Quarta-feira, Novembro 19, 2008

rútilo

às vezes uma pequena mudança na rotina traz grandes efeitos. ontem precisei tomar um táxi para buscar meu carro na concessionária, onde ele estava para corrigir um pequeno problema, que eu mesmo causei. no caminho, o motorista falava do trânsito em Brasília, e quando contei o caminho que fazia para voltar da Telerj para casa, ele me deu uma sugestão: andar por baixo mais um par de quadras, antes de subir ao Parque da Cidade.

segui a sugestão dele. saindo da 304, passei pelo caminho indicado, e vi um monte de árvores floridas num canteiro central e, do lado direito, os alunos de uma escola saindo da aula. e me senti bem vendo aquela cena, por pior que o trânsito pudesse estar - estava um pouco mais lento que o normal. a paisagem daquele pequeno trecho entre a 304 e a 904 sul, que bem poderia estar em alguma cidade de médio porte dos EUA, me fez lembrar, mais uma vez, que eu amo essa cidade. na semana passada o Craudio disse, como se eu tivesse alguma dúvida, que Brasília é a cidade. e eu só concordei.

enquanto isso, no tocador de cds do meu carro rolava o primeiro do Interpol, uma pequena obra-prima. desde o final de semana passado estou com "Hands away" na cabeça, sem motivo aparente. gosto daquele clima de flutuação que fica durante toda a música, coisa das guitarras, aquela sensação de que a música te leva a flutuar, mas com uma sensação tensa, apesar do seu corpo relaxado. dizendo assim é estranho, mas não é porque sentimos algo que existem palavras para definir a sensação.

e de alguma forma, o disco, a paisagem, a direção do carro e a sensação causada por uma pequena mudança fizeram com que eu me sentisse feliz naquele momento e tivesse consciência disso.

*

pouco depois, decidi adiantar minha ida à academia. além de pegar menos gente lá dentro (academia boa é academia vazia, mind it), saí de lá bem na hora do poente. e foi gostoso voltar pra casa enquanto a luz natural se apagava, enquanto pensava que estou mais forte do que ontem. de qualquer forma. e essa mudança de horário, tão banal, também foi boa. se vou adotar o hábito é outra coisa, mas é bom saber que continuo me sentindo bem com essas coisinhas frívolas...

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Domingo, Novembro 09, 2008

tetrationato

em tempo: "Quantum of solace" me deixou com ainda mais vontade de ir pra academia ficar forte e resistente. essa semana os 14 minutos na esteira vão virar 20. e tenho dito.

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Segunda-feira, Novembro 03, 2008

coisas que eu nunca te disse #35

I left my job, my boss, my car and my home
I'm leaving for a destination I still don't know
somewhere nobody must have duties at home
and if you like this, you can follow me
so let's go

follow me
and let's go
to the place where we belong
and leave our troubles at home
come with me
we can go
to a paradise of love and joy
a destination unknown


(Alex Gaudino & Crystal Waters, "Destination Calabria", 2006. clipe bem aqui, cortesia do Lelo)

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Quinta-feira, Outubro 30, 2008

el viento

a seguir, neste blog:

- como voltar à cidade que você mais odeia e não tirar o sorriso do rosto
- como não usar terno e se sentir elegante
- tudo sobre autenticidade
- kebab: modo de usar
- virando a mesa

tudo isso, e quem sabe ainda mais, neste blog. mas a partir de amanhã, meu amor.

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Terça-feira, Outubro 21, 2008

catedral

imprimi um mapa do Império Austro-Húngaro, mostrando como era a divisão étnica deles em 1911, e coloquei para adornar a minha baia. eu não entendo como um Estado desses durou quase sessenta anos. é pura nitroglicerina você juntar tedescos, húngaros, romenos, servo-croatas, rutenianos, tchecos, eslovacos, poloneses, eslovenos e uns italianos debaixo de um único governo - e ainda esperar que ele funcione.

e essa é a principal razão pela qual eu imprimi o mapa e o deixei aqui bem à minha vista: ele me faz lembrar que não basta resolver tudo no trabalho, tenho outras coisas na vida. e que, por mais que a vida não seja conciliar uma dezena de etnias debaixo de uma única nação, ela é tão desafiadora quanto isso, e pode ser mais bonita e duradoura do que foi esse império.

para quem quiser, o mapa está aqui.

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Domingo, Outubro 19, 2008

reage, Rio

primeira coisa a se constatar: este blógue não anda muito interessante. aliás, não anda nada interessante. então vamos tentar entender o que está acontecendo...

no trabalho, alguma movimentação. vocês devem ter lido no final desta semana coisas sobre a Telerj no noticiário, provavelmente coisas ruins. recomendo o editorial de ontem da "Folha de São Paulo", tão pesado quanto verdadeiro.

mas aí, não sei se pela forma como me envolvi nessas movimentações do trabalho ou pelo quê, mas ando me sentindo vazio fora dele. sem assunto para conversar com ela e com os amigos, sem me entusiasmar em sair de casa - até porque nem programas legais andam aparecendo. conversei sobre isso com a Lisa e falei de ontem, quando assisti o "Closer" na tevê: estava ali vendo o filme e constatei que a vida deles era bem movimentada. de repente, pensei "ah, mas são o Jude Law e a Natalie Portman, tá explicado". e não pensei mais no assunto.

conversando com a Camila eu lembrei do meu pai, que tem uma rotina para o final de semana que beira o absurdo, de tão metódica, de tão irremediavelmente previsível. com todo o respeito a ele, eu não quero isso pra minha vida. e nem esse marasmo em que ela agora está.

mas ufa, sorte que amanhã é segunda.

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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Portugal Telecom

sentado no sofá, assistindo meu computador recarregando baterias depois de passar horas num deserto de tomadas no Congresso. morando sozinho, descobrimos que a comida não cresce na geladeira e que de vez em quando precisamos levar o carro para beber gasolina. com o 307 abastecido e mafuzado até o sexto, agora estou pensando na lista de coisas a se comprar... palha de aço, água sanitária, detergente, desinfetante, desodorante, recheios para sanduíche, tahime, açaí, o que mais?

vou ver se dá tempo de descer no mercadinho com coisinhas diferentes, pra sair um pouco da rotina. quem sabe ache alguma coisa que faça o deslocamento valer a pena. eu não gosto de fazer supermercado, mas confesso que hoje a idéia cai bem. talvez porque, shame on me, faltarei à academia. saí tarde do trabalho, amanhã será um dia muito longo por conta de um evento na Telerj, vou ter de dar uma mão a uma galera de outras áreas. deseje-me sorte, deseje-me que eu saia vivo de quinta-feira. e quando eu dormir, não me deixe sentir frio. na sexta-feira eu volto a cuidar de você e te levo pra almoçar.

*

saindo do Congresso agora à noite, encontrei uma moça que trabalhou na Telerj por uns tempos - antes de eu entrar para lá, inclusive. ela me pergunta da próxima seleção, passo algumas informações e contemporizo. ela realmente quer entrar lá, eu digo que entendo. então ela me pergunta se eu gosto, digo que sim, mas que é temporário e que a médio prazo estarei longe dali.

então ela me disse algo que me fez perceber o quão longe já andei, e que às vezes não tenho consciência. fico um pouco sem graça, mas isso não dura dois minutos: eu amo a minha vida, mas sei que ela pode - e vai - melhorar muito. se eu acreditasse em destino, diria que certas coisas que sinto nessas horas são obra dele. como não são, there is only myself to blame.

o que não é necessariamente algo ruim, nesse caso.

*

mais um dia de disjuntor na bolsa. pena que não estive acompanhando mais de perto, já que fiquei o dia todo mergulhado em alguns assuntos. mas amanhã vai ser um dia especial - igual hoje, embora nem sempre percebamos. pieguice? um pouco. mas me desculpe, é a vontade de fazer com que cada dia seja assim.

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Terça-feira, Outubro 07, 2008

nectarina

com a minha cabeça ainda fora do lugar, não deu para falar ontem do final de semana. como todos aqui devem saber, tenho uma certa preguiça espiritual de voltar a Deprelândia e visitar meus pais. porque, apesar de serem meus pais, estar ali não é uma sensação muito agradável. mas tive um ótimo motivo para ir ao estado de São Paulo e, por tabela, ir até lá – mas, primeiro, até a capital.

tem certas companhias que são tudo de bom. que conseguem transformar uma cidade cinzenta e claustrofóbica em uma experiência deliciosa, uma viagem cansativa em puro descanso para a alma, um beijo em algo inesquecível. ela é assim, e quando a vi chegando, todo o meu desconforto de estar na maior cidade do país saiu do meu rosto e virou um sorriso que preencheu aquelas horas, junto com um frio na barriga que, na verdade, é questão de referencial: o coração é que estava aquecido.

bom demais sentir isso, não?

*

no dia seguinte, de volta à penitenciária a céu aberto onde cumpri vinte e três anos de detenção. voltei lá sem avisar ninguém, como sempre: não gosto que meus pais, minhas irmãs e meus amigos criem expectativas a meu respeito, não gosto mesmo. um calor infernal se abatia sobre a cidade, em véspera de eleição (meu título de eleitor foi transferido para Brasília), mas é bom deixar alguém feliz porque se está ali. o resto é aquilo que se espera: bucolismo, suco de morango com água tônica, algumas (poucas) novidades e, principalmente, a vontade de ver todo mundo em 24 horas.

24 horas? é, fiquei de um dia para outro. parece ser o tempo máximo que agüento na cidade, antes de derreter. Deprelândia é um lugar que realmente me deixa mal, mesmo que sem motivo. tirando por algumas pessoas e pela possibilidade de colocar a leitura em dia, já que não se há o que fazer, aquilo é realmente deprimente. tem alguém, acho que o Diogo Mainardi, que fala que mais importante que sair do Brasil é fazer com que o Brasil saia de você. e eu consegui fazer isso com Deprelândia: não me entusiasmo com o progresso a conta-gotas de lá, com a vida dali, não levo o lugar a sério, tampouco sinto saudades e, mais do que isso, não espero nada da cidade e da região. tipo um alheamento, sabe? o incômodo é apenas pelo tédio, não pela mediocridade em si. e assim vou lá apenas para cumprir o protocolo e para lembrar que, apesar de ainda não ter conseguido nem dez por cento do que quero, já consegui muita coisa e tenho muita sorte.

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

purê de batatas

o melhor de quinta-feira à noite é quando você pensa na sexta-feira e lembra que à noite vai ter açúcar e carinho, nessa ordem cronológica. e sorri, contando as horas para estar nas nuvens com isso, só voltando quando acordar um dia.

mas fazendo de tudo para que o sonho dure pra sempre.

*

ontem entrei no novo Fiat Linea (versão básica, apenas com câmbio Dualogic) e constatei umas coisas. é um carro bem estreito, de modo que andar com três pessoas no banco de trás é uma missão impossível, pelo parco espaço para os ombros. o descansa-braço, então, é risível. mas é um carro bem acabado, com plásticos bons, a excelente idéia de ter duas cores pro revestimento, motores bem desenvolvidos e, importante ressaltar, airbags laterais e de cortina como opção. se a Ford incluísse as opções de cores e de airbags no novo Focus, por exemplo, seria um carro perfeito. como não o fez, é apenas mais um que vou preterir em 2010. e no Linea eu nem penso.

*

você já teve a sensação de trabalhar em uma coisa e estar preso a outra que escolheu deixar, mas não sabe se fez bom negócio? ando me sentindo assim por esses dias. mas provavelmente é circunstancial (respiro fundo). tem que ser.

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Sexta-feira, Setembro 19, 2008

incandescente

umas duas semanas atrás eu entrei na página de uma faculdade que tem um curso de pós-graduação muito interessante, mas que eu não iria fazer porque a partir deste ano ele passou a ser pela internet - sou das antigas e não troco a sala de aula por nada. ele continua nesse esquema, então decidi procurar outro, e achei um na Universidade de Brasília. como é bem a cara do que eu quero e a instituição é ainda melhor, pensei "nossa, deve ser concorridíssimo", já preparando o espírito para a próxima seleção, que deve ocorrer dentro de alguns meses.

aí soube que esse ano não houve curso por conta da baixa demanda. ano que vem farei a minha parte para que isso não se repita.

*

tem uma grua aqui à minha esquerda, na janela do décimo sétimo andar: ela constrói um prédio a trezentos metros daqui, vigorosamente. a obra tem causado um transtorno no Setor Comercial Sul, que já é engarrafado pela idéia djenial de enfiarem um tribunal ali no meio. são dois prédios lado a lado, ambos ainda em sua estrutura.

eu adoro esqueletos de prédio, adoro esse visual de obra em andamento, as telas alaranjadas, as vigas... toda essa paisagem "industrial". quando ia de ônibus a São Paulo, não deixava de sentir um certo carinho por aqueles prédios na região de Guarulhos, mesmo sabendo que odiaria trabalhar num lugar assim, ou mesmo morar perto daquilo. mas eles dão belas fotos e suscitam aquela velha dúvida sobre o que é/será/foi feito ali, e isso já é suficiente.

*

segunda-feira meu recorde de 4 minutos de corrida ininterrupta na esteira virou 10. e ontem virou 11 (com direito a "ieeeiiii"). se no final do ano eu conseguir correr 20 minutos sem parar é porque tem algo de errado.

mas algo de errado não é necessariamente ruim, é?

*

fiz a minha primeira compra na Estante Virtual: um exemplar do "Abaixo de zero", do Bret Easton Ellis, há alguns anos fora de catálogo no país. paguei uma ninharia, e espero que chegue logo. sabe o que é gostar da história de um livro, do título de um livro, sem tê-lo lido? é essa expectativa.

e por falar em história de livro, a do novo do Will Self parece algo do tipo Seinfeld meets Kafka. senão, vejamos:

"The Butt" begins with Tom Brodzinski—who sounds an awful lot like the author—carelessly flicking his final cigarette over a balcony. Unfortunately, for him, he hits a tourist. As a result, he's charged with assault with a deadly weapon, and is forced to stand trial.

*

alívio no mundo: ao contrário do que eu pensava, a Rolex ainda faz o Explorer I. tirar de circulação algo tão eterno quanto um relógio com esse desenho seria covardia.

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Quinta-feira, Setembro 11, 2008

dilaudid II

essa semana eu quase pensei em desistir de metade das minhas coisas. uma metade em que eu venho apostando e brigando para que dê certo, que venho perseguindo e dedicando tempo, esforços, potássio, tudo que posso. e sempre mais, sempre mais. mas quando estava saindo de casa, hoje cedo, fui procurar um disco pra ouvir e achei o "Dog man star"... e é incrível ver como ouvir "The power", "New generation" e "Black or blue", nessa seqüência, me anima. se o Suede ali era uma banda à beira do colapso e produziu um disco perfeito, eu, que não estou à beira de um colapso, também posso fazer coisas legais. nem que para isso eu precise dobrar a aposta.

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Quarta-feira, Setembro 03, 2008

bachianas

Se todo mundo acha que há trabalhos manuais inumanos, por que ninguém acha que há trabalhos intelectuais inumanos? Algum dia robôs liberarão a mente humana da necessidade de tomar conhecimento de qualquer artigo ou inciso da CF/88? Qual a diferença em termos de felicidade humana entre ler qualquer artigo ou inciso da CF/88 e trabalhar numa mina de enxofre? Onde está o Sebastião Salgado para tirar fotos cheias de pathos e luz e sombra de advogados frequentando varas cíveis, comendo pastel de palmito etc?

Alexandre Soares Silva, dizendo melhor aquilo que eu gostaria demais de ter dito.

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Segunda-feira, Agosto 25, 2008

matéria

um final de semana daqueles lindos. caramba, foi bom demais. no sábado, apesar de ter sido acordado por brasileiros comemorando a medalha de ouro no vôlei feminino, o passeio pela exposição de carros antigos, no Pontão, foi bom demais. um monte de carros legais à beira do lago - que continua sendo meu cartão-postal preferido de Brasília - umas meninas com roupas de época fazendo figuração, um picolé de goiaba e um dia bonito: não precisava de mais nada. mas ainda tinham dois rabos-de-peixe vindos de cinco décadas atrás: um Cadillac De Ville e um Ford Thunderbird. uou.

à noite, uma festa no Lago Norte, na casa do Davi Barranco. a festa em si tava muito ruim (não deixem a Clarissa dar som, por favor. gosto muito dela, mas como DJ não dá. e nem deixem o Cochlar também), não tinha nem uma Coca-Cola pra beber. mas a companhia dos amigos era boa... e o desfecho da noite foi ainda melhor, nota dez mesmo. chegando em casa, constatei que o Brasil era prata no vôlei e fui dormir. eram quatro da manhã e fui acordar... às quatro da tarde.

com o domingo todo perdido na cama, fui assistir "O procurado" e gostei do filme e de tudo o que rolou em volta. como tinha comido bem pouco durante o dia, dei-me ao luxo de provar esse China Burger do McDonald's: é bom, mas o gosto chinês do sanduíche era apenas um gergelim pouco pronunciado no molho. tá bom, McDonald's é como o acústico do Capital Inicial, feito pra não ofender ninguém... mas esperava um pouco mais. só que foi pouco pra macular o final de semana. e você, como foi de sábado e domingo? conta aí nos comentários.

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Sábado, Agosto 23, 2008

geito

(é, com "g" mesmo)

o Brasil acabou de ser campeão olímpico de vôlei feminino. ótimo, parabéns, eu só torço contra no futebol. mas aí o repórter da Globo, querendo falar com as campeãs, diz ao narrador "vamos falar com elas, mesmo que seja proibido". o narrador responde: "se cassarem sua credencial não tem problema, porque amanhã você já não tem mais que trabalhar". depois, vendo a algazarra das moças - dentro dos limites impostos pela organização, diga-se - o narrador, que é esse mesmo que você está pensando, manda um "é bom quando o Brasil ganha porque quebra o protocolo".

do orgulho à vergonha (por causa desse maldito jeitinho brasileiro) em dois minutos. é um novo recorde olímpico.

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Domingo, Agosto 17, 2008

lenta

a coisa mais engraçada do dia - que ainda está no começo - está bem aqui.

(dica do Luciano)

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

sobrenatural

there's a ghost in me
who wants to say "I'm sorry"
doesn't mean I'm sorry


eu entendo perfeitamente a Helen Marnie cantando isso em "Ghosts", uma das músicas do novo disco do Ladytron - a melhor coisa que foi lançada em 2008.

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Sábado, Agosto 02, 2008

físico

does your body create antibodies to protect yourself from somebody else?

mine does.

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Segunda-feira, Julho 28, 2008

câmbio

você já teve a sensação de que sua vida está ficando muito fácil e que, por gostar de um desafio, teria que dificultá-la? eu estou me sentindo assim agora.

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Quinta-feira, Julho 24, 2008

leveza

bem que eu estava precisando de uma música bem leve, bem suave, pra ouvir abraçado com o meu travesseiro. por enquanto, meu amor.

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Domingo, Julho 20, 2008

ah, sim

não parece, mas chegamos a mais um número redondo: esse aqui é o post de número 7 mil deste blog desde sua criação, em novembro de 2002 (não sei porquê, mas os arquivos anteriores a 2006 não aparecem).

comemoração? é, acho que deveria ter. mas como é que eu faço? pensei em chamar os amigos e quase todos os leitores deste blog para uma reuniãozinha no Bierfass, ou então para uma sessão de filme do Canal Brasil aqui em casa, mas tem que ser a da madrugada. outra coisa que eu pensei foi em acabar com o blog, mas depois que arrumei uma solução paralela para ter menos problemas com ele, não faz o mesmo sentido.

eu nem sei se tenho assunto pra tantas entradas aqui, mas enrolando chegou-se a sete mil. no final das contas isso aqui só serve pra uma coisa: memória. ao contrário da Rede Globo, eu não tenho um Cedoc (centro de documentação), então serve para que um dia eu me lembre de alguma coisa que tenha feito, dito, pensado. vou acessar aqui e ver que, se tive a mesma idéia naquele dia é porque, no fundo, sou um cara previsível e repetitivo - ou então a idéia é boa mesmo.

mas bem, espero fazer mais sete mil. e que, aos catorze mil posts, eu esteja ainda melhor do que estou agora. obrigado a quem lê... e vamos em frente.

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Quinta-feira, Julho 10, 2008

quilate

coloquei no Portal do Geólogo uma historinha sobre ter foco e acreditar nas coisas. se eu fosse você, leria isso agora.

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Terça-feira, Julho 08, 2008

vila nova

amanhã tem bomba. mas não é só uma: são quatro, que farão mil estrondos ao mesmo tempo, que farão com que corramos, unidos e desencontrados, por um raio de dois quilômetros, a alguns metros abaixo da superfície.

mas quem sobreviver pode ter uma certeza: estará mais forte.

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Segunda-feira, Julho 07, 2008

laçarote

já vi esse filme antes. mas quem sabe o diretor gravou dois finais diferentes, não?

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Terça-feira, Junho 17, 2008

lanternagem

coincidência é sempre uma bobagem, em qualquer proporção, mas o Pedro Mexia se supera: tá aqui o novo post do ano. e a coincidência por trás dele eu não conto.

*

mas ele disse, no ano passado, que o ciúme não tem olhos verdes. eu neguei isso à época, por experiência própria, e hoje tive mais uma prova no mesmo sentido. eu gosto de provar algumas coisas por A+B, eu gosto de provar outras coisas por qualquer que seja o método.

ficar sem provar é que pode ser uma prova difícil.

*

a Scarlett Johansson cantando é um saco, hein? Helen Marnie nela!

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Sexta-feira, Junho 13, 2008

coisas que eu nunca te disse #28

how does your body feel today?
I forgot to ask
genius in a hospital bed
with her brier patch hair, it just isn't fair
taking bullets for a team of bad poets, how is it up there?


(Ryan Adams, "City rain, city streets", 2003)

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Quinta-feira, Junho 12, 2008

empório / empire

uma série de bastidores sobre um evento importante, todos podendo serem contados. mas um leve travo de amargura, ao lembrar da decadência. não precisava ser assim, e nem foi por minha culpa, mas as coisas haverão de mudar. nos bastidores o quadro não era dos mais animadores, mas um dia eu mudo tudo isso.

*

um banho quente e um sanduíche quente, feito pela Pizzaria Dom Bosco, antes de uma notícia quente esfriar na frente de todos. eu estava ali, mas é como se não estivesse. não naquele estrato (com S, nesse caso), não naquele mundo. mas, depois de ter a bússola no bolso, eu tenho um relógio no pulso esquerdo. e não é qualquer coisa que pode me deter.

*

vontade de ouvir o "Wish you were here", do Pink Floyd, e pensar em deslocamentos: acrescentar um GPS à minha vida. e, antes de disparar em meio às seis faixas do Eixo Monumental, ter uma boa noite de sono e pensar além.

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Sexta-feira, Junho 06, 2008

sensor

Pedro Mexia fez, como sempre, o post do ano. e essa é verdade.

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Quinta-feira, Junho 05, 2008

o princípio Oliveira

eu estou na Tecnasa
trabalhando como se dono fosse
e agora o jeito é fazer isso até ser chamado para a Romatel da minha vida.

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Sábado, Maio 31, 2008

bis

café da manhã de hotel é tudo de bom, né? ainda mais com uma boa companhia... :)

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Domingo, Maio 25, 2008

debate

o falecido Mark Sandman propõe o tópico para discussão, desta vez:

she was a hell of a woman, from a hell of a town
she took me all the way, it was a long way down
she makes me wonder, wonder, all day long
can a good woman ever be found?
can a good woman never be found?


até agora, nenhuma resposta.

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Terça-feira, Maio 20, 2008

Gold Coast

mais uma coluna antológica do João Pereira Coutinho, dessa vez publicada na Folha desta terça. tá virando rotina, mas o que ele escreve costuma triturar qualquer coisa que eu pense, qualquer inspiração para escrever aqui etc.

*
Uma miss à minha porta

Foram anos e anos e anos em busca das mulheres mais belas. Não fui caso único. E poderia dizer, como um escritor beat decadente, que vi as melhores mentes da minha geração destruídas por ruivas de olhos verdes e morenas de cabelo negro. Mas uma loira genuína com a pele pintada a ouro? À minha porta? Ah, isso não é justo. Nem real. Tudo começou com uma oferta da senhoria. Eu, rapaz solteiro, com vida dissoluta, estaria interessado nos serviços de uma empregada doméstica três vezes por semana?

Contemplei as camisas por passar. Lembrei, com repulsa, a louça em forma de Everest na cozinha. Disse que sim. Sem entusiasmo. No dia seguinte, a empregada chegou. E antes de eu chegar a ela, um pouco de história, por favor. Leitores, o que aconteceu em 1991? Eu respondo: em 1991, a antiga União Soviética era sepultada. Ficaram apenas herdeiros festivos: russos, ucranianos, armênios, moldavos, lituanos. Uma salada. Os anos seguintes não foram fáceis: com o capitalismo à solta em solo virgem, as antigas repúblicas soviéticas caíram na inflação e na escassez e começaram a exportar gente para os quatro cantos da Europa.

Não falo apenas de gente pobre. Falo de gente que ficou pobre de um dia para o outro. Em qualquer cidade da Europa ocidental era possível encontrar advogados servindo em cafés ou antigos ministros trabalhando na construção civil. Cheguei a conhecer um médico moscovita que, depois da derrocada, era motoboy em Portugal. Já tinha visto de tudo. Mas nunca vira uma antiga candidata a miss fazendo limpezas. Chama-se Emma e, na década de 90, ela concorria ao título ucraniano. Perdeu, não me perguntem como. Depois, a família não agüentou a crise, Emma partiu com a irmã para Madri e finalmente aterrou em Portugal. Aterrou em minha casa.

Era Proust, creio, quem dizia que as mulheres bonitas eram para homens sem imaginação. Se Proust estava certo, então eu sou uma pedra em forma humana. Não, ela não é bonita. Ela transforma a capela Sistina em grafite urbano. Ela reduz qualquer escultura de Rodin a um monte de sucata. Os cabelos, longos, terminam onde começa um pescoço que faria as delícias de Bela Lugosi. Os olhos, de um azul como já não existe nos céus de Lisboa, sorriem mesmo quando ela não sorri. E, quando o sorriso acontece em lábios generosos e de um vermelho que dispensa qualquer pintura, o rosto ganha uma luz que pode levar qualquer homem à cegueira. O corpo é perfeito. Como sei? Pelos pés: pequenos, esguios, ligeiramente ruborizados. Ela trabalha descalça e gosta de caminhar como as bailarinas. Ou como os gatos. Silenciosa e nas pontas.

Começou no mês passado. Segundas, quartas e sextas. Achei melhor incluir também as terças. E as quintas. E depois o sábado. E o domingo. E o dobro do salário nos dias feriados. Oito horas por dia? Não. Doze. Na impossibilidade de serem 24. E nada de limpezas. Limpezas, princesa? Com essas mãos tão delicadas? Eu limpo, ela existe. E amigos vários, incrédulos ao início, já começaram a fazer excursões à casa como certos peregrinos a lugares sagrados. Chegam, acampam. Alguns pedem para levar uma relíquia da santa: um fio de cabelo, uma unha, um dente. (Um dente?) Eu sou como um policial em filme de Hollywood, depois de selar o local do crime. "Dispersem, por favor. Não há nada para ver."

Mas há tudo para ver. Imagens do concurso de miss, que ela mostrou em fotos da época. Algumas canções ucranianas, que aprendo a balbuciar com a atenção cirúrgica de um aluno aplicado. Troquei o uísque pela vodca. Experimentei arenque (que delícia! como foi possível acreditar que o bacalhau era o supremo peixe?). Também sou capaz de reproduzir os passos mais elementares de uma dança típica. E sem qualquer esforço, apesar das cãibras permanentes que me fazem gemer a noite toda. E já digo "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" na língua retorcida dos nativos. Quando chegar a um nível mais profissional, resolvo tudo com um "casa comigo" e depois parto com ela para a lua-de-mel em Kiev.

Anos e anos e anos em busca das mulheres mais belas. Mas foi o fim do comunismo e a entrada arrasadora do capitalismo que trouxe uma miss à minha porta. E logo agora, que eu começava a ficar um pouquinho mais esquerdista. Desculpem, camaradas. Mas, como diria o velho Karl, a cada um segundo suas necessidades.

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Quarta-feira, Maio 14, 2008

o cara



tá. você já leu por aí um monte de coisas sobre o aniversário de dez anos da morte dele, Francis Albert Sinatra (1915-1998). a data é hoje. e, dez anos depois de nos deixar, Frank Sinatra continua sendo o cara.

mas "o cara", no caso, é pouco. ele foi o cara que você quer ser, o cara que eu quero ser, o cara que meus filhos vão querer ser. e que, invariavelmente, não seremos. não porque não mereçamos, tampouco que nossas vidas serão umas merdas: não é isso. é porque Frank Sinatra só tem um. eu já disse aqui, sete anos atrás, que ele foi o maior rockstar de todos os tempos. já transcrevi aqui uma matéria sensacional da Maxmen de Portugal, publicada por ocasião do nonagésimo aniversário de seu nascimento. e meu irmão mais velho hoje colocou aqui mais um belo texto sobre o homem, e que prenuncia nosso próximo livro, "Como Frank Sinatra pode mudar sua vida", a ser lançado em meados de 2009.

aliás, Frank Sinatra realmente mudou minha vida:

- "In the wee small hours" foi um daqueles discos que me deixou de queixo caído da primeira vez que ouvi, e a cada vez que descobria algo novo sobre ele;
- você nunca o viu, em foto alguma, desarrumado. por essa razão eu tento, cada vez mais fortemente, andar impecável;
- ele me ensinou que honra, valores familiares e amigos são tudo na vida;
- todo homem tem uma Ava Gardner. e a vida continua, apesar dela.
- finalmente, que diabos é a interpretação dele para "My way"? Frank Sinatra não canta essa música, ele decreta a letra. você pode não gostar, mas jamais, durante a música, deixa de acreditar que ele viveu tudo aquilo em cada palavra, cada sílaba, cada letra. e acaba concordando com ele, porque ele canta de um jeito em que aquilo vira uma verdade universal.

por essas e outras, descanse em paz, meu caro Frank.

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Segunda-feira, Maio 05, 2008

Morse

um post em código Morse, para tentar telegrafar o que sinto...

- primeiro dia na nova área onde trabalho, aquela onde fiquei quinze meses tentando entrar. é estranho, porque é um sonho realizado - algo que você não faz todos os dias. é bem verdade que só peguei 20% do negócio até agora, e estou tentando assimilar tudo logo, caminhar com as próprias pernas, fazer o trabalho de todos render. é difícil? dane-se, eu consigo.

- como consigo, também, aprender a conviver com sentimentos menos nobres e a não deixá-los atrapalhar minha vida nessa nova vida. não é?

- curiosamente, minha primeira missão na nova área foi ajudar a primeira onde trabalhei. voltar, por cima da carne seca, para dar palpites num trabalho onde lá atrás, oito meses atrás, não quiseram os meus palpites. engulo o passado? não. apenas dou o melhor de mim pelo trabalho durante o tempo que isso durar, depois baixo o olhar e sigo em frente. um pouco mais forte, como sempre.

- daqui pra frente, um novo hábito a se incorporar: levar o notebook para o trabalho, pelo menos três vezes por semana. e não se deixar impressionar por certas coisas monocromáticas que passam pelo caminho.

- começou a contagem regressiva: faltam dez anos para eu chegar à diretoria da Telerj. dez anos. poderia ser mais fácil, mas há uma série de fraturas pelo caminho. e de gente que, seduzida pela estabilidade, preferiu a acomodação nos andares de cima.

- também comecei uma outra coisa: se a Skol tem uma campanha publicitária com o bordão "vamo armá o buteco aê" (sic), eu estou lançando a campanha "vamos armar o Fasano aí", para transformar qualquer biboca sem classe em um lugar como os desse grande grupo hoteleiro e gastronômico. porque quem nasce pra Mário Garnero nunca se contenta com vidinha de funcionário público.

- são casos especiais, não pense que o seu está no meio.

tentei escrever algo bem claro e que não precisasse de grandes conhecimentos para ser lido, mas não deu. de toda forma, é isso o que tinha de dizer.

(nota: esse post foi escrito durante o dia e, agora à noite, foi só subi-lo para cá. boo.)

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Segunda-feira, Abril 28, 2008

nota

quem aparecer hoje:

- me cobrando alguma coisa sentimental
- comentando de alterações no meu comportamento
- com problemas que não são da minha alçada e/ou não há nada que eu possa fazer diretamente para resolvê-los
- como Estado-fantoche de outra pessoa

será ignorado, bloqueado e terá acesso restrito a mim por um tempo, para aprender a deixar de ser babaca. e sai da frente, que o meu humor hoje tá inexistente.

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Quinta-feira, Abril 24, 2008

guanina

o Pedro Mexia citou, hoje, uma coisa que eu disse a ele no ano passado. e disse que leu aquilo e não podia negar. e não dá mesmo. nem por três vezes perante um espelho, nem por todo o amor do mundo ou o que for, e não se pode esconder. apenas conviver com isso e com a frase do William Faulkner, pelo resto da vida.

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

sofre



eu bem que merecia uma surra agora. mas não nesse sentido.

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Terça-feira, Abril 08, 2008

coisas que eu nunca te disse #25

I've been losing my mind
wasting my time
I'm not crazy, sure it seems like I'm lazy
let's get back to you
you been takin' it hard
I know it's hard
I'm not lying, sure it seems like I'm trying
to get back at you
do you miss me too?
baby say I'll miss you
just say you'll miss me too


(Wilco, "Say you miss me", 1996. ouvir essa música DÓI. e eu estou ouvindo sem parar no carro, o que é sintoma de masoquismo)

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Sábado, Abril 05, 2008

hidromassagem

algumas idéias submarinas, tranqüilamente deitadas no fundo do mar, dentro de cilindros metálicos, onde faz zero Kelvin. até o dia em que a sonoluminescência lhes acordar e, do nada, a fusão nuclear começar, e elas produzam o que se deve produzir: combustível estelar. e vai ser a primeira vez em que os seres humanos conseguirão controlar a fusão.

dali pra frente vai parecer brincadeira.

*

eu tinha de correr. mas a chuva e as pessoas andando na diagonal fizeram com que me atrasasse. se perdesse o trem das 5:16 da tarde, as coisas acabariam ali. eram 5:15 quando alcancei a estação, e desci em disparada pelas escadas. estava com minhas botas, e não com tênis de corrida, o que dificultava as coisas. quando cheguei à plataforma, vi as últimas pessoas embarcando e corri com as últimas forças, enquanto começava a soar o alarme de fechamento das portas: já eram 5:17 e eu não vi outra opção a não ser me atirar para dentro do trem. caí dentro enquanto o último alarme soava e, no chão, com todas as pessoas me olhando, tratei de fingir que nada havia acontecido. tudo bem: eram 5:17 e eu estava a caminho.

*

histórias reais para alimentar a tarde, ficções baratas para embalar a noite: a chuva me atrapalhou os planos de ver estrelas, e eu só vejo, agora, as extremamente necessárias - embora saiba que as outras estão presentes, apenas ocultas. inclusive as do passado, já que quando olhamos as estrelas no céu, invariavelmente aquela energia brilhante foi emitida há uns tantos anos-luz, mostrando que o pretérito nos acompanha e aquela frase do William Faulkner é cruelmente verdadeira.

mas, voltando às nuvens, mais próximas: não será melhor assim?

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Sexta-feira, Março 28, 2008

aristocracia

tenho dois textos sobre a visita da Carla Bruni para indicar, ambos trazidos a mim pela Lisa. mas peço para que coloquem "Promises like pie crust", cantado pela musa italiana, antes de ouvir.

o primeiro é esse aqui, a coluna do Ivan Lessa dessa semana. nele, o mestre manda uma bola no ângulo no último parágrafo:

A visita de Estado de Carla Bruni foi uma das mais espetaculares dos últimos anos, garantem aqueles que entendem do riscado.

o segundo, antológico, é do Gilles Lapouge, correspondente do "Estado de São Paulo" em Paris. e que, em uma só sentença, pega o Zeitgeist da história e ainda explica porquê eu sou monarquista:

Já era um conto de fadas, mas não era real. Ontem, em Londres, foi um conto de fadas de verdade, em pleno século 21. É essa a graça das grandes monarquias européias: elas flutuam sobre o tempo.

para quem quiser um pouco de fotos, tem aqui (obrigado, Lisa, por essa dica também).

(nota: apesar de não conter nenhuma entrelinha, esse post foi etiquetado como "prata" porque os textos são antológicos. e a primeira-dama da França, ainda mais)

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Sábado, Março 22, 2008

onírico

então eu estava na 106 sul, quinta-feira à noite, com vários amigos em volta. comida legal, Coca Light, conversa fluindo, ar-condicionado forte como deve ser, música boa. pensava em várias coisas: no pé-direito alto do lugar, em planos para o trabalho, em tomar vergonha na cara e levar algumas coisas a sério - mas nada fatal.

várias meninas lindas no ambiente, dentre elas uma versão melhorada da Britney Spears no auge. nem me aproximei delas, não achei que fosse preciso. apenas relaxei e constatei que ali eu era uma pessoa feliz. com dez quilos a mais, lutando a cada mês para equilibrar o orçamento e sem amar ninguém, mas feliz. e não me faltava absolutamente nada: até a paz de espírito, aquela desgraçada, estava ali comigo.

e quando começou a tocar "Relax, take it easy", aquela música do Mika que eu odiava apenas seis meses atrás, a última peça se encaixou. e eu não só vivi feliz para sempre naquela noite como ganhei coisas para pensar em todos os dias.

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Sábado, Março 08, 2008

kevlarsjäl

(a qualidade da imagem pode não ser grande coisa, mas o que interessa é o áudio)

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Sexta-feira, Março 07, 2008

receituário

estou doente. gripado. pela primeira vez desde que entrei na Telerj, diga-se de passagem. mas, a despeito dos anti-inflamatórios, anti-histamínicos e soro, estou precisando de um abraço. alguém aí me dá um?

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Sábado, Março 01, 2008

laranja

dormi bem essa noite. mas a próxima, sinto eu, tem que ser ainda melhor.

*

terça-feira acaba a última ajuda financeira que recebo do meu pai. não tem problema: vou ao cheque especial quantas vezes forem necessárias para quitar meu carro, pego quantos projetos paralelos forem necessários para viver a minha vida, não tem problema. afinal de contas, a meta é ser mais rico que o Eike Batista.

é só uma pena que justamente agora a VR e a Brooksfield entrem em promoção. ai, meu coração.

*

acho que vou mandar um mail ao meu ídolo Pedro Mexia fazendo uma pergunta polêmica. já fiz isso uma vez, e ele respondeu. duas não serão um exagero, serão?

*

não vou ao concerto do Roberto Dylan, no final de semana que vem, porque a gente sabe que Dylan bom é nos discos, e que ao vivo ele gosta de destruir as músicas. além disso, duvido muito que ele toque "Most of the time", que nesse momento é a música dele que eu mais gostaria de ouvir ao vivo, pela letra perfeita.

*

você acha mesmo que outra tomou o seu lugar no meu coração, meu amor? pense duas vezes.

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Sábado, Fevereiro 16, 2008

letargia

mais um post do Pedro Mexia que subescrevo:

O heterossexual «sofisticado» que gosta de Grace Kellys e um dia vê subitamente a necessidade imperiosa de Shannen Dohertys, Tiffany Amber Thiessens e Jennifer Love Hewitts.

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Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

dropes

em primeiro lugar: feliz dia dos namorados pra quem se interessa. em segundo lugar: feliz dia dos namorados pra quem não se interessa.

*

passei ali na Fnac e fiz um arrastão Carla Bruni: comprei os dois cds dela e ainda achei um Wilco baratinho, por fora. que bonito. comprar cds já tem um charme decadente, e hoje em dia eu só compro os que realmente interessam. sendo assim, fora com os inúteis.

*

pouco depois, enquanto esperava meu wrap de falafel, via as meninas passando pelo Parkshopping. tinha rolado um desfile de moda na Fnac pouco antes de eu chegar por ali, e as modelos ainda estavam na área.

olho pra capa do cd da Carla Bruni e penso em como a vida é bela. e em como meus amigos, em uma noite de álcool algumas semanas atrás, estavam errados sobre o modo como eu conduzo minha vida amorosa. chega meu wrap, acompanhado de um smoochie de frutas vermelhas, e eu esqueço o assunto, até que a próxima modelo me cruze a vista.

*

Bolsa de Valores é mais gostoso que beijar na boca. especialmente quando o mundo cai, tipo no pregão de hoje. uma pena que pouca gente vá entender isso um dia.

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Sábado, Fevereiro 09, 2008

William Thacker

era para ter entrado ontem um post sobre a noite de quinta-feira, mas a tradução para o alemão ainda não está pronta. o que dá pra adiantar é que eu virei fã do William Thacker, personagem do Hugh Grant em "Um lugar chamado Notting Hill".

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Domingo, Fevereiro 03, 2008

coisas que eu nunca te disse #18

I'm waiting for someone who just won't show
and every night it feels like there's no tomorrow
not that you will ever know

wherever you are I hope you're happy now
I'm caught in a dream and I can't get out
I'm caught in a dream
I'm caught in an endless dream


(Ryan Adams, "Elizabeth, you were born to play that part", 2005)

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Sábado, Fevereiro 02, 2008

dália púrpura 2

falando no Eike Batista, o novo ídolo deste blógue, a matéria da Exame com ele é imperdível. leiam e sejam mais capitalistas, por favor.

*

preciso retomar os estudos. dormi onze horas e, desta forma, não posso culpar o cansaço. mas a cabeça ainda parece fora do lugar. sabe quando você tenta voltar à realidade mas, por algum motivo, seus pensamentos estão em outro lugar? por ora estou assim, e não sei como voltar. fico, enquanto isso, divagando sem motivo aparente.

*

recomendei a alguns amigos que procurassem, no YouTube, por um documentário sobre a partida entre o Bobby Fischer e o Boris Spassky, em 1972, pelo título de campeão mundial de xadrez. duvido que alguém o tenha feito, o que é uma pena. deve ter sido um dos pontos altos da Guerra Fria.

*

Brasília está em plena fase da umidade, com chuvas caindo em pelo menos cinco de cada sete dias, e algumas delas bem fortes. mas eu estou pensando na seca, meu amor. nas folhas secas no seu jardim, na aridez dos teus sentimentos desde agora, na tosse rouca que me dá depois de fumar um Dunhill enquanto penso nisso. e você, que não pode me ver a fumar, escondida em sua redoma, com o umidificador ligado, a escrever coisas que nunca vou ler. nem eu, nem qualquer outra pessoa, já que esses muros entre eu e as suas dálias são intransponíveis.

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