Sábado, Setembro 30, 2006

da Marambaia à Joatinga

amanhã tem "Manhattan Connection" ao vivo. quem perder é mulher do Tarso Genro.

microondas III

consegui um nariz de palhaço hoje cedo e, se fosse votar amanhã, o usaria para demonstrar com todas as letras: Lula é um idiota. mais do que isso, escreveria a carvão as letras XLV na minha camiseta. quem entendesse a piada certamente gostaria.

microondas II

graças ao grande Ricardo Rainha (sim, aquele mesmo do Fast Facts About Ricardo Rainha), os arquivos deste blógue agora estão funcionando, basta que se clique ali no mês desejado, na coluna à direita.

quanto ao primeiro "life in slow motion", aquele que atingiu o limite de cinco mil entradas e teve de ser "substituído", ainda não está publicado. estou tentando buscar uma solução para isso, mas há certas complexidades e diletantismos no caminho. fora que, convenhamos, eu leio tudo que escrevi até 2005 e acho uma m****...

microondas I

caminhada e atividades escusas pela manhã; almoço de aniversário da Erika e brigadeiro pela tarde; uma incógnita e outra incógnita pela noite.

é, o sábado está sendo legal.

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

terrapin

reencontrei a Camila no MSN dia desses. ela ainda não sabia do resultado do concurso em que fui aprovado e, depois de sete dúzias de parabéns, fez a pergunta tradicional de todo concurso ("quanto é que você vai ganhar?"). falei o valor a ela, que disse que eu estava na fronteira entre "rico" e "milionário", e depois me disse os valores de cada faixa.

sim, é claro, ela tem benchmarks muito pequenos.

*

outro que não sabia era o Bruno, que fez a mesma pergunta. quando lhe respondi, ele disse que eu "tinha garantido a permanência na classe média para sempre".

mas eu não quero ser classe média para sempre, oras.

final

a dois dias de fechar o primeiro mês de nazi-fascismo dieta com exercícios, o saldo acumulado é de -7,5 kg. excelente. se eu conseguir perder mais quatro quilos até o dia 22, será perfeito. aí é só dar início à segunda fase do programa.

surrealismo

coluna do Nelson Motta, na Folha de hoje:

Sala, cozinha e banheiro

RIO DE JANEIRO - Em "O Discreto Charme da Burguesia", o grande mestre Luís Buñuel contrapunha duas cenas surrealistas: num salão elegante, em volta de uma grande mesa, uma dúzia de convidados bebem, conversam e discutem educada e animadamente, todos sentados em vasos sanitários, de calças arriadas e vestidos levantados, fazendo o que neles se faz com naturalidade. Depois, um a um, se levantam e se trancam nos banheiros, onde devoram voluptuosamente pratos cheios de carnes sangrentas e gordurosas, restos de comida lhes escorrem pelos cantos da boca, grunhem e rosnam como animais selvagens.

A metáfora bestial é um comentário irônico do mestre sobre a precariedade da condição humana e as hipocrisias da civilização moderna. É o que eles são em essência, o comportamento à mesa é apenas uma representação, onde cada um faz um papel.

Mas até o surrealista Buñuel se surpreenderia com o Brasil real, com tantos homens públicos que são metáforas ambulantes que comem e descomem à vista de todos, sem qualquer vergonha de uma coisa ou outra. A burguesia não tem mais o charme dos tempos de Buñuel, a elite sindical que se aboletou à mesa do poder não tem nada de discreta, muito pelo contrário. Há uma grande confusão entre a coisa pública e a privada.

Quando comecei a escrever na Folha, o diretor de Redação me deu boas-vindas e plena liberdade e fez uma única recomendação: manter a classe, nunca baixar o nível, criticar de "black tie".

Resisti sempre, mesmo navegando no mar de lama. Mas hoje, revendo a obra-prima de Buñuel, não pude deixar de me lembrar do Brasil e sucumbir às metáforas fisiológicas do mestre, que são apenas discretas e charmosas diante da escatologia e vulgaridade que dominam a vida pública brasileira.

nota zero

foi só falar da fase italiana que parece praga: uma das minhas músicas preferidas em italiano (se não a preferida), "L'appuntamento", da Ornella Vanoni, está sendo utilizada na novela das 9 como música... de um casal de veados.

era só o que faltava.

segunda volta

O Lula, com a sua ausência nesse debate, mandou um recado aos brasileiros e brasileiras: "Eu não estou interessado na sua opinião. Eu não preciso prestar contas pra ninguém". No domingo, mande um recado para ele: mude de presidente. Quero pedir o seu voto para mudar o Brasil. Não é possível nós acharmos que essas malas de dinheiro (...) são coisas normais. Não é normal. Nós não podemos perder a nossa capacidade de nos indignarmos frente ao que está errado.

só pela despedida do Geraldo Alckmin, no debate de ontem (foi o melhor momento dele), essa eleição já merece um segundo turno...

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Itália

parece que na "Quatro Rodas" desse mês tem algo sobre a Fiat trazer o maravilhoso Croma para o Brasil, caso o carro tenha boa aceitação no Salão do Automóvel, mês que vem (Rogério, rola de você me passar tudo o que eles escreveram do Croma? quero saber de tudo).

se, no final das contas, o Croma for comercializado no Brasil e custar até uns cem mil reais, vai ser meu próximo automóvel.

dane-se, é só uma bomba-relógio

os brincos de diamante da Sophia Loren naquela foto.

(tic-tac-tic-tac)

os estranhos pensamentos que tenho tido de uma semana para cá.

(tic-tac-tic-tac)

meus sonhos: no de ontem eu pedia, em japonês, um Big Mac num McDonald's em Tóquio - lá onde o trio do Big Mac é o número seis. no de hoje, um sonho político e uma mensagem absurdamente improvável de alguém que nunca mais vai falar comigo na minha caixa de mensagens.

(tic-tac-tic-tac)

o uso político das palavras, o uso privado do que é público. estamos afundando? não: estamos boiando. up and down. uuuuuup.

(tic-tac-tic-tac)

eu não vou te ouvir. nada do que você vai me dizer eu quero ouvir, então fico surdo pro que vem do seu lado. te falei que comprei um iPod só pra me isolar melhor? então some daqui.

(tic-tac-tic-tac)

"- essa bomba não vai explodir não?"
"- vai sim."
"- então o que a gente tá fazendo aqui?"
"- você faz perguntas demais."

(tic-tac-tic-tac)

"- aqueles dois ali não páram de falar."
"- pode crer."
"- do que será que eles estão falando?"
"- da bomba-relógio."
"- ah, mas não é possível que uma bombinha de m**** dessas dê tanto assunto."
"- não a subestime. você é um ser humano, ela é uma bomba. ela te liqüida sem remorso."
"- eu também posso liqüidar essa bomba."
"- ah é? então vai lá e desarma ela."
"- não, não vou."
"- viu? a bomba já deu bastante assunto."
"- ..."
"- termina seu suco."

(tic-tac-tic-tac)

o medo de estar vendo tudo acontecer de novo.

(tic-tac-tic-tac)

a ausência de Twinings no bar Monumental, e o Guaraná dietético bebido de forma quase compulsória. ao menos, sem a laranja de praxe.

(tic-tac-tic-tac)

as mulheres chinesas, que só beijam depois de um namoro sério.

(tic-tac-tic-tac)

eu não devia lembrar dos meus sonhos. não desses que tenho à noite, pelo menos.

coordenadas, mapas e todo o tipo de coisa que você nunca consultou

tá na letra de "Jamais", da Charlotte Gainsbourg: "nunca se apaixone por um(a) dublê de corpo". anotado.

*

uma das coisas que eu mais tento seguir na vida é a lei de nunca ir contra mim mesmo e contra aquilo que eu acredito. só que eu parei de acreditar nesse blógue e estou morrendo de vontade de apagá-lo. mas não vou apagar: vou contra mim dessa vez e agüentar essa imperfeição que isso aqui se tornou.

um dia ele foi perfeito? claro que não. mas já gostei mais dele.

*

fui com o JP ao lançamento do livro do Júlio Mosquéra, repórter da Globo aqui em Brasília. boa parte daqueles repórteres que aparecem todo dia no "Jornal Nacional" e nos outros noticiários da emissora estava lá: Giuliana Morrone, Délis Ortiz. e, no meio dessa galera, JP se mexia com desenvoltura tamanha que eu não estranhei o que o Mosquéra escreveu na dedicatória do livro dele: "um profissional talhado para o jornalismo". só que, na verdade, o real talento do JP não é esse - é apenas conexo. contei a ele ontem, en pasant, o que achava. ele levou no mau sentido, sem refletir sobre a parte boa - mas um dia ele se liga.

Quarta-feira, Setembro 27, 2006

radiocarbono

é só um palpite: o Brasil tem leis demais e política econômica de menos. sendo assim, chega de votar em advogados, juízes e, especialmente, membros do MP. e mais economistas responsáveis na Câmara, por favor.

*

todo mundo sabe, eu só não botei aqui ainda: este blógue apóia a candidatura Luciano Bivar e, se fosse até o município de Deprelândia votar, seria pra ele o meu voto. além de não mentir na declaração de bens - disse ter R$ 9 milhões, contra os R$ 700 mil do cachaça - Bivar é o mais liberal de todos e o que tem as melhores idéias para o país, apesar de algumas hipérboles.

*

como o mundo está longe de ser perfeito e dificilmente o Bivar passará ao segundo turno, a ordem é votar no chuchu. não porque goste dele - eu não gosto (para maiores informações, favor ler "Alckmin é uma besta", do Alexandre Soares Silva, e "Votem no chuchu", do Olavo de Carvalho) - mas, num segundo turno, eu taparia o nariz e votaria nele com gosto. só pra expulsar o atual inquilino do Palácio do Planalto.

plano piloto

que vontade de não voltar em Taguatinga. ô lugarzinho horroroso...

little monsters

eu estou calmo, já vai passar.

Terça-feira, Setembro 26, 2006

logo logo

eu começo a minha campanha pela beatificação da Chryssie Hynde.

e tome motivação

"Em nenhum momento consegui a grandeza. Em todos os momentos procurei escapar da mediocridade."

Roberto Campos (1917-2001), gênio humilde.

fora do mundo

então estava eu, na noite de domingo, a assistir em diferido ao Telejornal da Noite, da SIC Internacional. umas nove e pouco, e uma matéria curiosa apareceu na parte final do noticiário.

a reportagem era sobre João Paulo Diniz, um radialista português. dono de um vasto currículo nas maiores emissoras de rádio do país, e com um detalhe que eu gostaria que estivesse no meu currículo: ele era o locutor que estava no ar nos Emissores Associados de Lisboa quando anunciou a canção "E depois do adeus" - cuja execução era a senha para que a Revolução dos Cravos tomasse Portugal logo em seguida.

(parênteses rápido: a Revolução dos Cravos foi um levante militar que, a 25 de abril daquele ano, derrubou o regime político português, nas mãos de Marcello Caetano, depois de trinta e cinco anos de salazarismo. à época, Portugal era um país um tanto atrasado e predominantemente rural, apesar de bons indicadores sociais)

continuando: João Paulo, que atualmente deve estar na faixa dos sessenta anos, está desempregado. um problema que também assola Portugal, e que fica mais crônico quando se fala de gente sem experiência ou com bastante experiência, como é seu caso. e decidiu publicar um anúncio num jornal luso, oferecendo-se para trabalhar. lembro-me que o anúncio mencionava "alguns cabelos brancos de experiência", e dava o mail para contactá-lo.

na entrevista que se seguiu, João Paulo (que é homônimo do playboy brasileiro mas não tem nada a ver com ele) falou das dificuldades pelas quais se passa na busca de um emprego e que tem, a despeito de todas elas, muita esperança para o futuro. não se prendeu ao passado em nenhum momento, falou de como a vida da gente é cíclica, e que agora ele está por baixo mas logo logo estará por cima de novo. demonstrou, ali, uma vitalidade e uma juventude que eu, com vinte e cinco anos incompletos, nem sonho em ter.

se eu tivesse uma emissora de rádio aqui em Brasília, far-lhe-ia uma proposta na mesma hora. como (ainda) não tenho, decorei o mail e enviei-lhe ontem uma mensagem desejando-lhe boa sorte e dizendo o quanto aquilo tinha me sensibilizado.

recebi uma resposta dele algumas horas depois, um pouco surpreso por alguém no Brasil ter visto a reportagem e decidido escrever, agradecendo pelas palavras e me dizendo para "nunca desanimar, sempre ir em frente!". diante disso, o que é que me resta? desejar toda a sorte do mundo a ele, mais uma vez, e não desanimar, sempre ir em frente.

hooray!

olha a boa notícia:

Brasil poderá ter fábrica da Häagen Dazs

SÃO PAULO - Para a unidade brasileira da General Mills, dona da marca Häagen Dazs, a próxima temporada de verão será mais do que uma oportunidade de elevar as vendas. Dependendo dos resultados, o Brasil pode ser o escolhido pela matriz da empresa para a construção de uma fábrica na América Latina. A unidade será responsável pelo fornecimento em toda a região dos sorvetes Häagen Dazs, hoje importados da França.

O gerente de marketing da General Mills, Marcos Scaldelai, diz que a meta no Brasil é crescer 40% no próximo verão. "Reposicionamos a marca com uma redução de preços e abrimos novos pontos-de-vendas". Os sorvetes e sobremesas geladas da Häagen Dazs, que tem os consumidores de maior poder aquisitivo como público alvo, custavam até o verão do ano passado, 100% acima das demais opções premium do mercado. Neste ano, diz ele, custam apenas 50% mais.

A distribuição da marca, antes concentrada nas lojas da locadora de vídeos Blockbuster e em algumas unidades dos supermercados Pão de Açúcar, agora estão em toda a rede de lojas da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD). "Saímos de 350 para 990 lojas e aumentamos nosso raio de atuação para as principais capitais do país", informou o gerente de marketing.

A empresa tem sete lojas próprias e há planos de abrir mais cinco até o final deste ano - no Rio de Janeiro, duas lojas, em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília - com investimentos de R$ 3 milhões.

Segundo Scaldelai, serão investidos R$ 2 milhões no marketing da Häagen Dazs até março. Além de promoções nos pontos de venda e campanha publicitária, a cargo da agência TBWA, a empresa aproveita o mote das eleições e propõe uma votação. Os consumidores escolherão qual sabor a empresa trará para o Brasil. Sucesso no verão europeu, o cliente poderá escolher entre o sorvete de coco com biscoito e o de baunilha com frutas vermelhas.

velocidade máxima

depois de vinte e cinco dias caminhando dez quilômetros toda manhã, meu organismo já se sente um pouco melhor. sete quilos a menos, uma aparência mais condizente e próxima de um ser humano decente, mais disposição. ainda falta muito, claro, mas já é um começo.

todos os meus amigos gostam de correr. vários deles participam de corridas organizadas aqui em Brasília, inclusive. fui chamado várias vezes por eles para correr, e algumas vezes aceitei o convite. durante minhas caminhadas, incluí até alguns piques de corrida pra ver no que dava.

não corro mal. tenho um fôlego razoável e consigo correr um quilômetro num ritmo razoável. mas descobri uma coisa importante: eu não gosto de correr. na verdade, eu detesto correr. nada contra quem o faz, óbvio, mas eu me sinto meio humilhado quando corro - é um pouco ridicularizante, não sei explicar. gosto daquele reclame da Peugeot, a pior marca de carros estabelecida no Brasil, que diz "avançar, não correr". é mais ou menos o meu slogan agora, com a diferença de que eu tenho mais resistência que qualquer veículo da marca.

tem um outro exercício que eu acho humilhante, mas esse já tem um bom tempo: flexão de braço. eu me recusava a fazer na educação física e cheguei a ter nota vermelha por causa disso. acho completamente degradante. mas de resto (abdominais, barra, aparelhagem), acho bem legal, mesmo não fazendo todos - barra, por exemplo, eu não sei fazer. mas flexão é de se perder a fé na humanidade.

quem viver, lerá

ainda hoje:

- "avançar, não correr"
- Roberto Campos e sua profissão de fé
- como estão as coisas em Portugal
- como estão as coisas no meu organismo
- Luciano Bivar

tudo isso e muito mais, neste blógue.

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

lantânio

às vezes a gente quer umas coisas tão estranhas, não?

arquivo

então hoje é centenário de nascimento do Shostakovich?

ótimo. só falta eu descobrir a obra do cara, antes de sair dando parabéns...

just another corno collection

outra música que faz todo o sentido do mundo quando se está à beira do mar do Caribe é "Midnight", da Nikka Costa. tem quem prefira a fase atual da carreira dela; eu, ao contrário, gosto mais da fase bobinha. não sei de quando é essa música, mas, na melhor das hipóteses, já tem dezesseis anos.

a letra, que segue abaixo, é daquelas coisas beeeeeeem água-com-açúcar mesmo, o tipo de amor que, infelizmente, não existe. ceticismo é meu nome do meio. mas, apesar de já ter perdido minhas esperanças de um dia ter algo assim (oh, que drama), eu adoro essa música.

Midnight, under the moonlight
You're saying with your eyes
What I've always known
Sailor, wherever you wandered
The star that you followed
Was guiding you home

Always, now and forever
I promise to be there, you're never alone

Midnight, the feeling was so right
We kissed for the first time
That moment I knew
Magic, the sound of the music
It all was so perfect
A dream coming true

Two hearts
Are wishing on one star
Are waiting an answer
Then out of the blue

(There) came a bird flying at last
First time out of the nest
You're the sound of the wings
You're the song that she sings
Just a kiss, that was enough
To begin in this love
For the rest of my life
I'll remember that night

oceano

a única rádio que conseguia sintonizar no Ritz-Carlton Cayman era bastante esquisita.

ontem de manhã, tocou a nona do Mahler. na hora do almoço, "Dancing barefoot", da Patti Smith - mas na deliciosa versão do U2. no final da tarde, o "A ghost is born" todo.

e veja só, "A ghost is born" já é um disco nota 7. já aprendi que havia a necessidade de "Spiders (kidsmoke)", mas "Less than you think" ainda é um lixo. é a pior música que o Wilco já fez, e não cabe discussão. aquela uma em que se conta de um a nove também é podre. mas o que é essa "Theologians", hein? de fato, acho que nenhum teólogo sabe nada sobre minha alma. nem eu sei.

giovedi

até quinta à noite o Lelo está em uma missão militar, então tenho a casa toda para mim.

alguém aí falou em festinha?

mundana

bem, de volta ao Brasil, pilhas e pilhas de coisas me aguardam. minhas pilhas estão recarregadas, por acaso? acho que 70% e nada além disso. estou com sono, o sol das Cayman faz minha nuca arder. e aí, salada Caesar para o almoço?

rehab



oi, tudo bem? como todos os leitores deste blógue perceberam, fui diagnosticado com uma série de problemas de saúde, todos ao mesmo tempo, no final da semana passada. preocupado com o meu bem-estar e com o de todos ao meu redor, decidi me internar em um hotel-spa, o Ritz-Carlton Grand Cayman, e passei o final de semana por lá. essa foto acima é da vista que tinha a partir de minha cadeira de praia (à esquerda). vocês não podem me ver, mas estou no deck do barco, lá atrás, sentado, abrindo um mapa.

*

o que eu tinha? várias coisas. estafa mental depois de fritar o cérebro ao traduzir um texto técnico sobre geologia, estafa muscular depois de caminhar tanto para emagrecer. fora que, na quinta-feira, recebi uma mensagem de erro: meu intestino executara uma operação ilegal e teria de ser fechado. sim, uma disenteria braba, dores pelo corpo e problemas de compreensão de estímulos visuais. não conseguia ler nada, não conseguia usar o computador. em suma: deu tela azul e eu travei feio.

*



esse simpático casal também estava lá. cada um em sua suíte e com seu parceiro, embora o dela não parecesse o infame Michael Douglas. joguei paddle com ele e arrastei uma asa para ela. tomei toco, pra variar.

*

se eu ganhasse um dólar por cada momento que me senti sozinho de umas duas semanas para cá, já estaria na lista dos 400 mais ricos que a Forbes publicou na semana passada. sério. never felt quite so alone. viajar sozinho, assim como tomar champanha sozinho, não tem a mínima graça.


na varanda da minha suíte, desperdiçando sozinho o pôr-do-sol

*

bom, não queria falar de solidão. apenas dizer que fisicamente já estou melhor, e que agradeço pelos comentários e mensagens de melhoras recebidos. thank you.

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Firefly Hill

diagnóstico da minha mãe: estafa. com licença, vou ali tirar uns dias de folga. deixem nos comentários seus recados e mensagens de "get well soon".

zona franca

estou passando mal e, pela primeira vez em três semanas, não fui caminhar. estou horrivelmente péssimo, meu organismo está uma droga. um desconcerto que chega até a constranger...

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Nelson Motta

e por falar em farmácia geologia, hoje eu botei uma notícia assaz incomum no Portal do Geólogo: mineração de carvão inspira peça de teatro na Escócia - o que me valeu o comentário do Felipe de que eu sou "o Nelson Motta da geologia".

hahahahaha, fala sério.

rae

o trabalho a que me referi na entrada "limão", de ontem, era a tradução de um texto. não pode ser tão chato assim, pode? sim, pode. era um texto técnico sobre geologia. não que eu não goste do assunto, é que não entendo nada mesmo, e o prazo curto depunha contra. a pior parte é que a tradução era pra verter do português para o inglês, o que é bem mais trabalhoso do que o contrário. mas deu certo, no final. os termos coloquiais foram traduzidos com a ajuda de um bom dicionário, enquanto os termos técnicos foram traduzidos por googlismo: eu colocava no Google o nome que eu achava que as coisas tinham em inglês. se desse bastante resultados, era porque eu tinha acertado. se não desse, era pra tentar por aproximação até conseguir, haha.

confusão

eu não sei o que escrever aqui. isso pode ser bom: evita confusões.

quem dera

tentei ligar no atendimento da Air France e saber qual é o vôo AF 607105, que virou nome de uma canção da Charlotte Gainsbourg. no toll free deles, no entanto, você só pode falar se tiver uma reserva. nada de tira-dúvidas geral.

*

aliás, esse disco dela é tão lindo, hein? tem quatro candidatas a música do ano: "5:55", a já citada "AF 607105", "Tel que tu es" (a única em francês) e "Jamais" (pronuncia-se "jamé"). a outra candidata é "A lady of a certain age", do Divine Comedy. correndo por fora, "The other side", das Scissor Sisters.

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

so what

quatro horas ininterruptas trabalhando na tradução para o inglês de um texto técnico sobre mineração. oito páginas, de um total de onze, concluídas. meu cérebro batendo pino.

é, "dinheiro fácil" é meu nome do meio.

*

segundo o Craudio, Coca Light e quaisquer alimentos com edulcorantes artificiais, como os iogurtes que eu tomo, fazem mal a quem está em dieta, porque esses adoçantes reduzem o metabolismo. não é uma tese de todo absurda.

mas eu não consigo ficar sem Coca Light. e você, sobreviveria se lhe drenassem o sangue?

*

devagar, muito devagar...

dicionário norueguês-português

eple s.f. 1. maçã 2. meu nickname no MSN 3. uma das músicas instrumentais mais bonitas da história, presente no "Melody AM", do Röyksopp (2001) 4. esse clipe maravilhoso reproduzido abaixo:

vassoura de piaçava

um pequeno desvio na dieta ontem: almocei com o Felipe no Marietta (o Quitinete estava lamentavelmente fechado por motivos elétricos). mesmo assim, o desvio foi pequeno mesmo: enchi a cara de salada. alface roxa, mussarela de búfala, tomate seco com o mínimo de azeite, abobrinha grelhada com aceto balsâmico, manga... e aquela coisa magnânima chamada mostarda com mel.

dois pratos, o segundo com quibe cru. é, aqui dá pra encaixar aquela frase dúbia que eu tanto amo, "adoro comer cru". e quando partimos para o buffet (lê-se "buféti") de pratos quentes, não dei chance pros carboidratos: um pedaço ridiculamente pequeno de uma torta qualquer, peixe e frango. nem sinal daquele filé minhão com ervas nem do purê de batatas - fui forte e não encarei nenhum dos dois. regado com suco de melão, foi obviamente meu almoço mais gostoso desde o começo da dieta. e é bom que eu me conforme que não terei outro tão cedo.

limão

seis horas ininterruptas de trabalho do mais chato? opa, tô nessa!

Terça-feira, Setembro 19, 2006

mais twinings

ontem foi o de manga com laranja, hoje foi o de baunilha. delicioso, com um aroma de partir qualquer um em mil pedaços. Twinings tem sido meu jantar. tem poucas calorias, é doce, é quente.

exatamente aquilo de que eu preciso.

it's good to be corno

Lately
I find myself out gazing at stars
hearing guitars
like someone in love

Sometimes the things I do astound me
mostly whenever you're around me

Lately
I seem to walk as though I have wings
bump into things
like someone in love

Each time I look at you, I'm limp as a glove
and feeling like someone in love


essa é a letra "Like someone in love", um standard que foi gravado desde o Frank Sinatra até a Björk. eu gosto da versão do Chet Baker, porque é corna até a medula - e eu tenho me sentido muito corno esses dias.

adega

não é nada. nunca foi nada.

mas vai passar.

urânio 235

eu e a Carol concordamos hoje: o dia em Brasília tá com cara de bomba atômica. o clima meteorológico, não o político. típica paisagem de fim de mundo, com a baixa umidade e aquele sol que, a despeito de parecer inofensivo, arde o triplo do que um sol mais "explícito".

de tal forma que, tivéssemos umas pistas urbanas mais estreitas e um número maior de Ford Landaus rodando, isso aqui pareceria aquelas estradas desertas do interior dos EUA, com bolas de feno passeando por aí. e todo mundo olhando pro céu, querendo saber se vem chuva ou o Enola Gay por aí.

twinings

então a tarde foi péssima e eu peguei meu carro, abasteci o tanque e fui queimar gasolina. dirigir, going nowhere and fast, era um dos meus exercícios de relaxamento preferidos quando morava em deprelândia; não o faço muito por aqui graças a duas coisas: primeira, a vigilância eletrônica que me impede de andar a mais de 60 km/h no Lago Norte, por exemplo; segunda, não tenho subsídio para a gasolina - se quero andar mais de carro, preciso comer menos.

mas ontem, pela primeira vez em um ano e meio de Brasília, vi-me compelido a fazer aquilo. sentindo-me corno, botei um Whiskeytown e fui pro final do Lago Norte, até o Clube do Congresso - o lugar mais isolado em que penso ir, por enquanto. e não era o bastante, então depois de ir até o fim do bairro, voltei e cortei a cidade novamente, indo parar no Casa Park. minha intenção lá era de abstrair, ver alguns móveis, algumas coisas bonitas. quando me sinto mal, tenho de ver coisas bonitas. mas, mal entrei lá, subi à Livraria Cultura e me senti num bunker, protegido contra tudo de ruim que pudesse me acontecer, no meio daquele ar-condicionado fortíssimo, das mulheres com roupas cor de pêssego, de cadeias montanhosas de livros.

parei na seção de música clássica e jazz. ela fica no primeiro andar, enquanto todas as outras seções de música ficam no térreo. para mim, isso é uma forma velada de dizer que são formas superiores de arte - e são mesmo, por menos que concordasse com isso cinco anos atrás e por mais que inclua o Suede no grupo superior. procurei uma dica do JP: a nona do Mahler, regida pelo Leonard Bernstein. com o preço pouco convidativo, o cara da seção me recomendou uma outra versão, com sir John Barbirolli na batuta. perguntei ao vendedor:

"- o que você tem de corno aqui?"
"- o Chet Baker fica na segunda fila, ao meio."

não, ele não disse exatamente isso. apenas coçou a cabeça antes de responder, hesitante: "de corno... de corno... acho que o Chet Baker, né?". ótimo. levei uma coletâneazinha dele, "My funny valentine", de umas gravações na Pacific Jazz, entre 1952 e 1955 - quando ele ainda tinha alguma voz. e peguei uma Elle portuguesa, pra ficar vendo coisas bonitas enquanto tomava um chá Twinings.

dentre as várias opções de chá disponíveis, havia um chamado passion tea: manga com laranja. na hora, veio-me à cabeça que estou com algum problema com a paixão. não sei bem ao certo, mas ou ela está me faltando ou ela está me sobrando. e decidi tomar esse chá - sem sequer me lembrar que tinha dito que manga era tendência. sensacional. e assim, aos poucos, vou me recuperando...

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

oscilatória

comprei um par de tênis no mês passado e só fui estreá-los hoje. são bons, mas confesso que estou tendo dificuldades para manter o equilíbrio, por enquanto. adaptar-se a um tênis ou sapato novo é algo que demora uma semana, pelo menos. e esse aqui é cheio de "preguinhos" de borracha na sola, mesmo não sendo um calçado desportivo. ou talvez eu esteja mesmo avoado.

*

existe algo que pode acabar com o seu relacionamento com uma pessoa: associá-la a um evento negativo. aconteceu algo assim na minha vida. tem uma pessoa de quem eu gosto muito mas que, sempre que nos falamos, eu associo ela a uma derrota minha (sempre a mesma, no caso), e me sinto mal quando a gente se fala. culpa dela? em parte. a outra, claro, é minha. era uma guerra perdida, mas eu entrei - e perdi. por quê fiz isso? porque não havia escapatória. não era contra mim mesmo, não era algo facultado, não era possível contornar. mesmo assim, às vezes se acredita nessa possibilidade impossível de se mudar as coisas e dá-se a mão à essa filha da puta chamada esperança. fiz tudo que podia, e mesmo assim não consegui.

toda vez que lembro, fico pensando que poderia ter feito diferente, melhor, etc - com um detalhe importante: eu não podia. e não há muito o que fazer para mudar isso, nem mesmo esperar passar. pouca gente se lembra do que se foi conquistado, o que fica na memória, na garganta, no coração, é apenas o que se foi perdido. mesmo que sem mágoa, como é meu caso.

*

não adianta reclamar de má sorte ou de esforços em vão, certo? vamos em frente.

código Morse

si je fais quelque chose, je suis erroné; si je pas, suis omissive.

Punk'd

do The Superficial:

The billionaire founder of Virgin, Richard Branson, threw a Mad Hatter-themed birthday party for his son on Saturday and invited Paris Hilton to attend. According to the Daily Mail she agreed and wanted to dress as Alice in Wonderland so she'd be the center of attention, but when Branson found out he secretly ordered all 60 of his waitresses to dress as Alice, even pushing the prank further by deliberately mistaking her for one of the staff and asking her to get him a drink.

HAHAHAHAHAHA, SOMEONE GOT PUNK'D HERE.

golpe de mestre

saiu o concurso a ser prestado. maiores informações, me escrevam.

spread the word

o doutor Marcos, pai do ilustre Marcio Porto, deu-me no sábado uma sugestão muito boa do que fazer da minha vida. já vou começar a trabalhar nisso...

Domingo, Setembro 17, 2006

degraus

a palavra do dia é "estafa". é só o que se pode sentir, diante desse calor que já me obrigou a uns dez copos de água, por exemplo. ou de dezessete dias de regime nazi-fascista (que, no entanto, continuará).

é só o que se pode sentir... mas amanhã é outro dia. e, como diz meu pai, "com uma noite no meio". boa semana pra todo mundo.

IX

tô só esperando pra ler no blógue do Rodrigo (a quem dedico as entradas matinais deste aqui) algumas considerações sobre o vultuoso hat trick do Obina nesse jogo contra o Fortaleza.

tudo pelo social

da "Gente boa", do Globo de hoje:

Kate Lyra, a atriz americana que ficou famosa pelo bordão "brasileiro é tão bonzinho" num humorístico de TV, acabou de escrever "O guia da mulher bela que quer jantar fora". Ainda está sem editora. Trechos:

(...)

5. Embora ocorra um constante entra-e-sai de moda em relação a vestuário, arte e regras de etiqueta, as facas, os garfos e as colheres vieram para ficar. Aprenda a usá-los. Nietzsche achava que a civilização era nada mais que um treinamento repressivo para um encolhimento do indivíduo. Se você concordar com ele, por favor, não jante fora!


HAHAHAHAHAHAHA, SENSACIONAL.

nem em sonho

apesar do nome, "This land is mine", da Dido, não é uma canção sobre reforma agrária. uma pena. adoraria que os defensores dos sem-terra parassem de ouvir Zé Ramalho.

meio que assustei



uma exposição virtual sobre os edifícios jamais construídos em Moscou (Moscovo, se você for conterrâneo do Pedro) durante as décadas de 1930 a 1950. achei no blógue do Alexandre Soares Silva.

forró do Palandi

então o silêncio da manhã de domingo é pouco para mim e, com sede, vou até a cozinha atrás de um copo d'água. aproveito para, em júbilo, contemplar a paisagem suburbana que é este lado do setor Sudoeste: não há viv'alma na rua, os veículos estão todos parados e só lá ao fundo se escuta um barulho, que não é nada além de um carro de som que veicula um jingle de candidato a deputado distrital. em ritmo de forró, diz que o candidato é uma pessoa querida, correta, "o melhor pra nossa vida". já tem meu não-voto. aô, vida suburbana!

carros imaginários

(ou "minha tentativa de escrever igual ao Aran")

imaginem só: a Mitsubishi Motors, entusiasmada com o sucesso de seu modelo Lancer Evo nos campeonatos de rali, decide lançar uma variação: Mitsubishi Lancer Evo Morales. homenageando o grande cocainômano cocaleiro boliviano, essa edição especial do veículo é disponibilizada na cor verde-coca, com forração interna em lã de alpaca e couro de lhama. mecanicamente, a grande inovação do Lancer Evo Morales é que se trata do primeiro veículo esportivo a gás natural em todo o mundo. a vantagem é que nenhum consome tão pouco quanto ele; a desvantagem, sentir o cilindro de gás batendo a cada curva fechada que você faz.

mas você também pode retirar o cilindro de gás e aproveitar seu Mitsubishi Lancer Evo Morales: ele também funciona com a gasolina Podium de 98 octanas, exclusividade Petrobras YPFB em território boliviano. além disso, o carro tem um inovador sistema de partida, que substitui a chave pelo... Hugo Chávez. você insere um cartão com a cara do líder revolucionário bolivariano no painel e aperta um botão vermelho, semelhante ao que ele gostaria de ter para lançar um míssil rumo aos EUA. e, para não esquecer as raízes, a buzina desta série limitada reproduz o grito de Fidel Castro quando este tomou um capote numa daquelas enfadonhas emocionantes cerimônias que contam com sua presença e, claro, seu fulgor oratório. outras inovações do Lancer Evo Morales estão espalhadas pelo carro, mas só serão divulgadas mediante a renegociação do contrato de publicidade.

brisa

minha camiseta está com cheiro de mulher. não, o abraço que ela me deu não foi o responsável - a culpa é do meu desodorante. e depois ainda tem gente que acha ruim de se usar desodorante feminino...

verdade tropical

Acho bonita a maneira como, lingüisticamente, os portugueses resolveram a questão do orgasmo. No Brasil, usamos o verbo gozar, como na França. Mas é como se estivesse acabando alguma coisa. "Estou-me a vir" é reflexivo, ou seja, fala de si próprio. E ainda dá uma idéia de continuidade.

Caetano Veloso, o Noel Gallagher brasileiro. ou não.

para hoje

- fazer umas compras frugais no supermercado;
- dormir à tarde para ficar acordado na hora do "Manhattan connection";
- avançar na leitura da "Lanterna na popa" (dá pra chegar, fácil, à página 600);
- tomar vitamina C
- buscar o segundo melhor motorista do mundo no aeroporto, caso ele solicite;
- fazer alguma coisa estilosa. o quê, exatamente, eu não sei.