seja conciliar uma dezena de etnias debaixo de uma única nação, ela é tão desafiadora quanto isso, e pode ser mais bonita e duradoura do que foi esse império.

para quem quiser, o mapa está aqui.

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Domingo, Outubro 19, 2008

reage, Rio

primeira coisa a se constatar: este blógue não anda muito interessante. aliás, não anda nada interessante. então vamos tentar entender o que está acontecendo...

no trabalho, alguma movimentação. vocês devem ter lido no final desta semana coisas sobre a Telerj no noticiário, provavelmente coisas ruins. recomendo o editorial de ontem da "Folha de São Paulo", tão pesado quanto verdadeiro.

mas aí, não sei se pela forma como me envolvi nessas movimentações do trabalho ou pelo quê, mas ando me sentindo vazio fora dele. sem assunto para conversar com ela e com os amigos, sem me entusiasmar em sair de casa - até porque nem programas legais andam aparecendo. conversei sobre isso com a Lisa e falei de ontem, quando assisti o "Closer" na tevê: estava ali vendo o filme e constatei que a vida deles era bem movimentada. de repente, pensei "ah, mas são o Jude Law e a Natalie Portman, tá explicado". e não pensei mais no assunto.

conversando com a Camila eu lembrei do meu pai, que tem uma rotina para o final de semana que beira o absurdo, de tão metódica, de tão irremediavelmente previsível. com todo o respeito a ele, eu não quero isso pra minha vida. e nem esse marasmo em que ela agora está.

mas ufa, sorte que amanhã é segunda.

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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Portugal Telecom

sentado no sofá, assistindo meu computador recarregando baterias depois de passar horas num deserto de tomadas no Congresso. morando sozinho, descobrimos que a comida não cresce na geladeira e que de vez em quando precisamos levar o carro para beber gasolina. com o 307 abastecido e mafuzado até o sexto, agora estou pensando na lista de coisas a se comprar... palha de aço, água sanitária, detergente, desinfetante, desodorante, recheios para sanduíche, tahime, açaí, o que mais?

vou ver se dá tempo de descer no mercadinho com coisinhas diferentes, pra sair um pouco da rotina. quem sabe ache alguma coisa que faça o deslocamento valer a pena. eu não gosto de fazer supermercado, mas confesso que hoje a idéia cai bem. talvez porque, shame on me, faltarei à academia. saí tarde do trabalho, amanhã será um dia muito longo por conta de um evento na Telerj, vou ter de dar uma mão a uma galera de outras áreas. deseje-me sorte, deseje-me que eu saia vivo de quinta-feira. e quando eu dormir, não me deixe sentir frio. na sexta-feira eu volto a cuidar de você e te levo pra almoçar.

*

saindo do Congresso agora à noite, encontrei uma moça que trabalhou na Telerj por uns tempos - antes de eu entrar para lá, inclusive. ela me pergunta da próxima seleção, passo algumas informações e contemporizo. ela realmente quer entrar lá, eu digo que entendo. então ela me pergunta se eu gosto, digo que sim, mas que é temporário e que a médio prazo estarei longe dali.

então ela me disse algo que me fez perceber o quão longe já andei, e que às vezes não tenho consciência. fico um pouco sem graça, mas isso não dura dois minutos: eu amo a minha vida, mas sei que ela pode - e vai - melhorar muito. se eu acreditasse em destino, diria que certas coisas que sinto nessas horas são obra dele. como não são, there is only myself to blame.

o que não é necessariamente algo ruim, nesse caso.

*

mais um dia de disjuntor na bolsa. pena que não estive acompanhando mais de perto, já que fiquei o dia todo mergulhado em alguns assuntos. mas amanhã vai ser um dia especial - igual hoje, embora nem sempre percebamos. pieguice? um pouco. mas me desculpe, é a vontade de fazer com que cada dia seja assim.

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Terça-feira, Outubro 07, 2008

nectarina

com a minha cabeça ainda fora do lugar, não deu para falar ontem do final de semana. como todos aqui devem saber, tenho uma certa preguiça espiritual de voltar a Deprelândia e visitar meus pais. porque, apesar de serem meus pais, estar ali não é uma sensação muito agradável. mas tive um ótimo motivo para ir ao estado de São Paulo e, por tabela, ir até lá – mas, primeiro, até a capital.

tem certas companhias que são tudo de bom. que conseguem transformar uma cidade cinzenta e claustrofóbica em uma experiência deliciosa, uma viagem cansativa em puro descanso para a alma, um beijo em algo inesquecível. ela é assim, e quando a vi chegando, todo o meu desconforto de estar na maior cidade do país saiu do meu rosto e virou um sorriso que preencheu aquelas horas, junto com um frio na barriga que, na verdade, é questão de referencial: o coração é que estava aquecido.

bom demais sentir isso, não?

*

no dia seguinte, de volta à penitenciária a céu aberto onde cumpri vinte e três anos de detenção. voltei lá sem avisar ninguém, como sempre: não gosto que meus pais, minhas irmãs e meus amigos criem expectativas a meu respeito, não gosto mesmo. um calor infernal se abatia sobre a cidade, em véspera de eleição (meu título de eleitor foi transferido para Brasília), mas é bom deixar alguém feliz porque se está ali. o resto é aquilo que se espera: bucolismo, suco de morango com água tônica, algumas (poucas) novidades e, principalmente, a vontade de ver todo mundo em 24 horas.

24 horas? é, fiquei de um dia para outro. parece ser o tempo máximo que agüento na cidade, antes de derreter. Deprelândia é um lugar que realmente me deixa mal, mesmo que sem motivo. tirando por algumas pessoas e pela possibilidade de colocar a leitura em dia, já que não se há o que fazer, aquilo é realmente deprimente. tem alguém, acho que o Diogo Mainardi, que fala que mais importante que sair do Brasil é fazer com que o Brasil saia de você. e eu consegui fazer isso com Deprelândia: não me entusiasmo com o progresso a conta-gotas de lá, com a vida dali, não levo o lugar a sério, tampouco sinto saudades e, mais do que isso, não espero nada da cidade e da região. tipo um alheamento, sabe? o incômodo é apenas pelo tédio, não pela mediocridade em si. e assim vou lá apenas para cumprir o protocolo e para lembrar que, apesar de ainda não ter conseguido nem dez por cento do que quero, já consegui muita coisa e tenho muita sorte.

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

purê de batatas

o melhor de quinta-feira à noite é quando você pensa na sexta-feira e lembra que à noite vai ter açúcar e carinho, nessa ordem cronológica. e sorri, contando as horas para estar nas nuvens com isso, só voltando quando acordar um dia.

mas fazendo de tudo para que o sonho dure pra sempre.

*

ontem entrei no novo Fiat Linea (versão básica, apenas com câmbio Dualogic) e constatei umas coisas. é um carro bem estreito, de modo que andar com três pessoas no banco de trás é uma missão impossível, pelo parco espaço para os ombros. o descansa-braço, então, é risível. mas é um carro bem acabado, com plásticos bons, a excelente idéia de ter duas cores pro revestimento, motores bem desenvolvidos e, importante ressaltar, airbags laterais e de cortina como opção. se a Ford incluísse as opções de cores e de airbags no novo Focus, por exemplo, seria um carro perfeito. como não o fez, é apenas mais um que vou preterir em 2010. e no Linea eu nem penso.

*

você já teve a sensação de trabalhar em uma coisa e estar preso a outra que escolheu deixar, mas não sabe se fez bom negócio? ando me sentindo assim por esses dias. mas provavelmente é circunstancial (respiro fundo). tem que ser.

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Sexta-feira, Setembro 19, 2008

incandescente

umas duas semanas atrás eu entrei na página de uma faculdade que tem um curso de pós-graduação muito interessante, mas que eu não iria fazer porque a partir deste ano ele passou a ser pela internet - sou das antigas e não troco a sala de aula por nada. ele continua nesse esquema, então decidi procurar outro, e achei um na Universidade de Brasília. como é bem a cara do que eu quero e a instituição é ainda melhor, pensei "nossa, deve ser concorridíssimo", já preparando o espírito para a próxima seleção, que deve ocorrer dentro de alguns meses.

aí soube que esse ano não houve curso por conta da baixa demanda. ano que vem farei a minha parte para que isso não se repita.

*

tem uma grua aqui à minha esquerda, na janela do décimo sétimo andar: ela constrói um prédio a trezentos metros daqui, vigorosamente. a obra tem causado um transtorno no Setor Comercial Sul, que já é engarrafado pela idéia djenial de enfiarem um tribunal ali no meio. são dois prédios lado a lado, ambos ainda em sua estrutura.

eu adoro esqueletos de prédio, adoro esse visual de obra em andamento, as telas alaranjadas, as vigas... toda essa paisagem "industrial". quando ia de ônibus a São Paulo, não deixava de sentir um certo carinho por aqueles prédios na região de Guarulhos, mesmo sabendo que odiaria trabalhar num lugar assim, ou mesmo morar perto daquilo. mas eles dão belas fotos e suscitam aquela velha dúvida sobre o que é/será/foi feito ali, e isso já é suficiente.

*

segunda-feira meu recorde de 4 minutos de corrida ininterrupta na esteira virou 10. e ontem virou 11 (com direito a "ieeeiiii"). se no final do ano eu conseguir correr 20 minutos sem parar é porque tem algo de errado.

mas algo de errado não é necessariamente ruim, é?

*

fiz a minha primeira compra na Estante Virtual: um exemplar do "Abaixo de zero", do Bret Easton Ellis, há alguns anos fora de catálogo no país. paguei uma ninharia, e espero que chegue logo. sabe o que é gostar da história de um livro, do título de um livro, sem tê-lo lido? é essa expectativa.

e por falar em história de livro, a do novo do Will Self parece algo do tipo Seinfeld meets Kafka. senão, vejamos:

"The Butt" begins with Tom Brodzinski—who sounds an awful lot like the author—carelessly flicking his final cigarette over a balcony. Unfortunately, for him, he hits a tourist. As a result, he's charged with assault with a deadly weapon, and is forced to stand trial.

*

alívio no mundo: ao contrário do que eu pensava, a Rolex ainda faz o Explorer I. tirar de circulação algo tão eterno quanto um relógio com esse desenho seria covardia.

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Quinta-feira, Setembro 11, 2008

dilaudid II

essa semana eu quase pensei em desistir de metade das minhas coisas. uma metade em que eu venho apostando e brigando para que dê certo, que venho perseguindo e dedicando tempo, esforços, potássio, tudo que posso. e sempre mais, sempre mais. mas quando estava saindo de casa, hoje cedo, fui procurar um disco pra ouvir e achei o "Dog man star"... e é incrível ver como ouvir "The power", "New generation" e "Black or blue", nessa seqüência, me anima. se o Suede ali era uma banda à beira do colapso e produziu um disco perfeito, eu, que não estou à beira de um colapso, também posso fazer coisas legais. nem que para isso eu precise dobrar a aposta.

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Quarta-feira, Setembro 03, 2008

bachianas

Se todo mundo acha que há trabalhos manuais inumanos, por que ninguém acha que há trabalhos intelectuais inumanos? Algum dia robôs liberarão a mente humana da necessidade de tomar conhecimento de qualquer artigo ou inciso da CF/88? Qual a diferença em termos de felicidade humana entre ler qualquer artigo ou inciso da CF/88 e trabalhar numa mina de enxofre? Onde está o Sebastião Salgado para tirar fotos cheias de pathos e luz e sombra de advogados frequentando varas cíveis, comendo pastel de palmito etc?

Alexandre Soares Silva, dizendo melhor aquilo que eu gostaria demais de ter dito.

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Segunda-feira, Agosto 25, 2008

matéria

um final de semana daqueles lindos. caramba, foi bom demais. no sábado, apesar de ter sido acordado por brasileiros comemorando a medalha de ouro no vôlei feminino, o passeio pela exposição de carros antigos, no Pontão, foi bom demais. um monte de carros legais à beira do lago - que continua sendo meu cartão-postal preferido de Brasília - umas meninas com roupas de época fazendo figuração, um picolé de goiaba e um dia bonito: não precisava de mais nada. mas ainda tinham dois rabos-de-peixe vindos de cinco décadas atrás: um Cadillac De Ville e um Ford Thunderbird. uou.

à noite, uma festa no Lago Norte, na casa do Davi Barranco. a festa em si tava muito ruim (não deixem a Clarissa dar som, por favor. gosto muito dela, mas como DJ não dá. e nem deixem o Cochlar também), não tinha nem uma Coca-Cola pra beber. mas a companhia dos amigos era boa... e o desfecho da noite foi ainda melhor, nota dez mesmo. chegando em casa, constatei que o Brasil era prata no vôlei e fui dormir. eram quatro da manhã e fui acordar... às quatro da tarde.

com o domingo todo perdido na cama, fui assistir "O procurado" e gostei do filme e de tudo o que rolou em volta. como tinha comido bem pouco durante o dia, dei-me ao luxo de provar esse China Burger do McDonald's: é bom, mas o gosto chinês do sanduíche era apenas um gergelim pouco pronunciado no molho. tá bom, McDonald's é como o acústico do Capital Inicial, feito pra não ofender ninguém... mas esperava um pouco mais. só que foi pouco pra macular o final de semana. e você, como foi de sábado e domingo? conta aí nos comentários.

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Sábado, Agosto 23, 2008

geito

(é, com "g" mesmo)

o Brasil acabou de ser campeão olímpico de vôlei feminino. ótimo, parabéns, eu só torço contra no futebol. mas aí o repórter da Globo, querendo falar com as campeãs, diz ao narrador "vamos falar com elas, mesmo que seja proibido". o narrador responde: "se cassarem sua credencial não tem problema, porque amanhã você já não tem mais que trabalhar". depois, vendo a algazarra das moças - dentro dos limites impostos pela organização, diga-se - o narrador, que é esse mesmo que você está pensando, manda um "é bom quando o Brasil ganha porque quebra o protocolo".

do orgulho à vergonha (por causa desse maldito jeitinho brasileiro) em dois minutos. é um novo recorde olímpico.

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Domingo, Agosto 17, 2008

lenta

a coisa mais engraçada do dia - que ainda está no começo - está bem aqui.

(dica do Luciano)

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

sobrenatural

there's a ghost in me
who wants to say "I'm sorry"
doesn't mean I'm sorry


eu entendo perfeitamente a Helen Marnie cantando isso em "Ghosts", uma das músicas do novo disco do Ladytron - a melhor coisa que foi lançada em 2008.

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Sábado, Agosto 02, 2008

físico

does your body create antibodies to protect yourself from somebody else?

mine does.

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Segunda-feira, Julho 28, 2008

câmbio

você já teve a sensação de que sua vida está ficando muito fácil e que, por gostar de um desafio, teria que dificultá-la? eu estou me sentindo assim agora.

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Quinta-feira, Julho 24, 2008

leveza

bem que eu estava precisando de uma música bem leve, bem suave, pra ouvir abraçado com o meu travesseiro. por enquanto, meu amor.

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Domingo, Julho 20, 2008

ah, sim

não parece, mas chegamos a mais um número redondo: esse aqui é o post de número 7 mil deste blog desde sua criação, em novembro de 2002 (não sei porquê, mas os arquivos anteriores a 2006 não aparecem).

comemoração? é, acho que deveria ter. mas como é que eu faço? pensei em chamar os amigos e quase todos os leitores deste blog para uma reuniãozinha no Bierfass, ou então para uma sessão de filme do Canal Brasil aqui em casa, mas tem que ser a da madrugada. outra coisa que eu pensei foi em acabar com o blog, mas depois que arrumei uma solução paralela para ter menos problemas com ele, não faz o mesmo sentido.

eu nem sei se tenho assunto pra tantas entradas aqui, mas enrolando chegou-se a sete mil. no final das contas isso aqui só serve pra uma coisa: memória. ao contrário da Rede Globo, eu não tenho um Cedoc (centro de documentação), então serve para que um dia eu me lembre de alguma coisa que tenha feito, dito, pensado. vou acessar aqui e ver que, se tive a mesma idéia naquele dia é porque, no fundo, sou um cara previsível e repetitivo - ou então a idéia é boa mesmo.

mas bem, espero fazer mais sete mil. e que, aos catorze mil posts, eu esteja ainda melhor do que estou agora. obrigado a quem lê... e vamos em frente.

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Quinta-feira, Julho 10, 2008

quilate

coloquei no Portal do Geólogo uma historinha sobre ter foco e acreditar nas coisas. se eu fosse você, leria isso agora.

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Terça-feira, Julho 08, 2008

vila nova

amanhã tem bomba. mas não é só uma: são quatro, que farão mil estrondos ao mesmo tempo, que farão com que corramos, unidos e desencontrados, por um raio de dois quilômetros, a alguns metros abaixo da superfície.

mas quem sobreviver pode ter uma certeza: estará mais forte.

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Segunda-feira, Julho 07, 2008

laçarote

já vi esse filme antes. mas quem sabe o diretor gravou dois finais diferentes, não?

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Terça-feira, Junho 17, 2008

lanternagem

coincidência é sempre uma bobagem, em qualquer proporção, mas o Pedro Mexia se supera: tá aqui o novo post do ano. e a coincidência por trás dele eu não conto.

*

mas ele disse, no ano passado, que o ciúme não tem olhos verdes. eu neguei isso à época, por experiência própria, e hoje tive mais uma prova no mesmo sentido. eu gosto de provar algumas coisas por A+B, eu gosto de provar outras coisas por qualquer que seja o método.

ficar sem provar é que pode ser uma prova difícil.

*

a Scarlett Johansson cantando é um saco, hein? Helen Marnie nela!

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Sexta-feira, Junho 13, 2008

coisas que eu nunca te disse #28

how does your body feel today?
I forgot to ask
genius in a hospital bed
with her brier patch hair, it just isn't fair
taking bullets for a team of bad poets, how is it up there?


(Ryan Adams, "City rain, city streets", 2003)

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Quinta-feira, Junho 12, 2008

empório / empire

uma série de bastidores sobre um evento importante, todos podendo serem contados. mas um leve travo de amargura, ao lembrar da decadência. não precisava ser assim, e nem foi por minha culpa, mas as coisas haverão de mudar. nos bastidores o quadro não era dos mais animadores, mas um dia eu mudo tudo isso.

*

um banho quente e um sanduíche quente, feito pela Pizzaria Dom Bosco, antes de uma notícia quente esfriar na frente de todos. eu estava ali, mas é como se não estivesse. não naquele estrato (com S, nesse caso), não naquele mundo. mas, depois de ter a bússola no bolso, eu tenho um relógio no pulso esquerdo. e não é qualquer coisa que pode me deter.

*

vontade de ouvir o "Wish you were here", do Pink Floyd, e pensar em deslocamentos: acrescentar um GPS à minha vida. e, antes de disparar em meio às seis faixas do Eixo Monumental, ter uma boa noite de sono e pensar além.

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Sexta-feira, Junho 06, 2008

sensor

Pedro Mexia fez, como sempre, o post do ano. e essa é verdade.

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Quinta-feira, Junho 05, 2008

o princípio Oliveira

eu estou na Tecnasa
trabalhando como se dono fosse
e agora o jeito é fazer isso até ser chamado para a Romatel da minha vida.

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Sábado, Maio 31, 2008

bis

café da manhã de hotel é tudo de bom, né? ainda mais com uma boa companhia... :)

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Domingo, Maio 25, 2008

debate

o falecido Mark Sandman propõe o tópico para discussão, desta vez:

she was a hell of a woman, from a hell of a town
she took me all the way, it was a long way down
she makes me wonder, wonder, all day long
can a good woman ever be found?
can a good woman never be found?


até agora, nenhuma resposta.

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Terça-feira, Maio 20, 2008

Gold Coast

mais uma coluna antológica do João Pereira Coutinho, dessa vez publicada na Folha desta terça. tá virando rotina, mas o que ele escreve costuma triturar qualquer coisa que eu pense, qualquer inspiração para escrever aqui etc.

*
Uma miss à minha porta

Foram anos e anos e anos em busca das mulheres mais belas. Não fui caso único. E poderia dizer, como um escritor beat decadente, que vi as melhores mentes da minha geração destruídas por ruivas de olhos verdes e morenas de cabelo negro. Mas uma loira genuína com a pele pintada a ouro? À minha porta? Ah, isso não é justo. Nem real. Tudo começou com uma oferta da senhoria. Eu, rapaz solteiro, com vida dissoluta, estaria interessado nos serviços de uma empregada doméstica três vezes por semana?

Contemplei as camisas por passar. Lembrei, com repulsa, a louça em forma de Everest na cozinha. Disse que sim. Sem entusiasmo. No dia seguinte, a empregada chegou. E antes de eu chegar a ela, um pouco de história, por favor. Leitores, o que aconteceu em 1991? Eu respondo: em 1991, a antiga União Soviética era sepultada. Ficaram apenas herdeiros festivos: russos, ucranianos, armênios, moldavos, lituanos. Uma salada. Os anos seguintes não foram fáceis: com o capitalismo à solta em solo virgem, as antigas repúblicas soviéticas caíram na inflação e na escassez e começaram a exportar gente para os quatro cantos da Europa.

Não falo apenas de gente pobre. Falo de gente que ficou pobre de um dia para o outro. Em qualquer cidade da Europa ocidental era possível encontrar advogados servindo em cafés ou antigos ministros trabalhando na construção civil. Cheguei a conhecer um médico moscovita que, depois da derrocada, era motoboy em Portugal. Já tinha visto de tudo. Mas nunca vira uma antiga candidata a miss fazendo limpezas. Chama-se Emma e, na década de 90, ela concorria ao título ucraniano. Perdeu, não me perguntem como. Depois, a família não agüentou a crise, Emma partiu com a irmã para Madri e finalmente aterrou em Portugal. Aterrou em minha casa.

Era Proust, creio, quem dizia que as mulheres bonitas eram para homens sem imaginação. Se Proust estava certo, então eu sou uma pedra em forma humana. Não, ela não é bonita. Ela transforma a capela Sistina em grafite urbano. Ela reduz qualquer escultura de Rodin a um monte de sucata. Os cabelos, longos, terminam onde começa um pescoço que faria as delícias de Bela Lugosi. Os olhos, de um azul como já não existe nos céus de Lisboa, sorriem mesmo quando ela não sorri. E, quando o sorriso acontece em lábios generosos e de um vermelho que dispensa qualquer pintura, o rosto ganha uma luz que pode levar qualquer homem à cegueira. O corpo é perfeito. Como sei? Pelos pés: pequenos, esguios, ligeiramente ruborizados. Ela trabalha descalça e gosta de caminhar como as bailarinas. Ou como os gatos. Silenciosa e nas pontas.

Começou no mês passado. Segundas, quartas e sextas. Achei melhor incluir também as terças. E as quintas. E depois o sábado. E o domingo. E o dobro do salário nos dias feriados. Oito horas por dia? Não. Doze. Na impossibilidade de serem 24. E nada de limpezas. Limpezas, princesa? Com essas mãos tão delicadas? Eu limpo, ela existe. E amigos vários, incrédulos ao início, já começaram a fazer excursões à casa como certos peregrinos a lugares sagrados. Chegam, acampam. Alguns pedem para levar uma relíquia da santa: um fio de cabelo, uma unha, um dente. (Um dente?) Eu sou como um policial em filme de Hollywood, depois de selar o local do crime. "Dispersem, por favor. Não há nada para ver."

Mas há tudo para ver. Imagens do concurso de miss, que ela mostrou em fotos da época. Algumas canções ucranianas, que aprendo a balbuciar com a atenção cirúrgica de um aluno aplicado. Troquei o uísque pela vodca. Experimentei arenque (que delícia! como foi possível acreditar que o bacalhau era o supremo peixe?). Também sou capaz de reproduzir os passos mais elementares de uma dança típica. E sem qualquer esforço, apesar das cãibras permanentes que me fazem gemer a noite toda. E já digo "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" na língua retorcida dos nativos. Quando chegar a um nível mais profissional, resolvo tudo com um "casa comigo" e depois parto com ela para a lua-de-mel em Kiev.

Anos e anos e anos em busca das mulheres mais belas. Mas foi o fim do comunismo e a entrada arrasadora do capitalismo que trouxe uma miss à minha porta. E logo agora, que eu começava a ficar um pouquinho mais esquerdista. Desculpem, camaradas. Mas, como diria o velho Karl, a cada um segundo suas necessidades.

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Quarta-feira, Maio 14, 2008

o cara



tá. você já leu por aí um monte de coisas sobre o aniversário de dez anos da morte dele, Francis Albert Sinatra (1915-1998). a data é hoje. e, dez anos depois de nos deixar, Frank Sinatra continua sendo o cara.

mas "o cara", no caso, é pouco. ele foi o cara que você quer ser, o cara que eu quero ser, o cara que meus filhos vão querer ser. e que, invariavelmente, não seremos. não porque não mereçamos, tampouco que nossas vidas serão umas merdas: não é isso. é porque Frank Sinatra só tem um. eu já disse aqui, sete anos atrás, que ele foi o maior rockstar de todos os tempos. já transcrevi aqui uma matéria sensacional da Maxmen de Portugal, publicada por ocasião do nonagésimo aniversário de seu nascimento. e meu irmão mais velho hoje colocou aqui mais um belo texto sobre o homem, e que prenuncia nosso próximo livro, "Como Frank Sinatra pode mudar sua vida", a ser lançado em meados de 2009.

aliás, Frank Sinatra realmente mudou minha vida:

- "In the wee small hours" foi um daqueles discos que me deixou de queixo caído da primeira vez que ouvi, e a cada vez que descobria algo novo sobre ele;
- você nunca o viu, em foto alguma, desarrumado. por essa razão eu tento, cada vez mais fortemente, andar impecável;
- ele me ensinou que honra, valores familiares e amigos são tudo na vida;
- todo homem tem uma Ava Gardner. e a vida continua, apesar dela.
- finalmente, que diabos é a interpretação dele para "My way"? Frank Sinatra não canta essa música, ele decreta a letra. você pode não gostar, mas jamais, durante a música, deixa de acreditar que ele viveu tudo aquilo em cada palavra, cada sílaba, cada letra. e acaba concordando com ele, porque ele canta de um jeito em que aquilo vira uma verdade universal.

por essas e outras, descanse em paz, meu caro Frank.

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Segunda-feira, Maio 05, 2008

Morse

um post em código Morse, para tentar telegrafar o que sinto...

- primeiro dia na nova área onde trabalho, aquela onde fiquei quinze meses tentando entrar. é estranho, porque é um sonho realizado - algo que você não faz todos os dias. é bem verdade que só peguei 20% do negócio até agora, e estou tentando assimilar tudo logo, caminhar com as próprias pernas, fazer o trabalho de todos render. é difícil? dane-se, eu consigo.

- como consigo, também, aprender a conviver com sentimentos menos nobres e a não deixá-los atrapalhar minha vida nessa nova vida. não é?

- curiosamente, minha primeira missão na nova área foi ajudar a primeira onde trabalhei. voltar, por cima da carne seca, para dar palpites num trabalho onde lá atrás, oito meses atrás, não quiseram os meus palpites. engulo o passado? não. apenas dou o melhor de mim pelo trabalho durante o tempo que isso durar, depois baixo o olhar e sigo em frente. um pouco mais forte, como sempre.

- daqui pra frente, um novo hábito a se incorporar: levar o notebook para o trabalho, pelo menos três vezes por semana. e não se deixar impressionar por certas coisas monocromáticas que passam pelo caminho.

- começou a contagem regressiva: faltam dez anos para eu chegar à diretoria da Telerj. dez anos. poderia ser mais fácil, mas há uma série de fraturas pelo caminho. e de gente que, seduzida pela estabilidade, preferiu a acomodação nos andares de cima.

- também comecei uma outra coisa: se a Skol tem uma campanha publicitária com o bordão "vamo armá o buteco aê" (sic), eu estou lançando a campanha "vamos armar o Fasano aí", para transformar qualquer biboca sem classe em um lugar como os desse grande grupo hoteleiro e gastronômico. porque quem nasce pra Mário Garnero nunca se contenta com vidinha de funcionário público.

- são casos especiais, não pense que o seu está no meio.

tentei escrever algo bem claro e que não precisasse de grandes conhecimentos para ser lido, mas não deu. de toda forma, é isso o que tinha de dizer.

(nota: esse post foi escrito durante o dia e, agora à noite, foi só subi-lo para cá. boo.)

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Segunda-feira, Abril 28, 2008

nota

quem aparecer hoje:

- me cobrando alguma coisa sentimental
- comentando de alterações no meu comportamento
- com problemas que não são da minha alçada e/ou não há nada que eu possa fazer diretamente para resolvê-los
- como Estado-fantoche de outra pessoa

será ignorado, bloqueado e terá acesso restrito a mim por um tempo, para aprender a deixar de ser babaca. e sai da frente, que o meu humor hoje tá inexistente.

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Quinta-feira, Abril 24, 2008

guanina

o Pedro Mexia citou, hoje, uma coisa que eu disse a ele no ano passado. e disse que leu aquilo e não podia negar. e não dá mesmo. nem por três vezes perante um espelho, nem por todo o amor do mundo ou o que for, e não se pode esconder. apenas conviver com isso e com a frase do William Faulkner, pelo resto da vida.

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

sofre



eu bem que merecia uma surra agora. mas não nesse sentido.

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Terça-feira, Abril 08, 2008

coisas que eu nunca te disse #25

I've been losing my mind
wasting my time
I'm not crazy, sure it seems like I'm lazy
let's get back to you
you been takin' it hard
I know it's hard
I'm not lying, sure it seems like I'm trying
to get back at you
do you miss me too?
baby say I'll miss you
just say you'll miss me too


(Wilco, "Say you miss me", 1996. ouvir essa música DÓI. e eu estou ouvindo sem parar no carro, o que é sintoma de masoquismo)

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Sábado, Abril 05, 2008

hidromassagem

algumas idéias submarinas, tranqüilamente deitadas no fundo do mar, dentro de cilindros metálicos, onde faz zero Kelvin. até o dia em que a sonoluminescência lhes acordar e, do nada, a fusão nuclear começar, e elas produzam o que se deve produzir: combustível estelar. e vai ser a primeira vez em que os seres humanos conseguirão controlar a fusão.

dali pra frente vai parecer brincadeira.

*

eu tinha de correr. mas a chuva e as pessoas andando na diagonal fizeram com que me atrasasse. se perdesse o trem das 5:16 da tarde, as coisas acabariam ali. eram 5:15 quando alcancei a estação, e desci em disparada pelas escadas. estava com minhas botas, e não com tênis de corrida, o que dificultava as coisas. quando cheguei à plataforma, vi as últimas pessoas embarcando e corri com as últimas forças, enquanto começava a soar o alarme de fechamento das portas: já eram 5:17 e eu não vi outra opção a não ser me atirar para dentro do trem. caí dentro enquanto o último alarme soava e, no chão, com todas as pessoas me olhando, tratei de fingir que nada havia acontecido. tudo bem: eram 5:17 e eu estava a caminho.

*

histórias reais para alimentar a tarde, ficções baratas para embalar a noite: a chuva me atrapalhou os planos de ver estrelas, e eu só vejo, agora, as extremamente necessárias - embora saiba que as outras estão presentes, apenas ocultas. inclusive as do passado, já que quando olhamos as estrelas no céu, invariavelmente aquela energia brilhante foi emitida há uns tantos anos-luz, mostrando que o pretérito nos acompanha e aquela frase do William Faulkner é cruelmente verdadeira.

mas, voltando às nuvens, mais próximas: não será melhor assim?

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Sexta-feira, Março 28, 2008

aristocracia

tenho dois textos sobre a visita da Carla Bruni para indicar, ambos trazidos a mim pela Lisa. mas peço para que coloquem "Promises like pie crust", cantado pela musa italiana, antes de ouvir.

o primeiro é esse aqui, a coluna do Ivan Lessa dessa semana. nele, o mestre manda uma bola no ângulo no último parágrafo:

A visita de Estado de Carla Bruni foi uma das mais espetaculares dos últimos anos, garantem aqueles que entendem do riscado.

o segundo, antológico, é do Gilles Lapouge, correspondente do "Estado de São Paulo" em Paris. e que, em uma só sentença, pega o Zeitgeist da história e ainda explica porquê eu sou monarquista:

Já era um conto de fadas, mas não era real. Ontem, em Londres, foi um conto de fadas de verdade, em pleno século 21. É essa a graça das grandes monarquias européias: elas flutuam sobre o tempo.

para quem quiser um pouco de fotos, tem aqui (obrigado, Lisa, por essa dica também).

(nota: apesar de não conter nenhuma entrelinha, esse post foi etiquetado como "prata" porque os textos são antológicos. e a primeira-dama da França, ainda mais)

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Sábado, Março 22, 2008

onírico

então eu estava na 106 sul, quinta-feira à noite, com vários amigos em volta. comida legal, Coca Light, conversa fluindo, ar-condicionado forte como deve ser, música boa. pensava em várias coisas: no pé-direito alto do lugar, em planos para o trabalho, em tomar vergonha na cara e levar algumas coisas a sério - mas nada fatal.

várias meninas lindas no ambiente, dentre elas uma versão melhorada da Britney Spears no auge. nem me aproximei delas, não achei que fosse preciso. apenas relaxei e constatei que ali eu era uma pessoa feliz. com dez quilos a mais, lutando a cada mês para equilibrar o orçamento e sem amar ninguém, mas feliz. e não me faltava absolutamente nada: até a paz de espírito, aquela desgraçada, estava ali comigo.

e quando começou a tocar "Relax, take it easy", aquela música do Mika que eu odiava apenas seis meses atrás, a última peça se encaixou. e eu não só vivi feliz para sempre naquela noite como ganhei coisas para pensar em todos os dias.

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Sábado, Março 08, 2008

kevlarsjäl

(a qualidade da imagem pode não ser grande coisa, mas o que interessa é o áudio)

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Sexta-feira, Março 07, 2008

receituário

estou doente. gripado. pela primeira vez desde que entrei na Telerj, diga-se de passagem. mas, a despeito dos anti-inflamatórios, anti-histamínicos e soro, estou precisando de um abraço. alguém aí me dá um?

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Sábado, Março 01, 2008

laranja

dormi bem essa noite. mas a próxima, sinto eu, tem que ser ainda melhor.

*

terça-feira acaba a última ajuda financeira que recebo do meu pai. não tem problema: vou ao cheque especial quantas vezes forem necessárias para quitar meu carro, pego quantos projetos paralelos forem necessários para viver a minha vida, não tem problema. afinal de contas, a meta é ser mais rico que o Eike Batista.

é só uma pena que justamente agora a VR e a Brooksfield entrem em promoção. ai, meu coração.

*

acho que vou mandar um mail ao meu ídolo Pedro Mexia fazendo uma pergunta polêmica. já fiz isso uma vez, e ele respondeu. duas não serão um exagero, serão?

*

não vou ao concerto do Roberto Dylan, no final de semana que vem, porque a gente sabe que Dylan bom é nos discos, e que ao vivo ele gosta de destruir as músicas. além disso, duvido muito que ele toque "Most of the time", que nesse momento é a música dele que eu mais gostaria de ouvir ao vivo, pela letra perfeita.

*

você acha mesmo que outra tomou o seu lugar no meu coração, meu amor? pense duas vezes.

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Sábado, Fevereiro 16, 2008

letargia

mais um post do Pedro Mexia que subescrevo:

O heterossexual «sofisticado» que gosta de Grace Kellys e um dia vê subitamente a necessidade imperiosa de Shannen Dohertys, Tiffany Amber Thiessens e Jennifer Love Hewitts.

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Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

dropes

em primeiro lugar: feliz dia dos namorados pra quem se interessa. em segundo lugar: feliz dia dos namorados pra quem não se interessa.

*

passei ali na Fnac e fiz um arrastão Carla Bruni: comprei os dois cds dela e ainda achei um Wilco baratinho, por fora. que bonito. comprar cds já tem um charme decadente, e hoje em dia eu só compro os que realmente interessam. sendo assim, fora com os inúteis.

*

pouco depois, enquanto esperava meu wrap de falafel, via as meninas passando pelo Parkshopping. tinha rolado um desfile de moda na Fnac pouco antes de eu chegar por ali, e as modelos ainda estavam na área.

olho pra capa do cd da Carla Bruni e penso em como a vida é bela. e em como meus amigos, em uma noite de álcool algumas semanas atrás, estavam errados sobre o modo como eu conduzo minha vida amorosa. chega meu wrap, acompanhado de um smoochie de frutas vermelhas, e eu esqueço o assunto, até que a próxima modelo me cruze a vista.

*

Bolsa de Valores é mais gostoso que beijar na boca. especialmente quando o mundo cai, tipo no pregão de hoje. uma pena que pouca gente vá entender isso um dia.

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Sábado, Fevereiro 09, 2008

William Thacker

era para ter entrado ontem um post sobre a noite de quinta-feira, mas a tradução para o alemão ainda não está pronta. o que dá pra adiantar é que eu virei fã do William Thacker, personagem do Hugh Grant em "Um lugar chamado Notting Hill".

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Domingo, Fevereiro 03, 2008

coisas que eu nunca te disse #18

I'm waiting for someone who just won't show
and every night it feels like there's no tomorrow
not that you will ever know

wherever you are I hope you're happy now
I'm caught in a dream and I can't get out
I'm caught in a dream
I'm caught in an endless dream


(Ryan Adams, "Elizabeth, you were born to play that part", 2005)

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Sábado, Fevereiro 02, 2008

dália púrpura 2

falando no Eike Batista, o novo ídolo deste blógue, a matéria da Exame com ele é imperdível. leiam e sejam mais capitalistas, por favor.

*

preciso retomar os estudos. dormi onze horas e, desta forma, não posso culpar o cansaço. mas a cabeça ainda parece fora do lugar. sabe quando você tenta voltar à realidade mas, por algum motivo, seus pensamentos estão em outro lugar? por ora estou assim, e não sei como voltar. fico, enquanto isso, divagando sem motivo aparente.

*

recomendei a alguns amigos que procurassem, no YouTube, por um documentário sobre a partida entre o Bobby Fischer e o Boris Spassky, em 1972, pelo título de campeão mundial de xadrez. duvido que alguém o tenha feito, o que é uma pena. deve ter sido um dos pontos altos da Guerra Fria.

*

Brasília está em plena fase da umidade, com chuvas caindo em pelo menos cinco de cada sete dias, e algumas delas bem fortes. mas eu estou pensando na seca, meu amor. nas folhas secas no seu jardim, na aridez dos teus sentimentos desde agora, na tosse rouca que me dá depois de fumar um Dunhill enquanto penso nisso. e você, que não pode me ver a fumar, escondida em sua redoma, com o umidificador ligado, a escrever coisas que nunca vou ler. nem eu, nem qualquer outra pessoa, já que esses muros entre eu e as suas dálias são intransponíveis.

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Sábado, Janeiro 19, 2008

coisas que eu nunca te disse #17

we’ve a nest here to build, we have memories to kill,
let’s waste sometime for a while.

what do you want with me, since you’ve seen I’ve been bad.
what do you want with me, can’t you see it’s so sad?
I have nothing to offer but a small selfish heart.
but I love you from your head to your toes, I do.


(Hefner, "Your head to your toes", 2000)

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Sábado, Janeiro 12, 2008

instantâneo

tu non mi hai dimenticato, amore mio. impare questo, primo di fare qualcosa a vanvera con il tuo cuore.

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Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

rifle

repetindo o lema de 2008, para que eu não esqueça: só se desilude quem se ilude. é bom que eu sempre tenha isso em mente. sempre. sem exceções.

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Domingo, Dezembro 30, 2007

esperando 4

ging voor een het drinken avond en, daar wat een grote verrassing, zij uit was. enkel zo mooi zoals de laatste tijd die ik, negen jaar hier heb gezien geleden. ik erkende haar wegens haar haar, dat onveranderd schijnt. en zij keek de zelfde manier: alleen, lichtjes droevig, diep.

ik denk ik enige ben wie haar deze manier bekijkt. vandaag heb ik gehoord zij opnieuw enig is. duidelijk heb ik geen kans, en ik heb zelfs geen redenen te proberen. maar de schoonheid houdt kwetsend. terug naar die avond, gebeurde niets. zij erkende me waarschijnlijk, maar bleef het zelfde.

ik kon haar voor het doen van absoluut niets zelfs danken. omdat het is precies wat zij tegenwoordig aan me bedoelt.

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Terça-feira, Dezembro 11, 2007

jangada

a mesma porta fechada, em outro ambiente. o mesmo calafrio, o mesmo piso acarpetado, o mesmo falatório, o mesmo apadrinhamento.

e tudo durou tão pouco que eu queria que fosse ainda menos.

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Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

coisas que eu nunca te disse #13

you're only a baby
you're lonely and maybe
someday soon you'll know
by dancing much faster
you're chancing disaster
time alone will show


(Noël Coward, "Poor little rich girl", 1925. regravada pelo Suede em 1998)

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Sábado, Dezembro 01, 2007

reportagem

palandi says: (21:38:30)
você tava no show da lily allen?
Gabriel says: (21:39:35)
estava cara . ela é muito foda: bem gata, toma jagermeister no gargalo, fala palavrão. em resumo , a mulher quase perfeita .

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Segunda-feira, Novembro 19, 2007

de novo

you got old and wrinkled,
I stayed seventeen.
you lusted after so many,
I lay here with one*.
you defied your solitude,
I came through alone.
you said you could never love me,
I undid your gown.


(Leonard Cohen, "Is this what you wanted", 1974)

* na verdade I didn't.

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Segunda-feira, Novembro 12, 2007

subterrâneo II

parece que a história a que eu me referi no "subterrâneo I", na última sexta-feira, ainda não acabou. parece.

e eu que estava pensando em "Nothing really ends" hoje cedo... essas coisas dão até calafrio.

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Sábado, Outubro 27, 2007

chega de saudade

durante muito tempo eu ouvi que ter uma boa memória ajuda. é um diferencial, você teoricamente pode ter mais assunto para conversar, mais conhecimentos, coisas assim.

mas descobri que ter boa memória não é bom. porque você pode se lembrar de coisas ruins ou tristes com muito mais facilidade.

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Sexta-feira, Outubro 26, 2007

distante

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Domingo, Outubro 21, 2007

zero

o Anônimo e o Marcio me chamaram pra ir a um show muito do foleiro hoje. três bandas que eu não suporto e uma que eu apenas tolero. apesar da presença dos amigos por lá, eu não vejo porque ir. pela presença, era melhor ir pro Martinica ou pro Segundo Clichê, ou qualquer outro bar assim. se a intenção fosse encher a cara, uma reprise da fuzarca da semana passada, aqui em casa, seria bem mais legal. e se eles estivessem solteiros e o negócio fosse mexer com mulher, eu não consigo pensar em porque ir a uma apresentação de bandinhas sem graça, ainda por cima paga.

sem contar as más vibrações do povo que vai a esses lugares.

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Segunda-feira, Outubro 15, 2007

tricampeão

votei no Estado Civil como melhor blógue de 2005 e 2006, e desde a primeira semana de 2007, quando o Pedro Mexia mandou um post antológico sobre não-me-lembro-o-quê, meu voto estava contaminado pela vontade de torná-lo tricampeão.

pelo que entendi de quando entrei nele hoje, o Estado Civil agora dá lugar ao Gattopardo, uma nova parceria do Pedro Mexia com o Pedro Lomba, desta vez sem o Francisco José Viegas - eles já haviam feito, entre 2004 e 2005, o Fora do Mundo, outro blógue espetacular.

na prática, é como se o Estado Civil continuasse existindo, porque o Pedro Mexia, até onde eu sei, não faz distinção sobre o blógue ser individual ou coletivo: ele escancara as coisas do mesmo jeito. pelo visto, vai levar medalha de ouro e de prata na votação deste ano.

logo logo eu troco o link ali do lado.

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Sexta-feira, Outubro 12, 2007

pera aí

minha irmã me veio, na terça, com o fato de que está cansada do Brasil. caiu na real, perdeu as esperanças, acha que o país não tem jeito e que nobody gives a damn about anything here. ou seja, a solução é próxima à portuguesa, se é que emigrar é uma solução. logo de saída ela veio falando do Reino Unido, embora, na área de atuação dela - biologia - o melhor é ver as condições de Canadá e Irlanda, países que querem gente das biológicas e das exatas.

disse isso pra ela e na quarta falei de um plano que ela pode fazer para sumir do país em um ano. ela gostou do que propus e prometeu colocar mãos à obra. aí ontem ela quase foi assaltada por um droguinha com uma garrafa de cola em mãos (ela mora em São Paulo, capital). e ficou com mais vontade ainda de sair daqui.

durante o tempo em que fiquei subaproveitado no trabalho, me recusando a fingir que planejava alguma coisa na Gerência de Planejamento, pensava todo dia em ir embora do país. apesar de falar inglês e italiano, e entender o espanhol, precisava ser para algum país onde pudesse escutar o português todo dia - minha cabeça doeu bastante depois de passar quatro dias trocando entre português e a mistura de espanhol e italiano que precisei falar para entender uns visitantes.

com essa história da Carol, a vontade de emigrar voltou, embora eu tenha, a princípio, dado um rumo para minha carreira. as opções são poucas. se eu fosse engenheiro, teria ido para o Timor Leste quatro anos atrás, ajudar a reconstruir o país e dar porrada em australianos gente-boa que também foram para lá. não sei a quantas anda a reconstrução local nem sei como um bacharel em Direito brasileiro pode ajudar, mas sempre me incomoda, no sentido de tomar uma providência, o fato de que há um lugar do outro lado do mundo onde há gente falando português e disposta a reconstruir suas vidas.

*

botei os amigos dentro do avião e lhes desejei uma boa viagem. quando dei as costas, vi que estava sozinho com a cidade. não é ruim - ao contrário, é bem agradável - mas dessa vez eu me senti como se tivesse que fazer alguma coisa com ela, e ainda estava ressoando nos meus ouvidos a conversa que tive ontem com o Anônimo, por telefone.

ainda não sei o que fazer, mas é hora de dormir um pouco, acordar mais tarde e trabalhar duro.

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Sexta-feira, Outubro 05, 2007

adoçante

pequenos passos, grandes conquistas.

- minha chefe pediu para que escrevesse um texto para um ofício. na verdade, um ofício que faz as vezes de carta-convite para presidentes de empresas. e que é assinado pelo presidente da minha empresa. quer dizer: um presidente vai assinar o que escrevi e outros presidentes vão ler o que escrevi. é tudo o que sempre quis. é tudo o que pedi em oito meses de braços cruzados e agora estou tendo. tive de fazer o tal ofício sete vezes até que ficasse do jeito que a chefe pediu. quando ela deu o "ok" para a sétima versão, perguntei se podia dar um gritinho de comemoração. ela consentiu e eu mandei um "woo-hoo", com voz fina e tudo, pra comemorar. ela riu demais.

- pouco antes eu havia recebido uma mensagem: vou te dizer que o pessoal adorou e querem, de qualquer jeito, que seja o nosso projeto. acharam mil vezes melhor do que os outros e agora vamos ter que finalizar até dezembro... pronto para isso? não, eu não estou pronto. mas mesmo assim vou fazer.

- e o Lúcio ainda colocou meu nome na lista de colaboradores da página dele. woo-hoo!

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Domingo, Setembro 30, 2007

Danuza Leão

A tal da carência

Recebi carta de um leitor me fazendo a célebre pergunta: "Afinal, o que querem as mulheres?". Ele e seu grupo de amigos têm em torno de 40 anos, trabalham, são simpáticos, separados das mulheres, alguns com filhos, outros sem, mas não conseguem uma namorada; estão achando que o que as mulheres querem é um homem bonito, de sucesso, rico, apaixonado e fiel. Será?

Não, leitor, você não tem razão. As mulheres, para começar, são todas diferentes umas das outras, não existem duas iguais. Uma é capaz de gostar de um homem feio, pobre e sem emprego, casado, com filhos, além de tudo infiel (até a você), e se apaixonar perdidamente. Aliás, o que faz uma pessoa se apaixonar por outra? Vai saber. Este é um dos grandes mistérios da vida.

Pelas qualidades não é; pela disponibilidade não é; pela capacidade de serem fiéis também não. O interesse por alguém bate ou não bate; quantas vezes homens lindos e charmosos chegam perto de uma mulher, cheios de amor pra dar, e nada, porque não bateu? E quantas outras vezes uma mulher viu um homem lá no fundo da sala sozinho, totalmente desligado, e dá aquela curiosidade de saber o que ele está pensando, já que não está rindo e dizendo bobagens ou coisas inteligentíssimas, sozinho com ele mesmo, e parecendo não precisar de nada nem de ninguém porque não precisa de ninguém para existir? Algumas mulheres gostam de ter sua curiosidade despertada, de um certo desafio, para poderem testar seu poder de sedução e conquista. Porque dizem que são os machos que caçam, mas algumas fêmeas também adoram caçar.

Talvez meu leitor esteja agindo de maneira óbvia demais, ao tentar ganhar uma mulher. Mulher é um bicho complicado, e se sentir que a parada está ganha, perde o interesse. Assim como fica muito evidente, quando uma mulher está desesperadamente procurando um homem -e dessas eles fogem como o diabo da cruz; quando eles estão querendo muito uma mulher, elas também sentem e não se interessam, a não ser que o interesse seja especificamente nela. E sabe por quê?

Porque fica claro que eles e elas não estão querendo aquele homem ou aquela mulher, mas qualquer um, qualquer uma, para suprir sua carência. E não há nada pior do que uma pessoa declaradamente carente. São os que estão sempre prontos para ver o filme que o outro quer, ir ao restaurante que o outro quer, que está sempre de acordo com suas opiniões, e antes de decidir qualquer coisa, procura saber primeiro o que o outro acha.

Quem entrar numa dessas vai se arrepender do dia em que nasceu. Porque os carentes jogam todas as suas fichas no outro; não têm vida própria, não têm prazeres pessoais, que seja ler um livro, jogar paciência ou ver vitrines, e é como se dependesse do outro para respirar. Amor é bom, mas se jogamos em cima do parceiro/a a responsabilidade por nossa vida e nossa felicidade, convenhamos, o peso fica muito grande.

Por isso, meu querido leitor, não fique procurando uma mulher para uma relação, digamos assim. Faça como Zeca Pagodinho: deixe a vida te levar e um dia, quando estiver distraído, ela vai aparecer, de mansinho, como quem não quer nada. Porque, percebendo que você não precisa dela para ser feliz, ela vai, quem sabe, até se apaixonar.

E não é isso que você quer?

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