Domingo, Abril 30, 2006

morke dod
o Brasil marcou um amistoso com a Noruega, a ser realizado em 16 de agosto. em oito mil anos de civilização, o país nunca bateu os noruegueses no futebol. e perderá essa partida fácil fácil. e não só pela minha torcida pelos setentrionais - basta evocar algumas outras disputas:

1. Índice de Desenvolvimento Humano: a Noruega lidera a classificação mais recente, de 2005, com um IDH de 0,963. a mandiocolândia amarga um 62º lugar, entre Rússia e Romênia, com 0,792.

2. maior galardão do país: a Noruega, e não a Suécia, entrega o prêmio Nobel da paz todo ano. e aí, brasileiros, vocês preferem a Ordem do Cruzeiro do Sul, o prêmio Jabuti ou a lista das mais sexy da VIP?

3. grande artista da música contemporânea - aqui é Röyksopp versus Nando Reis. sim, ele é o que temos de contemporâneo. desde 1984.
(insira um título aqui)
depois de uma conversa telefônica com meu pai e meu tio, um bate-bola com o Marcio, um case study e umas trocentas audições de "My darling", do Wilco, tava aqui pensando em como o conceito de família que meu pai tem é diferente do meu - e como o das minhas filhas provavelmente será bem diferente do que tenho. mas já estou me precavendo para, se não tivermos visões convergentes, poder conviver com isso numanaice. e, com a ajuda da mãe delas, explicar às minhas meninas tudo do melhor jeito possível.
classe
tem momentos na vida, como agora, em que tudo o que se quer é fazer o solo de "Lips like sugar", do Echo & the Bunnymen, na air guitar. ainda mais depois de uns sugar kisses...
uh la la
:)

Sexta-feira, Abril 28, 2006

how to be prego, volume 1
caramba, tô tão haole que tô dando palpite até em ovo cozido!
é tudo a mesma coisa mesmo...
manchete do Terra: Fidel Castro reorganiza PCC e destitui agente por abuso de poder.

quando vi essa chamada, achei que o tirano cubano estivesse a ajudar o Primeiro Comando da Capital, aquele grupo criminoso que atua dentro das penitenciárias do estado de São Paulo. mas a reestruturação, na verdade, é no Partido Comunista Cubano. que é tipo um Primeiro Comando da Capital por lá.
baluarte
aí, saiu meu primeiro editorial no Portal do Geólogo. prestigiem, quero ganhar dinheiro.
momento dois
(11:50, em casa. toca o interfone.)

"- hello?"
"- oi, aqui é o gás." (uma empresa de gás próxima, que manda os funcionários interfonarem em todos os prédios, pra ver se alguém quer)
"- I'm sorry sir, I can't understand you. maybe I have to learn Portuguese, bye. (clic)"
momento um
(10:57, saindo à pé do Terraço Shopping, no Octogonal)

"- por favor, o senhor responderia a uma pesquisa?"
"- claro, pode mandar. é sobre o quê?"
"- pesquisa política."

(...)

"- no cenário um, com os candidatos abaixo, você votaria em..."
"- ... Geraldo Alckmin. na alta."

(...)

"- no cenário três, da lista de candidatos colocada, qual o senhor rejeita?"
"- todos, menos o Alckmin. e eu não gosto dele, só voto por falta de opção."

(...)

"- no cenário entre a candidata do PT ao governo do Distrito Federal e o do PC do B, Agnelo Queiroz..."
"- ... eu me suicidava."
"- como?"
"- anularia meu voto."

(...)

"- quem encomendou essa pesquisa a vocês?"
"- o Ibope. será divulgada na terça-feira."
"- escuta, tem como colocar aí que eu sou de direita?"
fac-símile
a GQ Portugal está atrasada. já era pra ter chegado, mas aí por alguma daquelas palas que a importadora dá, nada ainda. por sorte, chegou a Vogue Homem nacional, que é uma cópia sem-vergonha da maravilha da imprensa lusa. chegam até ao ponto de pegar algumas reportagens da GQ, traduzi-las para o português do Brasil e publicar.

caramba. a revista brasileira é trimestral ou quadrimestral e ninguém é capaz de fazer matérias? e se for pra publicar algo português, o que é muito bem-vindo, que seja na grafia original. já não há mais respeito mesmo...

Quinta-feira, Abril 27, 2006

vem aí...
a versão indie do portal da Erika Patolino.
blood on the tracks
todo dia eu entro na página do Franklin Martins. não, não virei fã desse guerrilheiro de meia tigela que embute seu petismo em cada declaração - ele sabe fazer isso com grande sutileza. só estou esperando ele tentar devolver a réplica à coluna do Diogo Mainardi do sábado passado, mas pelo visto ele não vai. nem deve ter como. até deixou de fazer comentários na CBN essa semana...
zebrado
cantora distribui 150 "selinhos" em apresentação. acho repugnante essa galera que tem HPV e acha que os fãs devem saber disso também - e da pior forma possível.

Quarta-feira, Abril 26, 2006

summer's kiss
o Voando à deriva estreia (sem acento, à portuguesa) nova roupagem, mais leve e adequada para o verão. e aí, vai ficar a ranger os dentes de frio?
vale a pena ver de novo
o Marcio hoje me fez relembrar um dos pontos altos dos anos 1990 (sim, aqueles do Parklife): esta dancinha. não é que ela está cada vez melhor?
aliás...
não fosse a providencial frase de miss Tramontina, a frase da manhã seria "Eu não entendo de tucano. Minha ave preferida é o beija-flor.", crocodilada pelo ex-governador carioca Anthony Garotinho.
coação
frase da manhã: "ei, atualiza o blog com alguma coisa." - Mariana Tramontina, musa de plantão.

Terça-feira, Abril 25, 2006

caô
por favor, alguém diga que isso é mentira...

Aviões terão lugar para viajar em pé na classe econômica

WASHINGTON (ANSA) - Os fabricantes de aviões oferecerão às empresas aéreas novos aparelhos para que os passageiros da classe econômica viajem de pé, o que permitirá às empresas vender mais passagens por vôo.

Se a proposta render frutos, as poltronas serão substituídas parcial ou totalmente por apoios verticais com cinto de segurança, um pequeno apoio para as costas e outro para a cabeça. Estes sustentadores verticais ocuparão 62 cm, contra os 77,5 cm dos assentos atuais da classe econômica.

Segundo o jornal The New York Times a Airbus será a primeira companhia a oferecer lugares para viagens de pé. Cada vôo de um Airbus 380 poderá, com as mudanças, aumentar de 500 para 853 passageiros por vôo na classe econômica.

Apesar do desconforto que pode ser viajar de avião em pé, não há nenhum impedimento legal para que as companhias aéreas norte-americanas ofereçam este tipo de serviço, desde que as condições de segurança estejam garantidas.


agora eu sei como o Thom Yorke se sente.
vespertino
na década de 1960 nós tivemos a Dusty Springfield pra mostrar que as mulheres mandam bem no pop. na de 1970, a Carly Simon. na de 1980, a Chryssie Hynde; na de 1990 a Adriana Calcanhoto e a Fiona Apple deram conta.

na década de 2000, tudo bem, tem a Feist - mas ela só lançou um disco (o "Monarch" é de 1999). cadê mulherada?

p.s.: o primeiro que falar da Karen O toma um cróque corretivo.
???? ????
dia desses a Lia disse que na Romênia também rola a lenda de que só em romeno existe uma palavra para definir "saudade" - eles não sabem do termo em português, nós não sabemos do termo deles. vacilo. dá saudade de quando não existia essa lenda urbana.
enquanto isso...
... no Rio, dois momentos da coluna do Ancelmo Gois de hoje:

Estava animado domingo o comandante do vôo JJ3108 da TAM, Florianópolis-Rio, com escala em São Paulo.

Lá pelas tantas, disse: "Aqui, comandante Kevin Costner, co-piloto Tom Cruise e comissárias Sharon Stone e Angelina Jolie."

(...)

A cena aconteceu sábado, no Cinemark Dowtown, na Barra, na última sessão de "16 quadras". Um rapaz separou seis cadeiras e não deixou ninguém sentar. Dizia que estavam reservadas. Teve gente que brigou, esperneou, e nada.

Até que chegou Romário. O Baixinho nem perguntou. Apesar da cara feia do tal jovem, sentou com os amigos nos lugares "reservados". A platéia, eufórica, aplaudiu o jogador.

Segunda-feira, Abril 24, 2006

la paz
incrível: não estou a fim de escrever hoje. estou em paz, tranqüilo, numanaice. tempo bom, com perspectivas de melhorar ainda mais no final de semana.
ruminando
"Catherine não sabem nem ferver água", diz Michael Douglas.

equipe do Terra não sabem nem concordância verbal, diz Eduardo Palandi.

Domingo, Abril 23, 2006

Homer Simpson
o Wal-Mart de Brasília vende saborosos donuts, em embalagens com seis ou doze unidades. preço da menor: R$ 3,28 (por extenso, pra galera sacar: três dólares brasileiros e vinte e oito cêntimos).

é ou não é barato, Brasil? e é o café da manhã dos sonhos de todo brasileiro, quando combinado com um Nescafé numa xícara grande e uns dois saquinhos de açúcar cristal jazindo no fundo dela.

pena a informação ter vindo agora, em meio a uma grande dieta. por outro lado, por 13 centavos a menos dá pra levar uma Mini McSalad no McDonalds, que ajuda bastante a controlar a forma.
cara...
... na boa: quem precisa de rock, canadense ou não?
insalata
não há muitos postes neste blógue? não tem nada de interessante na minha vida, aparentemente? bem, eu estou guardando a inspiração. e uma hora ela vai se manifestar - mas não aqui.
maizena
hoje eu me despedi do casal Marcio & Lia no estacionamento do Extra e fui pro lado direito do lugar, buscar meu carro, enquanto eles pegaram a esquerda. até aí tudo bem, não fosse o facto de que eu larguei meu carro no extremo esquerdo do estacionamento e me esqueci por completo disso.

sempre soube que ia sofrer de Alzheimer, mas tão cedo, senhor?
tio Zé
quando se dá uma busca por "Ação Integralista Brasileira" no Yahoo, o Wunderblogs aparece entre os primeiros resultados.

quando se dá uma busca por "Casa da Moeda" lá, aparece a igreja universal em quinto ou sexto.

hoje eu decidi dar uma busca por "maconheiro" e o primeiro resultado que apareceu foi o daquela vez em que detiveram o Marcello Antony em Porto Alegre porque o bicho comprou tchose e pagou com cheque.

e agora, se você busca "tchose" lá, o DF Medieval já aparece no top ten.

por essas e outras que eu ainda boto fé na humanidade.

Sábado, Abril 22, 2006

flocos
explicando a história da entrevista, que realmente passou na madrugada de hoje, por volta de 12:40...

tudo começou duas semanas atrás, quando estava procurando um apartamento para alugar numa página de imóveis aqui de Brasília. por acaso, encontrei um anúncio de uma casa que acabara de se tornar conhecida no Brasil todo: a da República de Ribeirão (ou Embaixada de Ribeirão, se você freqüentou a festa triplex). lá, como a mídia noticiou, o nada querido Antonio Palocci e seus partners escusos se encontravam para negociar, propinar e (perdão, meninas) comer putas. depois que o escândalo estourou, a galera decidiu entregar a casa e foram sabe-se lá pra onde.

repassei a informação a um amigo que trabalha na Abril, para ver se ele gostaria de fazer alguma coisa com ela. foi assim que ele cantou a bola pra um conhecido na "Veja", que publicou a nota na edição desta semana, que chega hoje às bancas e você pode ver aqui (a senha da edição em banca, válida até hoje, é RONDONÓPOLIS. para acessos posteriores, recomendo pegar a senha na comunidade da revista no orkut).

ontem estávamos eu e esse amigo no aeroporto de Brasília, emitindo uma passagem para o irmão dele. sabe como é, aproveitar logo o Smiles antes que a Varig feche e você não tenha mais motivos para sorrir. nisso liga a mãe dele e avisa que a edição desta semana da "Veja" já havia sido publicada na internet, com a nota sobre o aluguel da casa. como o imóvel fica ali no comecinho do Lago Sul, do lado do aeroporto Juscelino Kubitschek, sugeri que déssemos uma passadinha pela porta - nem pensámos em actos de vandalismo nem nada.

ao chegar lá, uma equipa de reportagem do SBT estava a filmar a casa por fora. pregos que somos, nos demos de desavisados e puxámos papo com os dois caras que faziam as gravações:

"- essa casa tá pra alugar?"
"- tá sim. catorze mil."
"- essa aí não é aquela casa da..."
"- é sim, essa mesma."
"- como vocês souberam dessa história?"
"- a gente é do meio, né cara, a gente tem as fontes" - o rapaz disse, todo orgulhoso.

nisso, sai uma loira de um carro estacionado ali atrás e diz "nós vimos na 'Veja'". bingo. era a repórter - o cara que me havia respondido tudo era o motorista do grupo. e a moça, assaz simpática, queria saber porque eu tinha ido até lá. e eu respondi:

"- sou corretor de imóveis, vi a história na 'Veja' também, vim ver por curiosidade."
"- você é corretor dessa casa?"
"- não, de outras. só não estou com o meu cartão aqui..."
"- mesmo assim, não quer dar uma entrevista pra gente?"

meu querido Marcelo Freitas, a propósito de uma asneira que tinha feito no trânsito brasiliense, uma vez me disse "cara, aprenda uma coisa: ou você faz bonito desde o começo ou você faz cagada desde o começo". sem saber se o que estava fazendo era do primeiro ou do segundo grupo, decidi tocar o barco em frente... e topei dar a entrevista, falando que a casa era "muito bonita, bem-localizada, parece espaçosa e confortável, o preço está na média do mercado... não creio que demore a ser alugada novamente". HAHAHAHA, ho detto. depois foi só contar a bravata pros amigos e me ver, morrendo de vergonha, numa reportagem anunciada pelo Carlos Nascimento.
la strada all' inferno
então ficou decidido: eu tenho de voltar a estudar italiano, ficar fluente na p**** dessa língua e começar a xingar só em italiano, depois passar um tempo no país pra aprender a gesticulação - nem que seja na Lombardia, de onde minha família veio e os gestos são os mais comedidos do país. continua sendo questão de honra aprender italiano, só que se tornou algo mais urgente. depois disso, bora encarar o sueco, o concâni e o islandês, a última fronteira da comunicação trendy do mundo.
anhé?
foi só hoje, ouvindo nos fones de ouvido, que eu percebi que a Carly Simon fala "son of a gun" na introdução de "You're so vain". massa.

Sexta-feira, Abril 21, 2006

é sério
hoje eu dei uma entrevista no SBT, que vai ao ar à meia-noite e meia. amanhã eu explico isso melhor. mas ei, é sério.
draconiano
o Futerock, programa apresentado por meus queridos Luiz Galano e Alexandre Petillo, além de grande elenco, também tem um blógue na internet - sem contar que pode ser ouvido pela rede. entra logo, preibói!
ficção científica
eu ainda me lembro daquele dia em 2008 em que a conheci. estava num hotel em Bruxelas, fazendo meu check-in, havia acabado de deitar fora do corpo meu trench-coat. chovia a cântaros lá fora, e não havia, nessas condições, muito para onde ir. aí os meus olhos se cruzaram com os dela - e o mundo pareceu pequeno demais. quente demais. doce demais. tudo de mais. a boca secou, a caneta caiu. a moça do balcão perguntou em inglês se estava tudo bem e eu, trouxa, respondi em português. uma falha de comunicação, logo depois de um grande acerto você-sabe-onde.

não viajei mais de oito mil quilômetros para me apaixonar. subi ao quarto pensando nisso e em tirar as meias, a barba, tomar um banho de imersão o mais quente possível e voltar a mim mesmo, sem perder tempo com paixonites de viagem. em dois dias teria de voltar a Frankfurt e de lá seguir viagem para Dubai, enfrentando o maior choque térmico da história da civilização ocidental. mas o choque, naquelas condições, era outro. anafilático, de me esmagar por dentro. tem mulheres pelas quais você deixa família, fortuna e reputação para trás. nunca duvide disso - especialmente se você souber que podem explorar suas fraquezas. havia passado por isso quatro anos atrás e, de alguma forma, aquilo ainda estava presente em mim.

são histórias que nunca acabam, já dizia uma banda aqui da Bélgica. você vai e volta, acumula milhas, perde malas, gasta solas visitando itinerários sugeridos, prova comidas... e não se desapaixona. ou pensa que desapaixona, quando acontece tudo de novo. e não acha ruim: ao contrário, acha que pode dar certo. passa um tempo se enganando. quantas histórias realmente terminam? comigo foram duas. duas noites de sono bem dormidas, duas xícaras de chocolate quente, duas mechas de cabelo afastadas para os lados enquanto o beijo na testa sela o adeus, duas páginas não só viradas como arrancadas do livro e queimadas em silêncio. porque barulho faz mal e só o silêncio é sexy.

então lá estava eu, numa cama que seria minha por quarenta horas, tirando aqueles panos molhados que envolviam meus pés e ligando pra minha mãe, só pra dizer que tava tudo bem, que vencera um aguaceiro e a barreira da língua. deveria dizer a ela que perdi para um olhar rápido, coisa de três segundos? melhor ficar quieto. tudo parecia como daquela vez em que acordei num hotel em Guarulhos e não sabia onde estava nem o que fazer, e só fui descobrir horas depois, com uma limusine à minha espera e um negócio a ser fechado. tudo bem, o taxímetro rodava e eu continuava a ser pago para chacoalhar as mãos de estranhos duas vezes e, na segunda delas, receber um cheque e uma carta de intenções. sabe quais são as minhas para com você? saber se você é a dona daqueles olhos do saguão, que me perseguem pelo quarto, me escalam as costas e me derrubam na cama, que, se me pertence por dois dias, parece que a ti pertenceu por toda a vida - tal qual parece que eu também.

as meias se foram, a barba está por um fio - ou melhor, três, e de aço. sentisse eu sede, teria toda a água da chuva bruxelense para me desfazer a secura da boca - mas a única sede que tenho agora é de saber quem você é, por quê diabos estava ali e se aceita casar-se comigo. aliás, antes que você me diga que eu me apaixonei por uma imagem sua que não existe de verdade, procure saber se você é tão diferente assim dessa suposta imagem - talvez você se conheça menos do que eu te sei, talvez o teu susto negue o meu impulso com medo do que vem pela frente. então levante-se, esqueça o momento de fraqueza e continue a me escalar: abra a porta do meu quarto e reivindique o que é seu. tente me convencer de sua ingenuidade até ficar com raiva e me dizer coisas que você não queria dizer, porquê não sente. aliás, você sente alguma coisa?

pare, respire, não precisa responder agora. a tempestade que já cai é da cor dos teus olhos castanhos e a vontade que tenho é de te abraçar, seja quem você imaginar que é. se nem você souber, adoraria que descobríssemos, ainda que custasse tempo, dinheiro e indecisão, ainda que me tirasse horas de sono recontando passos, vendo você com outros, puxando com força pra dentro de mim a fumaça dos cigarros que não sabia que fumava, abraçando travesseiros com os braços que deveriam estar em torno de você e de mais ninguém. agora abraço o chão: estou deitado no carpete, à espera do seu salto dez que me vai pisar e me negar antes de seguir por uma estrada que te vai pôr a dezenas de quilômetros de distância de um pedaço de si mesma, estirado no chão de um quarto de hotel em Bruxelas, protegido da chuva e ameaçado pelo teu olhar.

Quinta-feira, Abril 20, 2006

faixa 4
do "Heartbreaker", do Ryan Adams. o nome é "AMY", em maiúsculas:

eu vou aos lugares onde costumávamos ir
eu me sinto triste
eu estou fora daqui procurando você
às vezes eu finjo
oh, eu sinto sua falta, oh
quando você me deitou
em seu lindo jardim
flores e o amor nos meus braços (...)


é, é uma canção maiúscula.
membership rewards
uma pena que nenhuma companhia aérea ou de viação se interesse pelas madrugadas brasilienses. agora, por exemplo: queria ir para Goiânia, nesse exato momento. contar piadas, tomar capuccino, ver fotos de uma menina. andar naquele corredor de ônibus do meio da avenida, pichar um muro com tinta vermelha e alguma bobagem romântica. e sem culpa nenhuma.

Quarta-feira, Abril 19, 2006

handclaps
coluna do João Pereira Coutinho na Folha de hoje:

O americano intranqüilo

Aterrei nos Estados Unidos, pela primeira vez, uns anos atrás. Fiquei pasmo com fato inesperado: a simpatia dos americanos. À época, não tinha ainda lido Tocqueville e não podia concordar com o sábio francês que, já em 1831, notara como uma sociedade civil forte promovia virtudes sociais fortes. Afabilidade. Simpatia. Cortesia. Eu chegava da Europa. E, na Europa, acreditem, ninguém é simpático com ninguém. Deve ser o velho "rapport" feudal que impede qualquer empregado de café de ser prestável para qualquer cliente de café. "Servir" é verbo indigno. "Agredir", não. Na Europa, e sobretudo em Paris, você se senta num bistrô e é tratado aos pontapés. É o velho charme europeu, de que os americanos não partilham.

Em Chicago, havia sempre um sorriso e um cumprimento matinal. E a pergunta, obviamente retórica, de saber se a vida rolava. Confesso: tanta alegria, às vezes, deprime. E o excesso de energia cansa. Mas, quando se aterra nos Estados Unidos, a primeira coisa que se enterra é o clichê do americano arrogante.

Infelizmente, o mundo não concorda. Sobretudo o mundo que nunca foi aos Estados Unidos, mas gosta sempre de dissertar sobre as qualidades dos indígenas. Aliás, não apenas o mundo: o próprio governo americano está seriamente preocupado com a imagem dos seus cidadãos no estrangeiro e resolveu editar um pequeno livro com 16 conselhos essenciais para civilizar os selvagens. O americano pede o passaporte e recebe sermão grátis para não horrorizar o europeu. De acordo com Washington, o americano no estrangeiro deve: falar baixo; ouvir muito; não "moralizar" em excesso; mostrar interesse pela cultura local; andar devagar, comer devagar e, presumo, pensar devagar; não discutir religião; não discutir política; não discutir desporto; não discutir e ponto; não usar bermudas; não usar boné de beisebol; aprender o dialeto local. No fundo, fazer uma lobotomia prévia e cruzar o Atlântico na condição de débil mental.

Não me oponho a esse circo. Mas, no meu estatuto de europeu "refinado", talvez não seja má idéia avisar: a imagem que a Europa tem dos americanos não é real. É política. E não se altera com livro de boas maneiras para ler no avião.

Começa por ser uma imagem política no sentido mais lato e histórico do termo: desde a fundação dos Estados Unidos, a Europa insiste e persiste em alimentar uma sobranceria patética em relação à antiga colônia. O Novo Mundo, aos olhos do Velho, era um espaço de degenerescência física e moral, sem os múltiplos refinamentos de um concerto em Salzburgo ou de um salão em Paris. Nietzsche e seus seguidores gostavam de repetir a tese: o gosto americano pelo mais reles materialismo era repulsivo aos olhos do europeu cultivado. A Europa produzia cultura; os americanos, coitados, tinham a mentalidade própria dos filistinos: adoradores do metal e escravos dele, incapazes de apreciar a beleza intangível da vida intelectual. Curiosamente, Nietzsche não sobreviveu para assistir aos prodígios que a "vida intelectual" acabaria por oferecer à Europa no século 20.

Mas a imagem é também política no sentido mais estrito e imediato: talvez Washington não goste da palavra. Mas ser um "império" não é uma questão de gramática. É uma questão de poder militar, econômico e cultural. O "espírito do tempo", para usar a linguagem de outro alemão célebre, mora do outro lado do oceano. E, enquanto o "espírito" estiver em Washington, e não em Bruxelas, os americanos serão sempre arrogantes, ou vulgares, ou rudes, ou incultos, ou antipáticos, ou imorais, ou monstruosos. É a velha síndrome do caseiro invejoso que namora as pratas do senhor enquanto o insulta pelas costas.

Que a Europa acredite nas suas fantasias, eis um fato que não incomoda uma única pessoa lúcida. Mas que o próprio governo americano esteja disposto a marchar na paranóia, eis a confirmação de que a loucura é leve e voa depressa como o vento.
desculpa aí
mas eu estou com vontade de escrever um poste sobre frustração, e não consigo. com isso, tenho mais uma frustração.
citando Ximeninho
fazer errado até dar certo.
citando Beckett
tentar de novo. falhar de novo. falhar melhor.

Terça-feira, Abril 18, 2006

uh la la
(a transcrição desta coluna é dedicada a todos os zineiros do Brasil. tá ouvindo, zineiro?)

Diogo Mainardi
Jornalistas são brasileiros

Franklin Martins é o principal comentarista político da Rede Globo. Um de seus irmãos, Victor Martins, foi nomeado para uma diretoria da Agência Nacional do Petróleo. Os senadores que aprovaram seu nome levaram em conta o parentesco ilustre. Luiz Otávio, do PMDB, comentou: "Os 42 votos favoráveis a Victor Martins são uma homenagem nossa ao jornalista Franklin Martins". Heráclito Fortes, do PFL, concordou: "Ele acrescenta à sua biografia o fato de ser irmão de um grande jornalista". Aloízio Mercadante, do PT, arrematou: "Victor Martins é um profissional competente e vem de uma família marcada pelo processo de resistência democrática". Lula entregou a Agência Nacional do Petróleo ao PCdoB. Victor Martins não obteve o cargo através do partido. Ele foi indicado diretamente na cota de seu irmão, Franklin Martins. Ivanisa Teitelroit, mulher de Franklin Martins, também já mereceu sua parcela de cargos públicos. Deve ser a isso que Aloízio Mercadante se refere quando fala em "resistência democrática".

Nas últimas semanas, a imprensa tem se dedicado a analisar a frouxidão moral dos brasileiros. Está certo. Os brasileiros são moralmente frouxos mesmo. Isso ninguém discute. Mas a imprensa certamente não é muito melhor. Franklin Martins não representa o único caso de promiscuidade entre jornalistas e poder político. Pelo contrário. Há exemplos semelhantes em todas as partes. Recentemente, Helena Chagas, chefe da sucursal de O Globo em Brasília, foi flagrada tramando com Antonio Palocci um esquema para desmascarar o caseiro Francenildo Costa. O marido de Helena Chagas, Bernardo Felipe Estellita, é servidor concursado da Câmara dos Deputados e intimamente ligado ao PT. Nos dias que antecederam a quebra do sigilo do caseiro, ele foi visto circulando pelo Ministério da Fazenda. Por outro lado, a irmã de Helena Chagas, Cláudia Chagas, foi indicada por Márcio Thomaz Bastos para o cargo de secretária Nacional de Justiça. Uma de suas responsabilidades é rastrear o dinheiro do valerioduto remetido ilegalmente para o exterior. Inclusive o que abasteceu a campanha de Lula.

Não é só no PT que isso acontece. Eliane Cantanhêde, chefe da sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, é mulher de Gilnei Rampazzo, um dos donos da GW, a produtora que cuidou das últimas campanhas eleitorais de Geraldo Alckmin e de José Serra. Gilnei Rampazzo é sócio de Luiz Gonzales, o marqueteiro escolhido pelo PSDB para coordenar a campanha presidencial de Geraldo Alckmin. Ele foi acusado pela Folha de S.Paulo de participar de um esquema de desvio de recursos da Nossa Caixa. Deve estar a maior confusão na casa de Eliane Cantanhêde. Lula Costa Pinto é outro jornalista confuso. Ex-jornalista. Ele é genro do ex-deputado Paes de Andrade e concunhado de Eunício Oliveira, ex-ministro das Comunicações. Lula Costa Pinto também se beneficiou de desvio de dinheiro público quando era assessor do deputado petista João Paulo Cunha.

Os brasileiros são moralmente frouxos. Os jornalistas são brasileiros.
com a palavra, Ryan Adams
I ain't never been to Vegas
but I gambled up my life


(de "Oh my sweet Carolina")
reconstrução
lema do dia: "Si vis pacem, para bellum". por mais difícil que seja fazer esta...
Brasília
hora de reestruturar a companhia?
morte e destruição
passei o domingo pensando em desistir. cheguei a assinar a carta de renúncia. na hora de apresentá-la, mandei antes uma cópia para a Ana Paula, que mandou na lata: "para ser feliz é preciso passar por provações antes. nenhuma vitória tem qualquer gosto se você não luta por ela. não vou compartilhar desse seu ímpeto pusilânime".

e então eu mudei de idéia. uma decisão acertada. e não há mais esse compasso de espera que mencionei ontem não. tenho que construir as coisas desde já - ainda que não em um ritmo tão rápido.

Segunda-feira, Abril 17, 2006

mindfuck
kevlarsjäl disse:
só pagando de gatinho, hein
brown sugar diz:
?
kevlarsjäl diz:
essa foto aí
brown sugar diz:
i dont speak portugese
kevlarsjäl diz:
how do you know it is Portuguese, gente boa?
brown sugar diz:
cause u are fernandos friend?
kevlarsjäl diz:
ok, it is a reasonable answer
kevlarsjäl diz:
how are you, cheirador?
brown sugar diz:
fine fine off to work
kevlarsjäl diz:
good... and what is your work, preibói?
brown sugar diz:
now in a bar
brown sugar diz:
have to run
brown sugar diz:
see ya
kevlarsjäl diz:
could you suck me before you go-go?
walk away
mais uma vez eu deixei aquele assunto em compasso de espera. porque não adianta fazer nada por ora. enquanto isso, bora tocar as outras coisas. é bom pra dar uma folga pros meus amigos, que não me agüentam mais com essa história toda.
slow life
ENTREVISTA DA 2ª - ROBERT SAPOLSKY
para neurocientista americano, antecipar demais situações sociais provoca a morte de neurônios

"Seja mais superficial", diz especialista em estresse
por Sérgio Dávila, de Washington

Entre 28 milhões e 56 milhões de pessoas nos EUA sofrem de doenças relacionadas ao excesso de estresse. São nomes familiares e indesejáveis como depressão, úlcera e perda de libido. Na maioria dos países industrializados, a porcentagem de atingidos varia pouco - é sempre entre 10% e 20% da população.

Mas o estresse tem cura? "Seja mais superficial em sua vida", ensina Robert M. Sapolsky. O acadêmico norte-americano fala em tom de blague e de maneira simples, mas explica: como não há cura para o estresse, embora Sapolsky trabalhe com algumas possibilidades de terapia genética para atenuar os efeitos nocivos deste no cérebro, o negócio é ser, ou pensar, mais simples.

Como uma zebra.

Como uma zebra? "As zebras só se estressam quando enxergam um leão na savana. Então, usam todas as forças e possibilidades de seu organismo para fugir do predador. Passado o perigo, cessa o estresse", explica. O problema dos humanos é reproduzir a situação mesmo na ausência do "leão". Essa é a base de um de seus livros mais conhecidos, "Why Zebras Don't Get Ulcers" (Por Que Zebras Não Têm Úlceras, de 1994),
que a editora Francis promete lançar no Brasil neste ano.

Não se trata de auto-ajuda. Extremamente bem-humorado e com uma escrita leve e irônica - já foi chamado por um crítico literário de o "Woody Allen da neurociência" -, Sapolsky, 49, é um dos raros ganhadores do Prêmio MacArthur, em que a renomada fundação dá US$ 500 mil a uma pessoa, de qualquer área do conhecimento apenas por ter julgado que o trabalho do premiado justifica o investimento.

O trabalho, no caso, era uma pesquisa que o levou a acompanhar por dez anos um grupo de babuínos na África. Ele procurava a relação entre o excesso de estresse e a morte de neurônios. O relato da história deu em "Memórias de um Primata", leitura recomendada tanto aos estressados como aos fãs de livros de memórias e de relatos de viagens.

Mais de 20 anos depois, sua pesquisa ainda não é conclusiva, mas aponta para direções interessantes (veja quadro nesta página). Professor de neurociências da Universidade Stanford, na Califórnia, Robert M. Sapolsky ("o "M" é de Morris, nome que eu simplesmente detesto", diz), cabelos e barba que ora lembram o personagem Rolo dos quadrinhos de Maurício de Sousa, ora um babuíno, falou algumas vezes à Folha, a última delas na semana passada.

Folha - Por que, afinal, as zebras não têm úlceras?
Robert M. Sapolsky - Porque elas só se estressam no momento "certo", quero dizer, só quando há um perigo real e iminente -geralmente, um leão tentando devorá-las. No segundo seguinte e no segundo anterior à passagem do leão, elas estão ou voltam ao seu estado normal. Os babuínos não são assim -nem nós, simplificando enormemente o trabalho de minha vida inteira.

Folha - Por que não?
Sapolsky - No nosso caso, porque somos inteligentes o suficiente para pensar em situações estressantes, antecipá-las, antecipá-las de novo, muito antes de que elas realmente aconteçam, se é que vão realmente acontecer, antecipá-las neuroticamente quando elas nunca vão acontecer de verdade, mas já aconteceram uma vez, reviver e reviver as mais marcantes inúmeras vezes...

Folha - E como isso nos afeta?
Sapolsky - Além do que já se sabe, pode, penso eu, "matar" neurônios importantes do cérebro ao longo do tempo, neurônios particularmente sensíveis à ação prolongada de hormônios produzidos pela glândula supra-renal, como a adrenalina. Pelo menos acontece com babuínos.

Folha - E há "cura"? Ou pelo menos uma maneira de evitar, atenuar essa situação?
Sapolsky - No caso da morte dos neurônios, penso que existem maneiras de, via terapias genéticas e uma vez identificadas as células do cérebro que vão sofrer com o excesso de estresse, protegê-las. No caso dos humanos, temos de ser mais superficiais.
Por "mais superficiais" eu quero dizer menos cerebrais. Conseguimos isso, paradoxalmente, sendo mais cerebrais. Explico. Se você conseguir raciocinar científica e constantemente, conseguirá discernir se o que o está estressando é uma realidade, digamos, física ou apenas psicossocial. Se for física, pode se estressar. Se for psicossocial, esqueça. É simples - e impossível.

Folha - O sr. pode elaborar?
Sapolsky - Hoje em dia, é quase universalmente aceito que o estresse tem um papel importante em enrijecer nossas artérias, aumentar nossa pressão sangüínea, mas na época em que comecei minha pesquisa havia apenas uma percepção de que os dois acontecimentos tinham relação.
Havia os militantes radicais, que afirmavam que o estresse CAUSA essas doenças, ponto final. Hoje concluímos que essa relação causa-efeito simples pode acontecer, mas é mais rara. É mais provável que aumente grandemente o impacto de outros fatores de risco e piore os casos já estabelecidos.
Já os céticos achavam que: 1) O estresse não tem NADA a ver com isso; 2) OK, tem a ver, mas com um papel secundário; 3) Sim, tem a ver, mas só em indivíduos com predisposição a ser estressados. Para estes, por exemplo, pessoas estressadas comem mais carboidrato. A mudança de pensamento ocorreu pelo acúmulo de provas científicas básicas mostrando como você parte do "estresse", esse grande, confuso e indefinido conceito, para a biologia celular e molecular da doença.

Folha - Uma vez identificada a biologia celular e molecular da doença, qual a sua conclusão?
Sapolsky - O aspecto psicossocial é o principal detonador do estresse. Ele tem mais a ver com a sociedade em que ocorre, com o papel do indivíduo nessa sociedade. Por exemplo: um homem em crise de meia idade não é mais estressado porque bebe mais álcool, fuma mais, come mais gordura; ele faz isso porque é estressado.

Folha - E por que estudar babuínos?
Sapolsky - Na verdade, eu queria estudar os gorilas. Era o auge da fama da (primatóloga) Dian Fossey. Todo o mundo queria estudar os gorilas. O fato é que ninguém mais deixava os gorilas em paz, qualquer estudante recém-formado pegava sua mala e ia atrás dos coitados.
Como a fila era grande, eu procurei uma espécie menos disputada. Foi assim que acabaria me apaixonando pelos babuínos.

Folha - Uma das críticas a seu trabalho é que ele lança mão excessivamente de antropomorfismo, que mais vezes do que seria desejável para um cientista o sr. atribui qualidades humanas a animais...
Sapolsky - Uso dois níveis de antropomorfismo. Um é um recurso puramente literário -e até meio bobo. É quando escrevo por exemplo que os babuínos passavam por um período de instabilidade hierárquica tão caótico "que os trens não chegavam mais no horário, a correspondência não era mais entregue". Quem levar isso ao pé da letra tem algo muito errado na cabeça.
A outra ressalva, mais séria, é quando uso o antropomorfismo em minha pesquisa, ao lançar mão de termos como "amigos", "cultura", "personalidade", para narrar eventos ocorridos com os babuínos. Entendo a crítica, mas defendo que esses termos são absolutamente legítimos. Quando escrevo a palavra "depressão" para definir o estado de um babuíno, por exemplo, defendo esse uso. Mas concordo com a acusação quando uso a palavra "amor" -embora na minha cabeça de observador houvesse o conceito.

Folha - Já que estamos no reino do antropomorfismo, o sr. sente "saudade" dos seus babuínos?
Sapolsky - Eu sinto falta deles, e da África em geral, o tempo todo. Tenho filhos pequenos, e, desde que eles nasceram, eu reduzi minhas visitas ao continente a uma vez por ano, um mês por viagem. A última vez que consegui fazer isso foi em 2004.

Folha - Sobre o que será seu próximo trabalho?
Sapolsky - Estou pensando em alguns livros, na verdade estou no estágio seguinte a somente "pensar". Mas no momento estou afundado em trabalho no laboratório.

Folha - O sr. ganhou o Prêmio MacArthur. O sr. se considera um gênio? Ou enganou a fundação este tempo todo?
Sapolsky - (brincando) Foi tudo um jogo de camaradagem, fui fazendo amizade com outros "gênios" e eles acabaram me indicando. Falando sério, é extremamente estressante corresponder às expectativas depois de ganhar um prêmio assim. Por outro lado, você ganha carta branca para expressar suas opiniões mais imbecis sobre os mais diversos assuntos. E todo o mundo o leva a sério!

Folha - O sr. é estressado?
Sapolsky - Sou absurdamente estressado. Trabalho demais, durmo pouco, tenho filhos pequenos... O que me impede de ser mais é que eu adoro meu trabalho, sou desesperadamente apaixonado por minha família, exercito-me com freqüência...
nota dez
para esta esquete do Gato Fedorento aqui.

Domingo, Abril 16, 2006

qual é a música?
você consegue imaginar o Cure no "Qual é a música" da TVS circa 1989, tocando "Untitled", com o Robert Smith segurando aquele microfone com espuma cor-de-carne, no meio daquele cenário avantgarde com fundo amarelo, luzes redondinhas nos rodapés e as colegas de trabalho assistindo atônitas?

eu consigo.
intempérie
as probabilidades de chuva sobre Brasília hoje são pequenas, infelizmente. tudo bem que choveu até dia desses, mas eu queria nove milhões de dias chuvosos a partir de hoje. chuva ininterrupta, de preferência.
golpe de vista
eram três e quinze da manhã quando cheguei em casa e, ao contrário do que se esperava, não fui dormir. ao invés disso, armei uma bomba. ainda estou com ela aqui comigo, apenas à espera do melhor momento para atirá-la, o que deve acontecer em no máximo 48 horas.
um
antes de tudo, feliz Páscoa pra todo mundo.

Sábado, Abril 15, 2006

fashion victim
a Zara do Parkshopping é, tipo assim, um templo de consumo para a juventude antenada brasiliense. trata-se, mais do que uma simples loja, de um pináculo no consumismo fashion do cerrado, um meio-termo entre o pasteurizado barato (Renner, Riachuelo, C&A) e o trendy-que-te-manda-pro-cheque-especial (Tommy Hilfiger, Osklen, Replay). mais do que a Levi's, cujas lojas não tem tanta variedade, mais do que a TNG, que certas vezes descamba pra um estilo mais ceilandense.

quando estive no fim do ano passado no Conjunto Nacional com o casal-locomotiva da Asa Norte, Rollo e Camila, vi com surpresa o anúncio de que uma nova loja da Zara seria erigida ali, nesse shopping centre tão... tão... tão Taguatinga Shopping. e imaginei que a loja seria mais acanhada e para fazer com que a gente sofrida que freqüenta a rodoviária do Plano Piloto, logo ali do lado, se poupasse de ir ao Parkshopping. qual o quê. a Zara do CN abriu portas no mês passado e, informado pelo bon vivant Otto Solino, soube que era ainda maior do que a primeira loja. dois andares, sendo o superior apenas de moda masculina. uh la la!

dirigi-me, então, ao Conjunto Nacional, onde hoje conheci a nova loja: uma beleza. trench-coats tudo-de-bom, camisolas / camisetas inspiradas (embora algumas com um quê negativista, tipo "I want your skull"), calças xadrez que ainda terei, ternos de inspiração retrô, meias lisas, sneakers... tudo tão aprazível que saí com uma sacola. com coisas dentro, é claro. assim, recomendo uma visitinha à nova loja da Zara... na pior das hipóteses você se sente, tipo assim, super-mediterrâneo-primeiro-mundo.
não se esqueça
desde anteontem, graças ao Marcelo, resgatei um disco que não me comoveu na época em que saiu, foi executado até o sexto nas rádios brasileiras, transformou os membros da banda em rockstars de primeira grandeza aqui no país da mandioca e trouxe-os para tocar no país no Rock in Rio.

o disco em questão é o "Neon ballroom", do Silverchair. admita: você tinha dezessete pra dezoito anos na época em que ele saiu (1999), você achava o Daniel Johns lindo, você ouvia "Ana's song (open fire)" e ficava imaginando quem era a Ana da música e, quando descobriu que era uma canção sobre anorexia, ficou "aliviada", porque ainda mantinha esperanças de se casar com o loiro australiano, que acabou se dando assaz bem e garfou a Natalie Imbruglia, com ela subindo ao altar depois de uns anos.

tocou ad nauseam em tudo que é rádio, lembra? o duro é que, mesmo tendo isso sido insuportável, o disco tem mais predicados do que os outros sucessos internacionais daquele ano - a relembrar: "Californication", Red Hot Chili Peppers; "Supernatural", Santana; "Garage inc.", Metallica (lançado em 1998 mas bastante executado em 1999 por conta de "Whiskey in the jar"), e por aí vai. a molecada down under meteu cordas no disco, cuidou dos arranjos, botou umas letras mais, ahn, de destruição madura (olha eu indo pro inferno depois de cunhar esse termo...), coisas assim. e o disco vendeu lindezas por aqui, a ponto de o Silverchair ter tocado depois dos Deftones no Rock in Rio - coisa que só poderia se repetir na Austrália natal da molecada.

a já citada "Ana's song" é uma das músicas mais bonitas sobre coisas ridículas já feitas. há pelo menos um momento brilhante na letra, quando ela diz "I love you to the bone" - um trocadilho ferino e passional. apesar de uns rockões de primeira, o lance aqui são as baladinhas, que fizeram tantas teenagers, incluindo você, suspirar pelo grupo. "Emotional sickness", "Miss you love"... e deve ter mais algumas. uma hora eu resgato o "Diorama", de 2002, que é ainda melhor mas passou quase em branco por aqui, porque a banda encerrou atividades em 2003 - uma sábia decisão de Daniel Johns. afinal de contas, por quê sair de casa quando você dorme com a Natalie Imbruglia?