Terça-feira, Março 09, 2010

permafrost

ainda bem que curiosidade não mata. senão eu já estaria há alguns dias duro e gelado no chão.

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Domingo, Fevereiro 28, 2010

Kapósvar

uma menina com quem nunca tive nada me disse hoje, a respeito de alguém com quem ela conversou: "é a primeira vez que conheço um cara tão gentil como você".

não sei exatamente como, mas isso me afetou.

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Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

coisas que eu nunca te disse #62

you've got a nerve to be asking a favor
you've got a nerve to be calling my number, I know,
we've been through this before


(Walkmen, "The rat", 2004. uma música que passou batida por mim até minutos atrás, quando o Gabriel, numa escala em Roma antes de curtir o Australian Open, me mandou essa)

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Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

tablete

Ana Paula me mandou na lata, hoje: eu me tornei uma pessoa amarga, e isso aconteceu especialmente esse ano. e foi o tipo da mudança que nem percebi que estava rolando. acho que felizmente não cheguei ao nível Clarice Lispector da coisa, um poço de ressentimento escrevendo mal (detesto a obra dela). mas de toda forma vou tomar todo cuidado do mundo para não chegar a esse ponto.

quanto ao meu amargor atual, é puro medo de quebrar a cara. não sei se tem cura, e se alguém souber se tem, por favor, deixe um comentário dizendo o que é. conto com a ajuda de vocês para ser uma pessoa menos amarga daqui para frente, de preferência ainda em 2009.

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Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

quick Deprelândia news

os últimos acontecimentos do lugar onde nada acontece, reunidos em um só post.

*

depois de passar três dias aqui, constatei que a única coisa mais ou menos divertida, mesmo assim apenas se você tem paciência para trafegar em vias movimentadas, é encher o tanque do carro e ficar dirigindo, sem parar e sem fazer questão de ter para onde ir, ou mesmo descer do carro. em três dias eu já gastei dois tanques de gasolina fazendo isso, e, tirando umas poucas horas em Campos do Jordão, eu nem desci do carro.

*

outra descoberta importante desse período é que eu não ando com vontade de falar com ninguém, sobre nenhum assunto. não estou com raiva de nenhuma pessoa e também não me sinto incomodado com qualquer papo, mas tirando aí as visitas anuais às pessoas que tenho que visitar, fico trancado no meu antigo quarto ouvindo música e/ou dormindo, protegido do calor e da luz (o índice de luz natural aqui anda insuportável).

já vinha notando, nos últimos dois meses, essa falta de vontade de falar com os outros, à medida em que ia cada vez mais pensando no trabalho, que ficava quieto e no meu canto na pós, que não saía mais. e agora que admiti isso, até para mim mesmo, continuo sem vontade de falar com as pessoas. por mais que seja necessário e que isso possa me prejudicar pessoalmente. acho que isso tem a ver com um problema diagnosticado no final do ano passado, e que até hoje não superei.

*

falando em diagnóstico, suspendi a oxicodona para a coluna. ao invés de dois comprimidos por dia, tomei apenas um nos últimos dias, e hoje nem isso. tenho apenas seis comprimidos e, menos por medo de me viciar do que por querer de usar os últimos com sabedoria, decidi parar de tomá-los na base originalmente indicada pelo médico. e não tem nada a ver com a proibição de ingerir bebidas alcoólicas enquanto estivesse sob os efeitos dessa coisa... até porque não ando nem com vontade de beber.

*

andei pensando seriamente em passar minhas próximas férias por aqui, indo para o Rio de Janeiro e para Paraibuna, depois voltando. mas com o ritmo das coisas nessa região, cancelei - e preciso falar com o Alê sobre isso. estou contando os minutos para voltar a Brasília, e são quatro dias até que isso aconteça.

por falar em Brasília, estar aqui me deixou uma impressão diferente da cidade, a ser descrita no próximo post.

*

para encerrar: uma visita recorrente (vinte vezes por dia) é à página Saabs United, que traz todos os fatos e boatos envolvendo a fabricante sueca que ainda não foi vendida para os chineses - e que, espero, logo estará em mãos holandesas. nem sabemos se a marca sobreviverá, mas eu continuo sonhando em ter uma perua 9-3...

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Quinta-feira, Novembro 26, 2009

liso

faço coisas muito boas e bonitas quando estou apaixonado ou pela amizade de alguém. mas quando o ódio me sobe à cabeça e passo a fazer coisas por vingança, as coisas boas e bonitas ficam ainda melhores. estou dizendo isso porque arrumei uma vingança nova para realizar, e estou disposto a levar essa até as últimas consequências.

não é para ter medo porque sei exatamente quem é meu alvo, como sei que não lê isso aqui. quando a vingança estiver completamente executada, dentro de uns vinte dias, conto o que aconteceu. enquanto isso, não se preocupem: do meu ódio cuido eu.

*
mudando de assunto: hoje cedo na Telerj, uma colega de trabalho, mãe de um pré-adolescente, saiu hoje uma reunião. na volta, disse a ela que haviam ligado de um centro de cuidados de animais, perguntando o endereço exato do apartamento dela, porque o garoto tinha adotado uma capivara e queriam entregá-la. ela não acreditou. dali a dez minutos, uma amiga nossa, minha cúmplice, enviou a ela um email com dicas de como cuidar de uma capivara, incluindo a dieta do bicho, o espaço que precisa etc. ela provavelmente não vai se lembrar de comentar a história em casa, por isso peguei o número do celular do marido dela e vou tentar convencê-lo a entrar na brincadeira, ligando para ela e perguntando "que dia chega em casa a capivara?".

por que eu estou fazendo isso? ah, só para agitar as coisas... o que me lembra aquela velha máxima: "se não pode ajudar, atrapalhe. o importante é participar".

*

Alê, você tá lendo isso? tenho uma pergunta: pão integral com cream cheese light é comida de homem? se não for, o que é?

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Domingo, Outubro 18, 2009

acidez

a Lisa fez uma série de quatro posts sobre contar a verdade ou mentir. coisa pesada, mas incontornável. e que saudade dela, hein?

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Sexta-feira, Outubro 09, 2009

asche zu asche

o mundo é mesmo muito pequeno, e eu não gosto disso. a sorte é que, quando percebo que algo está me fazendo mal, consigo sair muito rápido: se o mundo é pequeno, a vida é curta.

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Segunda-feira, Setembro 28, 2009

agora é oficial

eu me transformei no meu pai.

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Terça-feira, Setembro 08, 2009

eletrochoque II

estou me segurando aqui para não fazer uma besteira das grandes.

atualização (19:51): a Ana Paula evitou que eu fizesse isso.

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Quinta-feira, Setembro 03, 2009

impressionante

a minha vida virou um filme e só agora eu percebi isso. será que sempre foi assim?

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Quinta-feira, Agosto 20, 2009

bombardeio

saí do trabalho hoje às três e meia (se alguém quiser, explico depois, e reservadamente, como é o horário na Telerj) e voltei para casa, precisava ler um texto para a aula de hoje. foram seis páginas em quarenta minutos, para que se tenha uma ideia de como é o acompanhamento da coisa. e ao final da leitura, eu joguei o texto no chão, afastei um dos travesseiros... e derreti.

dormi pesado, forte, como se tivesse tomado meia cartela de calmantes... foi praticamente um desmaio. quando acordei, estava me sentindo uma barra de chocolate derretida, sem firmeza alguma. arrumei-me às pressas, engoli um açaí e fui pra batalha. mas o alerta biológico foi dado.

*

dia desses eu escrevi, numa mensagem ao Pablo, que os anos pares da minha vida são anos de lucros, e os ímpares são anos de aprendizado duro.

ainda são quatro meses até o final do ano, mas eu não aguento mais ter aula.

*

mas ainda há espaço para alguma beleza, eu sei. nem que exposta em museu, de forma efêmera, etérea, sem emoção. e talvez seja melhor assim.

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Sexta-feira, Junho 26, 2009

pirataria

le problème n'est pas savoir s'il y a, mais où il y a.

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Sábado, Junho 13, 2009

reverberação II

e ali, vendo aquele vai e volta de maquiagens e gravatas e sorrisos intermináveis feito um mar de coisas, uma velha pergunta se impôs à minha frente, sem que eu ainda tivesse uma resposta para ela. ou simplesmente que eu não queira aceitar a primeira coisa que disseram a respeito. mas não há nada a fazer sobre o assunto, de qualquer forma.

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Quarta-feira, Junho 03, 2009

coisas que eu nunca te disse #48

you've been trying to protect me
an insect living in your memory


(Ladytron, "Blue jeans 2.0", 2003. tem a ver com um pesadelo que eu tive essa noite)

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Quarta-feira, Abril 29, 2009

aroma

um dos travesseiros aqui de casa está com o cheiro mais gostoso do mundo. um aroma delicioso, que não tenho como definir nestas linhas, então só me resta senti-lo, sorvê-lo, vivê-lo, o que faço com o maior prazer.

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Terça-feira, Abril 07, 2009

northern lights

(estou indo atrás delas)



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Quarta-feira, Abril 01, 2009

a conta

então é isso, galera: depois de 7.388 posts, contando o presente, este blog acaba aqui.

a todos aqueles que acompanham, desde o dia 11 de novembro de 2002, os meus agradecimentos, um abraço, e espero que um dia a gente se encontre de novo.

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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

germânio

eu adoro essa sensação de estarmos em julho quando ainda é fevereiro.

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Domingo, Janeiro 18, 2009

Vênus

mas qualquer coisa que eu escrevesse aqui hoje, sobre qualquer das coisas que vi, senti ou bebi, seria falsa.

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Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Baleares

aconteceu algo inusitado agora: eu entendi o que se passava na cabeça de uma outra pessoa, que não cheguei a conhecer, em um determinado momento da vida dela. entendi o que aconteceu para levá-la a fazer o que fez, a explicar o que houve, a trocar algumas coisas por apenas uma outra.

mas não sei explicar a ninguém, porque eu apenas senti isso. mas a história vai ter final diferente, e mais do que isso eu não falo.

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Domingo, Dezembro 21, 2008

coisas que eu nunca te disse #40

if you, if you could get by
trying not to lie
things wouldn't be so confused
and I wouldn't feel so used
but you always really knew
I just wanna be with you


(Cranberries, "Linger", 1992)

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Terça-feira, Dezembro 16, 2008

luftkastellet

já descobriu qual a grande tendência para 2009? eu descobri: guardar segredos. mas não falo mais nada sobre isso.

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Quinta-feira, Novembro 27, 2008

Oremburgo

Ich möchte hier unheimlich ein paar Worte schrebien, aber kann leider nicht. Nur wenn du nicht immernoch am lesen bist.

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Terça-feira, Novembro 18, 2008

doppia vita

non si dimentichi di una cosa, amore mio: io non sono nato ieri.

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Quarta-feira, Novembro 12, 2008

coisas que eu nunca te disse #36



todos os dias, antes de dormir
lembro e esqueço como foi o dia:
«sempre em frente, não temos tempo a perder»


(Legião Urbana, "Tempo perdido", 1986)

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Quarta-feira, Outubro 22, 2008

ai que sono

volto amanhã. boa noite e bons sonhos, meu amor. fica bem.

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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

tchocolatl

tem um brownie em que eu adoraria dar uma mordida. ele está a mil quilômetros de distância, mas de alguma forma o gosto dele está sempre comigo.

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

coisas que eu nunca te disse #34

it's these times that it tends,
the start to breaking up, to start to fall apart
oh! hold on to your heart


(Arctic Monkeys, "Do me a favour", 2007. por meio da Lisa)

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Terça-feira, Setembro 09, 2008

sintetizador

a coluna de hoje do João Pereira Coutinho merece ser incluída aqui na íntegra, especialmente pelo final. dá pra aprender muito por ali, honey.

O amor é uma arte

Ah, os clássicos! Falamos deles e alguém boceja. Inevitável: um dos grandes crimes da nossa cultura é tratar os grandes livros da tradição ocidental com uma reverência provinciana, matando todo o prazer que temos em lê-los. Homero, para mim, sempre foi um dos melhores escritores de aventuras. O Júlio Verne da Grécia Antiga. E, ao ler as viagens de Ulisses e as fúrias de Aquiles, sempre imaginei Steven Spielberg dirigindo o filme. Só depois, muito depois, mergulhei nos mitos, na métrica, nas alegorias. Na filosofia. Primeiro, veio o prazer.

O mesmo para Ovídio, o poeta romano que o imperador César Augusto condenou ao exílio. Escreveram-se quilômetros de teses profundas sobre o vate. Mas nada substitui o prazer inocente e vital de o lermos com a cabeça limpa e a alma aberta. Aconteceu comigo: sob um sol generoso, com o mar Mediterrâneo banhando-me os pés, li e ri com a sua "Arte de Amar" (tradução portuguesa de Carlos Ascenso André), o livrinho ultrajante que provavelmente o condenou à morte lenta. O livro é, como o título indica, um tratado sobre o amor. Mas não sobre o significado do amor; Ovídio não perde tempo com metafísicas. O amor é uma arte, ou seja, uma técnica que pode ser ensinada e apreendida. E o propósito de Ovídio é simples: escrever um manual que ensina homens e mulheres a conquistar e a conservar o amor.

Está tudo lá. Para os homens, um primeiro conselho: o amor não acontece; é preciso procurá-lo, de preferência onde há mulheres. E, se os leitores acham que os lugares ideais são as discotecas de sábado à noite, Ovídio discorda. Lugares de álcool prejudicam o julgamento. Melhor apostar nos lugares de cultura, como os teatros, onde há abundância e variedade. E sobriedade.

E depois do local, a estratégia: Ovídio ensina como os homens devem aproximar-se do alvo; como devem sentar-se ao lado dele; quais as primeiras palavras a serem ditas e trocadas (que devem ser simples e triviais, sem afetação ou vaidade); e, se vocês julgam que os metrossexuais levam vantagem no jogo, desenganem-se: Ovídio desaconselha pernas raspadas ou cabelos frisados. As mulheres gostam de homens com ar de homens. Só a limpeza é fundamental: das unhas à roupa, dos pêlos do nariz ao mau hálito, nada escapa à pena microscópica deste cupido letrado.

Mas o amor não se conquista apenas; é preciso conservá-lo depois da caçada. E não existe outra forma de conservá-lo que não passe pela amabilidade. Sê amável, diz o poeta, porque a tua beleza não será eterna; ela é um bem passageiro e frágil. Não sejas orgulhoso; não tenhas medo de ceder nas tempestades. E, se julgas que a tua amada se conserva com prendas caras, repensa: as verdadeiras prendas são aquelas que escolhemos com inteligência e entusiasmo. E ignora os defeitos: todos os defeitos da mulher que amas acabam por se suavizar com o tempo, até ao momento em que se tornam virtudes ou marcas íntimas e pessoais.

Por último, o equilíbrio frágil: o amor só sobrevive se, sobre ele, pairar uma sombra de perda. É necessário que a amada sinta, por vezes, que pode te perder: "Aquece-lhe o coração morno", diz Ovídio, "ateia as chamas, com a força de um sopro". Não existe maior verdade: a rotina é o veneno dos amantes; o ciúme é o sal que dá sabor ao prato.

E conselhos para as mulheres? A "Arte de Amar" é composto por três livros; só o último é dedicado ao público feminino. Existem repetições: evitar homens excessivamente cuidados, por exemplo. Ou, então, ter especial cuidado com a higiene do cabelo, do corpo, dos dentes. E alguns truques para disfarçar defeitos: se a mulher é pequena, que prefira estar sentada; se tem dedos gordos e unhas sujas, que evite gestos demorados; e, se os dentes são tortos ou grandes, que controle as risadas.

Mas a mensagem central é uma exortação libertária: a vida é veloz e breve; e o amor deve ser colhido nos verdes anos. As mulheres nada ganham se adiarem continuamente as paixões até que a velhice se instale. Devem, pelo contrário, ofertar os prazeres aos homens, mas nunca de forma descarada: a paixão vive da tensão constante entre a recusa e a entrega, uma dança que aguça o desejo. Mas, no fim, deve triunfar a entrega. De preferência com a luz apagada.

Moral da história? Eu prometo oferecer este livro às minhas amigas. E com as melhores passagens sublinhadas.

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Quarta-feira, Setembro 03, 2008

furiosa

hoje, durante o dia todo, eu fui a Fiona Apple (fazendo as devidas adaptações de gênero nas letras, claro). ainda que em boa parte do tempo eu não tenha ficado consciente disso.

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Quinta-feira, Agosto 21, 2008

vazando

(...) eu nunca precisei de motivos para ir embora de onde quer que me encontrasse. ir embora sempre me pareceu imensamente mais proveitoso do que permanecer. ir embora de uma cidade. ir embora de um jantar. ir embora de um espetáculo. ir embora da praia. eu gosto da praia. eu gosto de mergulhar no mar (...) mas muito melhor do que tudo isso é pagar os dez reais à barraqueira e voltar correndo para casa.

que eu sempre gostei do Diogo Mainardi, seja em colunas, seja no Manhattan Connection, seja nos podcasts, não é segredo; até comprei uma briga por ele na semana passada. coincidência ou não, a edição desta semana do podcast dele fala de algo que sempre achei que só eu sentia: o gosto por ir embora. na verdade, eu e a Sarah Nixey, da Black Box Recorder, cantando "I ran all the way home". mas não... existe mais gente que sente o mesmo.

se você sente o mesmo, entre aqui e ouça o texto "tapar as vergonhas", do dia 20 de agosto (ontem). é tão curto e tão bom que não dá vontade de ir embora antes do fim.

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Quinta-feira, Julho 31, 2008

herança

Heute habe ich eine sehr unangenehme Erinnergung gehabt. Nicht unangenehm, unzufrieden...und überhaupt nicht freulich. Aber, zum Glück, habe ich es festgestellt, bevor es zu spät war, und habe dia errinerung repariert. Es ist ein grosser Risk eine Wunde ausgesstelt zu lasssen, deshalb ist es gut aufzupassen.

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Segunda-feira, Julho 14, 2008

feliz aniversário

eu também sei jogar na defensiva, meu amor.

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Domingo, Junho 29, 2008

coisas que eu nunca te disse #29

(considerar apenas a música, sem pensar no vídeo)

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Quarta-feira, Junho 25, 2008

tintura

o conteúdo é o mesmo, a ação surpreendentemente é a mesma. os cabelos são os mesmos, a forma de pensar parece diferente, mas não se engane: é a mesma. elas são iguais, e você não percebeu.

o que muda, no final das contas, é a marca da tintura e a coloração. e mesmo assim você corre feliz pro dicionário de inglês pra procurar uma palavra que não conhece, na esperança de que o texto dê em outro final.

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Terça-feira, Junho 17, 2008

26

uma e dezesseis da tarde. parece que são dez da noite, a julgar pelo meu cansaço. apesar disso, a vontade é de me cansar mais ainda, de fazer o que for possível e planejar o impossível, para que amanhã ele seja perfeitamente realizável. ou hoje de madrugada, ou o quanto antes. assim, ao invés de envelhecer, aprendo desde já.

*

consegui um crachá novo, mas não consigo abrir as velhas portas com ele. deve ser um sinal do futuro chegando. ele é cinza e vermelho, a minha foto poderia ter ficado melhor se eu estivesse com os cabelos curtos, mas pouco importa: é um motivo a mais para que eu me canse.

*

não sou muito fã de expedientes protelatórios, mas o cancelamento de uma reunião hoje cedo vai me trazer alguns benefícios. um deles, o de estreitar os contatos com quem vai lá, com quem é de lá, com quem abre novas portas para o novo crachá. se ele é cinza, o acesso, vejam só, é metálico... e o futuro é dourado.

*

muitas entrelinhas hoje, mas eu ainda não vi nada.

...

mal posso esperar para ver.

*

foco, Palandi, foco. é fácil se deslumbrar com a cerâmica, o carpete, os embrulhos metalizados do presente... difícil é erguer algo do tipo, mas será feito.

*

bem, é isso. não consigo escrever mais do que duas linhas sobre um assunto, sempre deixando 70% do conteúdo de fora daqui. minha censura prévia anda severa, existem muitas incertezas sobre tudo o que me ronda, o sono e os sonhos fazem com que eu não tenha palavras para descrever certas situações, certos encontros... e até mesmo certos silêncios. essa semana eu voltei a constatar que um dia depois do outro, com uma noite no meio, faz um bem danado; que dar respostas evasivas, embora seja antinatural e contra aquilo que eu prego, é algo por vezes incontornável; que não adianta salvar o mundo fazendo o trabalho dos seus colegas... mas não que você nunca deva fazer isso; e aprendi ainda: que é preciso tomar muito cuidado com o que se põe na boca, especialmente condimentos e palavras; que escoceses não falam inglês, mas que nem por isso dá para se desprezar Edimburgo; e que o crachá velho, se manuseado de forma correta, é capaz de abrir portas a cujo acesso me foi negado no passado.

ih, não disse... voltei a botar entrelinhas. merda...

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Sábado, Maio 24, 2008

ok

vai escurecer. ainda estou no trabalho. escureceu. já posso ir para casa, tudo está resolvido, eu falei com deus em uma ida ao décimo primeiro andar, eu falei com meu chefe numa ida até a mesa dele, eu falei com meus colegas sem sair de minha baia. eu fiz reverência a quem manda em mim, eu cumprimentei todo mundo, do vigia ao homem da limpeza ao gerente chato da outra área à mulher que me ligou para vender coisas que eu não queria. eu entendi a opinião de todos, tentei colocar um pouco da minha no meio, tentei me inteirar do que estava sendo dito por aí. eu pensei em colunas de templos gregos, em refrigerantes sem açúcar, em chorar no canto da sala sem motivo aparente, em airbags de BMWs com bancos de couro preto, em adiantar o meu relógio e ser sempre o primeiro a chegar, não importa onde nem porquê. eu desliguei o computador, tomei uma aspirina para ver se esses pensamentos iam embora, escovei os dentes, me encarei no espelho e desci pelo elevador, mesmo sendo apenas um andar acima da portaria. eu cumpri todo o ritual ao entrar no carro, de deixar a pasta atrás do banco da frente, pendurar o paletó num cabide, deixar o celular no porta-trecos no meio do painel, as balinhas no console central e o meu Omega Speedmaster junto delas. eu lembrei do comercial do cartão de crédito que me mandava sair de férias e botava meu nome, sim, o meu nome!, num plástico para todo mundo ver. eu me senti mal com tudo aquilo, liguei o carro e os faróis e fui para casa torcendo para não encontrar ninguém, conhecido ou desconhecido, no caminho; para não receber ligações, mensagens e qualquer outro tipo de interações de outras pessoas naquela noite. torcendo, também, para ainda ter comida em casa, já que não queria mesmo ter de pedir nada, usar o telefone, dirigir um trólei de supermercado ou qualquer coisa do tipo. eu coloquei meu carro no meio de uma fila de outras pessoas, tão desinteressantes, tão pessoas, voltando para casa uma hora depois do fim do expediente, emparelhando os carros como bois em uma fila para o matadouro, toda iluminada pelas lâmpadas de sódio da CEB, pelo mar de informações em âmbar, pela propaganda nossa de cada dia. e eu vou lentamente deslizando minhas mãos pelo volante como se fosse um piloto automático, sem pestanejar, sem prestar atenção, sem ratear na hora de sair com o sinal verde, pegando as mesmas pistas nos mesmos momentos, dando seta no mesmo momento de ontem, anteontem e na semana passada, mergulhando no Parque da Cidade sem prestar atenção à roda gigante, sem querer saber o que vai passar no Cine Academia, sem saber quanto peso, vazio de quaisquer sentimentos, enquanto o ponteiro da velocidade vai crescendo e o piloto automático se torna um animal robótico, devorando carro por carro sem esboçar qualquer preocupação, acompanhando o mar de luzes e de curvas no sentido horário, acelerando e trocando de faixa no ritmo de qualquer música que o aparelho de som derrame no começo da noite, num balé que vai deixando quilos de monóxido de carbono para trás, quilômetros para trás, pensamentos para trás, eu e você para trás. e por mais que se veja no caminho um monte de feiúra, brutalidade, negligência e outros desânimos, só se pode continuar, de forma ordenada, em fila indiana, marcando os passos novamente em ritmo mecânico em meio aos prédios. as luzes estão acesas: eu imaginaria dezenas de yuppies desatando gravatas, crianças voltando da escola com seus cadernos encapados em xadrez vermelho-e-branco, mulheres procurando suas sacolas de ginástica enquanto tomam água e suspiram de pensar na série que terão de fazer esta noite na academia; pensaria, ainda, em uísques sendo tomados enquanto alguém não chega para a execução de uma maracutaia em domicílio, em motocicletas de entregas com pizzas, pães, yakisobas e toda sorte de carboidratos sendo entregue em domicílio... mas eu sou um piloto automático e estou no trânsito, a dois semáforos de casa e a um de você, meu amor.

mas seu sinal está sempre vermelho para mim.

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Sábado, Maio 17, 2008

Adelaide

eu ainda não desisti daquilo.

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

falha

eu sabia que ia dar errado, e mesmo assim fui atrás disso. e agora, com aquele frio na barriga, aquele vazio na alma e aquela vontade de chorar, pondero: pelo menos aprendi a lição.

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Domingo, Março 30, 2008

coisas que eu nunca te disse #24

of all the things I felt but never really shown
perhaps the worst is that I ever let you go
I should not ever let you go, oh oh oh

it's not over tonight
just give me one more chance to make it right
I may not make it through the night
I won't go home without you


(Maroon 5, "Won't go home without you", 2007. mais uma belíssima música de corno dos caras, com um clipe à altura)

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Domingo, Fevereiro 17, 2008

Anna Scott

(nota preliminar: os acontecimentos aqui narrados aconteceram na quinta-feira, 7 de fevereiro, e esse post foi escrito no mesmo dia. era para ter entrado aqui em língua alemã, mas não foi possível)


fui à pé ao supermercado ontem, para comprar salada, coisas pra sanduíche, água com gás e sabor a limão, chocolate com recheio de créme brulée, essas coisas que fazem com que a vida seja menos de um jeito e mais de outro. eram 7 e 15 da noite, e o supermercado tinha filas no caixa de desanimar qualquer brasileiro; a despeito disso, alguns caixas permaneciam fechados.

mentalizei na hora: "não quero pegar fila".

pouco depois de pensar isso, e sem ficar mais do que 5 segundos na fila, vi que havia um funcionário mexendo no terminal de um dos caixas fechados. na hora em que me aproximei dele para perguntar se o caixa abriria, ele virou a plaquinha que dizia "por favor, dirija-se a outro caixa" para "próximo cliente". e fui desembarcando minhas coisas ali, direto e sem fila alguma.

foi uma coisinha de nada, mas o suficiente para me lembrar que a vida é basicamente uma questão de estar no lugar certo e na hora certa.

*

caiu a noite e eu, com a minha insônia de sempre, esqueci de tomar meus remédios para dormir. são só fitoterápicos, que uma amiga minha que toma os tarja preta chama de "balinhas", mas de qualquer forma funcionam - desde que eu os tome entre uma e duas horas antes de ir pra cama. era meia-noite quando lembrei deles, então não rolava de dormir tão cedo... a noite já estava prejudicada. então fui procurar na tevê alguma coisa bem docinha e que me distraísse sem que exigisse de mim coisas complicadas como pensar. e achei no canal 63 "Um lugar chamado Notting Hill", aquele filme do final do século passado com o Hugh Grant e a Julia Roberts, no qual ela, atriz famosa, se apaixona por ele, dono de uma livraria especializada.

assistir a esse filme agora, sete anos depois da última vez que o tinha visto, traz algumas coisas novas: de lá pra cá eu descobri quem é o P. G. Wodehouse que o amigo do Hugh Grant fala que encenou no teatro amador, reparei nos cartazes do "Good humour", disco do Saint Etienne, colados nas paredes externas em uma das cenas, percebi que os galeses, como o flatmate dele, são um estilo de vida.

mas o mais atemporal do filme são algumas constatações do Hugh Grant: além do "lugar certo e hora certa", conforme a historinha do Pão de Açúcar aí de cima - que ele não diz mas fica implícito em toda a película -, há o desconforto dele em tentar achar alguém, por exemplo: todos os amigos o bombardeiam com umas pretendentes que ele sabe que não vão dar em nada. e diz a um dos amigos, entre a resignação e a coragem, que se apaixona poucas vezes. muito poucas. em outra cena, diz que não quer ficar nessa coisa de forçar para que as coisas dêem certo, nem se interessar por qualquer mulher etc.

e em outra diz a um amigo casado que ele era um caso isolado. mas isolado de quê? segundo o personagem do Hugh Grant, há uma possibilidade mínima de se achar alguém que se ame, além de outra ainda menor de que, achada essa pessoa, a história dê certo. eu tenho concordado plenamente com ele, isto é, até que um dia uma Anna Scott (a personagem da Julia Roberts) me prove o contrário.

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Domingo, Fevereiro 03, 2008

dálias

gasto, cansado, dormente. assim estou eu, meu amor, depois de passar tanto tempo aos teus pés. pois eu me cansei e não vou fazer mais nada, não vou lutar, não lhe vou dirigir a palavra, não vou insistir em te querer, depois do que ficou para trás. e vou, então, me recolher e seguir a vida, pois, se você não sabe o que quer, não vou ficar ao seu redor, sentindo na pele os seus desmandos, guardando cada palavra sua como uma mágoa diferente. não posso. eu não agüento mais. e assim, meu amor, acaba errado o que não começou certo, termina o que você insiste em dizer que não foi nada, sem que você saiba que, aqui dentro de mim, esse nada foi tudo. mas não vamos repetir o mesmo discurso, ter as mesmas brigas, o mesmo parágrafo. não vamos, meu amor. e eu não vou dizer mais nada, embora queira.

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Domingo, Janeiro 27, 2008

magnopyrol

esse foi um final de semana conturbado, embora eu não tenha deixado isso transparecer. na sexta-feira, depois de umas falhas de comunicação no trabalho, cheguei em casa derrubado, fragilizado, perguntando para que é que tudo isso servia. e não achei resposta fácil, então baixei a guarda. fiquei acordado até tarde, e nesse período foi f*** conviver comigo mesmo. dificílimo de me agüentar. mas as últimas imagens antes de dormir, da final feminina do Aberto da Austrália, iriam me ajudar no outro dia.

dizem que não há nada como um dia após o outro, com uma boa noite no meio. e foram dez horas de sono, até o meio-dia, que valeram bem a pena. acordei, comprei comida, almocei e fui me dedicar ao meu novo projeto. quatro horas nele, que bom. gosto de ver que às vezes tenho concentração suficiente para fazer o que quero / preciso. e à noite, convidado pra uma soirée na casa dos Chad, fui lá comer raclette e fondue, jogar conversa fora com gente bonita e lembrar para quê a vida serve. na volta, "A matter of feeling", do Duran Duran, reiterava o que eu vinha pensando desde então.

e hoje acordei bem melhor, sabendo de novo o que fazer: emagrecer, estudar, trabalhar pelo prazer de ver as coisas andando e pelo próprio prazer de trabalhar. lembrar que, pra chegar onde eu quero, há muito trabalho e muito sacrifício pela frente, e lembrar que preciso de concentração e foco para chegar lá. e nunca me acomodar, nunca me deixar enfraquecer por mais tempo do que uma noite de sexta-feira e uma manhã de sábado. dói, eu sei. mas sem dor não há crescimento, sem abdicar de alguns prazeres não há resultados.

(basta ver uma madrinha de bateria na "Folha de São Paulo" de hoje, dizendo que não come pizza há nove anos. pelas formas da dona, valeu a pena)

*

o mais legal de tudo é que, para eu conseguir consolidar tudo isso na minha cabeça, precisei encarar 45 minutos de bicicleta ergométrica, mesmo machucado, e depois dar uma volta pelo Lago Sul, com as janelas do carro baixas, para poder inspirar o que se respira por ali. Brasília é capaz de me animar. e o Lago Sul, pelo que me representa, mais ainda. preciso passar ali de vez em quando e me lembrar que é onde quero chegar, que o bairro significa muito pra mim, que é um dos meus maiores motivos para crescer, evoluir, seguir em frente.

o outro é você, meu amor. mas se você não estiver comigo, paciência, vou em frente da mesma maneira. como tem sido até agora, e como talvez tenha que ser mesmo.

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Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

carabina

ho parlato una cosa ieri, e oggi questa cosa è avvenuta. haha, previsibile. ma non può dirti niente, amore mio. perchè non ho parole per dirti qualcosa, e perchè non è stata l'ora certa.

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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

padrão

io non sono nato ieri, amore mio.

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Terça-feira, Dezembro 04, 2007

coisas que eu nunca te disse #14

FRAGILE
HEART
PLEASE
BE NICE


(escrito em letras garrafais na camiseta Fause Haten que acabei de comprar. seja legal comigo, meu amor, eu só penso em você)

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Sexta-feira, Novembro 30, 2007

parabéns

deixem nos comentários os cumprimentos ao meu bisavô, Luiz Palandi (1884-1928) e à minha bisavó, Carolina Saquetti (1890-1973), que se casaram no dia 30 de novembro de 1907. há exatos cem anos, portanto.

e daí que eles já não estão aqui para comemorar?

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Sexta-feira, Novembro 09, 2007

subterrâneo

pior do que uma história que nasce triste, só mesmo uma história que podia ser feliz e teve final triste.

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Terça-feira, Outubro 23, 2007

por pouco

ops, quase que eu me entreguei aqui.

*

mas será que não teria sido melhor assim?

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Sábado, Outubro 13, 2007

dramatizando

numa conversa com o meu chefe, semana passada, disse a ele que tava pensando em prestar vestibular pra Geologia. apesar de surpreso, ele gostou da idéia. só é pena que a UnB não ofereça o curso à noite, o que seria perfeito - esse "diurno" torna as coisas inviáveis.

*

recebi uma má notícia hoje que coloca um fim a uma coisa que eu já sabia que teria um final ruim - mas imaginei que fosse de outro jeito. o problema agora é como superar essa história, ao invés de conviver com ela. reinibir a abertura e não dar a mínima margem para futuros blasts from the past. mas é uma coisa difícil. sim, é uma coisa muito difícil.

mas dá-se um jeito.

*

uns três anos atrás eu coloquei no blógue uma imagem da campanha "Good writing is sexy", que até virou uma das primeiras comunidades do Orkut. porque escrever bem é um belo afrodisíaco mesmo, porque eu me apaixonei por coisas que ela escreveu, antes de me apaixonar por ela - e a diferença entre o que ela escrevia e o que ela era era pouca - porque dava pra ver o que ela queria ser e gostar daquilo, como eu gosto.

sem nada pra fazer ontem à noite, entrei numa sala de bate-papo e puxei conversa. a coisa passou pro MSN. vi a foto dela: bonitinha, embora não desse pra ver muita coisa. mas ela escrevia muito mal. confundia "mas" com "mais" e não acertou uma única dessas. enchia a janela de emoticons. escrevi "obcecado" e, poucas linhas depois ela escreveu "obsecado".

parecia um grande pesadelo. e no que dependia de mim, ela, que tava louquinha pra sair, ficou em casa comendo pizza e assistindo Intercine. e assim eu descobri que, para além de "Good writing is sexy", bad writing is a turnoff.

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Sábado, Outubro 06, 2007

coisas que eu nunca te disse #8

de que me vale tudo isso
se eu não vou ter mais você
você já me mandou embora
só me resta agora
te esquecer

(...)

sei que sou matuto
sou quadrado e bruto
mas sempre te amei


(Matogrosso & Mathias, "O matuto", 2004)

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Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Beckett

em homenagem ao acontecido abaixo e a todos os deslizes profissionais, os foras de mulher, as burradas no trânsito, as mágoas, as garrafas de uísque (foram várias) e a todos os outros erros que cometi, volta ao cabeçalho deste blógue a frase do Samuel Beckett que faz parte do nosso estatuto, junto com a declaração de princípios do Peter O'Toole e boa parte do que o Pedro Mexia escreve no Estado Civil.

não estou, mais uma vez, me referindo a nada em particular, tampouco estou triste. sinto-me feliz por ter chance de errar, o que quer dizer que estou vivo - mortos não erram. claro que não é bom errar, mas existem coisas piores na vida. como diz o estatuto da XP Investimentos, "incompetência pode ser perdoada, falta de lealdade jamais". então com licença, vou ali errar de novo e melhor.

(p.s.: os comentários nos posts retornam normalmente amanhã)

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Segunda-feira, Setembro 10, 2007

valeriana

no começo de 2001 recebi meu "Dog man star" em casa, vindo de uma loja no Rio de Janeiro. quando abri aquele pacote pardo, não imaginei que um disco do Suede poderia mudar minha vida pela terceira vez, como aconteceu dali pra frente. demorou uns tantos dias, ou um mês, não lembro, mas absorvi todas as lições constantes nas doze músicas do disco.

pena que eu nem sempre me lembre daquilo que aprendi, mas a lição pode ser tomada mais uma vez, antes de se desistir de alguma coisa. vou ouvi-la, quantas vezes forem precisas, e não vou desistir assim.

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Quinta-feira, Agosto 30, 2007

nióbio

sim, meu amor, saí com o carro à noite e só voltei agora. porque eu só teria pressa de voltar pra casa se você estivesse aqui. fechei os vidros, liguei o som e coloquei aquilo que você chamaria de "seqüência de clássicos da baixa auto-estima" e cruzei a cidade atrás de lugares e números que me fizessem chegar até você. vinte e sete, vinte e um, vinte e três: qualquer coisa entre o dezenove e o trinta me faz lembrar de você. mas qualquer outro número também. e subi, desci, peguei retornos, acelerei e fiz aquilo que eu mais faço quando penso em nós dois: frear. porque você tem medo dos pardais e de toda aquela velocidade da sua rotina de paroxetina, na qual você só não toma uma multa por velocidade mínima por andar de metrô e virar passageira da própria vida. voltando ao passeio, eu poderia decorar cada quadra, cada bloco e conjunto no caminho até sua casa, mas isso não vai desobstruir as vias que me levam até você, devidamente protegidas vinte e quatro horas pela sua guarda alta, que só me deixa ver seus verdes olhos porque eles furam qualquer defesa - até mesmo a sua própria. e o frio na barriga me pega ao me aproximar: não é falta de gasolina nem são pneus descalibrados, mas o excesso de vontade de te dar uma carona. entenda uma coisa: talvez eu seja o Jaguar XK que você merece, embora não imagine nem que mereça nem que eu seja um.

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Segunda-feira, Agosto 27, 2007

adoçante

sim, eu tenho um lado masoquista. mas não, ele não tem aparecido. as coisas têm caminhado sob uma linha tênue que separa persistência e obsessão, timidez e frieza, medo e impaciência. eu conto os minutos, meço as palavras, mas parece não adiantar.

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Terça-feira, Agosto 14, 2007

nó na garganta

é difícil dizer a alguém o que você sente. mas mais difícil ainda, em certas circunstâncias, é não dizer.

*

mas eu estou dizendo. devagar e sem esconder as coisas, não trocando os pés pelas mãos. pode ser tarde para mudar alguma coisa, mas nunca é tarde para ser sincero. e em algumas cidades, é preciso que se haja um tanto de sinceridade para compensar o ambiente.

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Domingo, Agosto 12, 2007

lurgee

Ik voelde goed toen zij niet gesproken aan me het was het beste ding dat over het kon gebeurd zijn. Ik heb de situatie voor de helft van een uur gelukkig volgende tijd behandeld het voor een uur maar nooit voor altijd zal zijn.

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Quinta-feira, Agosto 02, 2007

déclaration de principes

j'ai perdu plein de batailles, mais je ne crois pas avoir perdu la guerre. je luterais une fois encore, à condition qu'elle le veuille et à condition de ne pas y être que pour être blessé. je commencerais tout de suite. mais cela ne dépend pas de moi, mais seulement de ses intentions à elle.

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Segunda-feira, Julho 30, 2007

admiração

meu blógue preferido, o Estado Civil, está em suas tradicionais férias de verão, nem tão tradicionais assim. só volta em setembro. só por isso, o ato de escrever já se torna um pequeno problema.

mas não custa relembrar a genialidade do Pedro Mexia. nem precisa ir muito longe ou em muitas linhas. tome-se, por exemplo, esta entrada:

Trago algumas frases ouvidas como se fossem uma tatuagem. Assim que acordo vejo-as gravadas na minha carne.

(parágrafo censurado)

ou essa, sobre o verde:

Dizem que o ciúme tem olhos verdes («green-eyed monster» e tudo isso). O ciúme ou o ciumento? Em todo o caso, não o objecto do ciúme. O objecto do ciúme, segundo creio, tem geralmente olhos castanhos.

ele está correto, mais uma vez. correto e daltônico, porque o objeto do ciúme pode ter olhos de qualquer cor, mesmo as que na verdade não têm. é uma das poucas coisas que posso dizer que aprendi.

finalmente, uma das últimas entradas antes do recesso:

Na maçaneta da porta em vez de um «não incomodar» um «não quero falar nisso».

do alto do meu cinismo, essa frase define os últimos dez anos da minha vida, da boca pra fora. porque eu quero falar sobre isso. mas o medo por vezes impede-me de externar essas coisas, pelo que as conseqüências de falar sobre esses assuntos podem me trazer. mas sim, eu quero falar.

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