Sexta-feira, Março 31, 2006

heartbreaker
"mulher sem TPM: utopia de todo macho" - Rodrigo Damasceno, o mito.

*

parece que a burrice sua não tem mesmo limites. depois de não conseguir entender que, pra mim, a sua amizade não vale nada (como eu já havia te dito pessoalmente), você não entendeu que eu não estou a fim de brigar. nunca estive. não adianta espernear pros meus amigos por causa do meu desprezo. se você é mimada demais e exige atenção, exige minha amizade, exige que eu a cumprimente, problema o seu: não estou a fim de fazer isso. e não brigarei, não responderei suas mensagens, não direi uma palavra ao telefone, caso você lembre do número ou alguém desgraçadamente lhe dê. minha vida em nada depende da sua. e eu só te escrevo isso aqui por um único motivo: porque sei que você não lê.

*

amore, fai presto
io non resisto
se tu non arrirvi
non esisto


Roberto e Erasmo merecem cada centavo ganho dos direitos autorais da trilha do "Ocean's twelve". essa Ornella Vanoni cantando "L'appuntamento" é sobrenatural.
popquiz kid
why do people cheat on people they "love"

cuz they can
dont know
drunk
pissed
a burning forest of love
ando numa fase de muito Twilight Singers. e lembrei das belas fotos que ilustram o encarte do "Black love", disco do Afghan Whigs - só fotos p&b de lugares na Itália. não tive como não colocar, ainda que um pouco fora do estilo das do encarte, uma outra aqui, do palácio velho de Florença:



algo me diz que uma parte da minha vida vai se passar no norte e centro da Itália. mas não sei. o Greg Dulli tem uma obsessão por coisas italianas, acho que tenho disso também. e esse poste é dedicado a todas as meninas de quadris largos que lêem este blógue.

Quinta-feira, Março 30, 2006

abnormal
medo de olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. e ver você.
conexão
sucesso da tarde: Harry Belafonte - "Jump in the line". Belafonte é o cara.
faq life in slow motion
80. você não tem medo de parecer nazista glorificando a Suécia desse jeito?
nenhum. no Brasil rola aquela cultura tacanha de que "deus é brasileiro" e que bom mesmo é quem é daqui. do tipo "eles podem ter um IDH de 0,9 e uma indústria aeroespacial de fazer inveja aos EUA, mas só nós somos pentacampeões do mundo, e rumo ao hexa". aí o brasileiro médio, ufanista que só, vai lembrar da final de 1958, da rainha do país falar português, dos alces... enfim, dos clichês suecos.

81. então por quê não torcer para a Suécia na Copa?
eu estou torcendo para a Suécia na Copa. só que estou torcendo para Portugal também.

82. e numa final entre os dois países?
meu deus, já imaginou que emoção? numa final dessas, improvável de se acontecer, eu torceria por Portugal, porque é o país mais cool da Europa. mas não ficaria triste se os suecos ganhassem; ao contrário, sairia pra tomar uns vinte copos, em homenagem à Nina Persson das antigas, que bebia um litro de vodca por dia.

83. este blógue hoje é só sobre a Suécia?
não, daqui a pouco voltamos com a nossa programação normal.
Gotemburgo
eu vou viver na Suécia
por favor, não me pergunte o porquê
pois se tivesse de dar um motivo
ele seria uma mentira
alto e forte e loiro de olhos azuis
puro e saudável, e muito rico
minhas asas crescerão e voarei para a Suécia
quando minha hora chegar
ao menos meus olhos os verão
heróis, todos eles
Ingmar Bergman
Henrik Ibsen
Karin Larrson
Nina Persson


(Divine Comedy, "Sweden", 1998)
homem do ano
cara, tinha que ser sueco. tinha. a Suécia é genial, então seus habitantes também são geniais.

Magnata compra área para preservar Amazônia
por Gustavo Simon

Johan Eliasch, um milionário sueco de 43 anos, presidente de uma empresa de materiais esportivos, comprou uma área superior à cidade de Londres na Amazônia, com o objetivo de prevenir o desmatamento. A informação é da BBC Brasil.

Ao todo, o novo "sítio" de Eliasch abrange 1.618 km², ao norte do Rio Madeira. O jornal The Sunday Times, primeiro veículo a divulgar a informação, estima que a região valha cerca de US$ 8 milhões - algo em torno de R$ 17,2 milhões.

O sueco contou o que pretende fazer com a área que comprou: absolutamente nada. A razão? "É um pedaço de terra com muitas árvores. Como eu gosto de árvores, fiz parar todo o desmatamento", disse em entrevista ao Times.

Ele garantiu ainda que não está fazendo o chamado "colonialismo ambiental", nome dado ao processo em que países ricos compram áreas verdes de países pobres ou em desenvolvimento para preservá-las.

Eliasch rebateu as críticas, afirmando que sua compra não se trata de colonialismo justamente por preservar a região. O empresário quer que outras empresas sigam seu exemplo, especialmente as grandes seguradoras.

Segundo ele, estes empreendimentos perdem bilhões de dólares por ano para ressarcir seus contratados por conta de desastres ambientais, que teriam ligação direta com o desematamento na Amazônia.


outros exemplos de suecos brilhantes:

1. o fundador da Ikea, cujo nome me foge;
2. Joakim Berg, do Kent, o rei do refrão;
3. qualquer designer da Volvo;
4. Max Martin, o primeiro produtor dos Backstreet Boys e que também tem "Baby one more time" no currículo;
5. a galera que faz o Ohhh... my head... página referência na avaliação de cervejas;
6. o cara que inventou o pão sueco, seja quem ele for.

assim, não resta dúvida sobre o fato de que a Suécia é um país superior e seus habitantes também. portanto, ao ver um sueco médio na rua ou reconhecer um dos símbolos nacionais do país, faça o que se espera de qualquer bodinho civilizado: curve-se.

Quarta-feira, Março 29, 2006

teoria de mesa de bar
a masturbação está atravancando o desenvolvimento nacional. ao menos nos reality shows.

explico: ontem, como é de notório conhecimento público, a desremediada Mara venceu a sexta edição do Big Brother Brasil e, o que é alarmante, tornou-se a quinta pobre a vencer o programa - um aproveitamento nada desprezível de 83,3% (lembrando que o único não-pobre a triunfar foi o janota Dhomini, da terceira edição). para mim, o fiel da balança na decisão foi o público heterossexual masculino, que ficou com medo de que a outra favorita, a supergostosa Mariana, levasse a bolada de R$ 1 milhão e não mostrasse suas intimidades na Playboy.

não se trata de um fenômeno isolado: no BBB2, a loirona Manuela chegou até as finais, sendo batida pelo matuto Rodrigo e ficando com o vice. no BBB5 foi a vez da fenomenal Grazielli ser batida pelo viado Jean, que beneficiou-se de um fortíssimo lobby sodomita e sagrou-se prego-mor do Brasil.

desta maneira, suspeito que os portadores do cromossomo XY no país estejam secretamente associados para manter uma gostosa na casa até as finais, de forma a prolongar o deleite em frente à tela da tevê e, na hora do final move, passam-lhe a rasteira e montam acampamento nas bancas e nas páginas de putaria na web. por sinal, a Roberta, outra loira desta sexta edição, é a capa da Playboy do mês que vem.
luglio '05
uma comparação feita em meados do ano passado pelo deputado italiano Antonio Di Pietro, da esquerda italiana, só chegou agora à redação deste blógue: "Berlusconi é como a Aids, quando você conhece, você evita". ou, se você for turco, "Berlusconi AIDS gibi bir sey. Tanidikça ondan uzak durmaniz gerektigini bilirsiniz".

achei tanta fé no que o bicho disse que vou começar a usar essa frase, adaptando-a ao meu quotidiano. beleza?
creize
Muito se fala – até hoje – sobre o medonho MONSTRO DO LAGO PARANOÁ. Centenas de avistamentos foram relatados no DF Medieval, mas a comunidade científica preferiu descartá-los como uma ilusão de ótica causada por um GAI DE PAU boiando nas noiantes águas do lago. Sandice, como bem entendemos. Na verdade, a suposta besta nada mais era do que Anfábio, um maconheiro que ia para a UnB de caiaque.

e com essa, o DF Medieval continua um lugar de altíssimo nível.
maravilha
album of the day: Quinteto Tati's "Exílio". cannot wait for their second album, which is due to be released this year.
Brasília, a cidade-luz
depois que me mudei para a capital federal, virei autoridade para discutir política na cidade onde passei o começo da minha vida. todo mundo acha que, só por estar em Brasília, já estou associado às elites políticas que dominam esse curralzinho de oito milhões de quilômetros quadrados, todo mundo acha que eu tenho revelações bombásticas sobre os escândalos políticos que assolam o país da mandioca. e normalmente eu não tenho.

mas tenho uma hoje: numa reunião de uma empresa local com uma grande lobista que para eles trabalha, ontem à noite, um dos ex-assessores de imprensa do PT, contratado a peso de ouro por esta empresa de lobby, contou histórias do arco da velha sobre o modus operandi do partido, incluindo megalomanias de seus dirigentes. e confidenciou que, além do caseiro, há uma outra pessoa que pode confirmar que o ex-ministro da Fazenda, afastado essa semana, freqüentava a casa: um garção que servia os convivas.

o assessor não disse o nome do esculápio, talvez para proteger a crocodilagem. esse garção foi "salvo" pelo PT, que arranjou-lhe um emprego... no Ministério da Fazenda. o que não impede, claro, uma convocação por parte da CPI, caso se interesse.

Terça-feira, Março 28, 2006

uau
o Concelho (com "c", à portuguesa) de Lewisham, na região metropolitana de Londres, está conclamando seus cidadãos a tomarem parte numa campanha contra o vandalismo. eles são chamados a denunciar actos como pichações, lixeiras e contêineres de entulho carregados acima do limite, veículos abandonados e toda outra sorte de poluição visual que afete Lewisham.

só que o modo como as informações são processadas é outro. eles pedem para que você fotografe o ocorrido com a câmara de seu telemóvel e envie ao número deles, informando, no corpo do MMS, o endereço da coisa e qualquer outro detalhe que seja possível fornecer. e prometem agir em até três dias úteis. caso o denunciante queira, pode ser informado, via SMS, dos progressos que o Concelho tomou em relação à sua denúncia e, quando a parada estiver resolvida, receber uma foto de como as coisas ficaram.

não é maneiríssimo? apesar do esforço necessário, eu adoraria ver essa idéia pegando em Brasília.
1, 2, 3, 14
com a demissão do Palocci, a colocação do cargo de presidente da Caixa à disposição e o inútil do Guido Mantega sendo o primeiro italiano a assumir o ministério da Fazenda brasileiro, essa semana tá excelente para nós, da oposição. se eu fosse o ACM Neto, sairia de casa com os bolsos do terno cheios de pedras grandes, e não hesitaria nem meia vez em:

- pedir o enquadramento do Lula na CPI dos Correios;
- ouvir, ainda que com o Supremo Tribunal Federal contra, o depoimento do Francenildo;
- arrumar um double agent que consiga, à força, quebrar o sigilo bancário do Paulo Okamotto. é contra a lei? é. é anti-ético? sin duda. mas já que a coisa caminha para ver quem é mais baixo, foda-se;
- abrir um processo contra a Ângela Guadagnin por quebra de decoro por causa da dancinha da semana passada. no vácuo, faria um paredão pra evitar um "acordão" que livre a cara do João Paulo Cunha, essa semana;
- jogar na propaganda partidária a declaração do Lula, semana passada, de que se o Palocci pedisse pra sair do governo, ele não deixaria sair.

ou seja, o momento para fazer blitzkrieg contra o governo é agora. é bater com toda força do mundo e fazer o dólar chegar a R$ 3,30. depois é só conter o STF e correr pro abraço. mas não muito rápido, porque o limite de velocidade no Eixo Monumental é de infames 60 quilômetros por hora.

Segunda-feira, Março 27, 2006

melhor idéia do mês
cercar o Palocci na entrada de casa e, com a ajuda de uns amigos, aplicar-lhe um cuecão (ou wedgy, se você for dos EUA).
minimalismo insano


(poste dedicado a Pedro Matiello, o herói que não foi pra guerra)
setor Bueno
eu não sabia, até ontem, que pequí tinha espinhos. obrigado, comercial do HSBC.
alla costa
eu não costumo acreditar em coisas simples demais.

Domingo, Março 26, 2006

next step
Tóquio, Japão.
faq life in slow motion
77. por quê não tivemos postes novos ontem?
r: porque ontem foi um dia extremamente sociável e ébrio. encher a cara pode ser excelente para coisas como getting laid, mas se eu não bebi uísque doze anos de graça quando fui autografar meu livro, que é uma tarefa simples, não iria escrever no blógue estando de fogo de cerveja.

78. sou do Vale do Paraíba, que você chama de deprelândia, e tem um gordo imbecil dizendo que você é viado. procede?
r: não, eu sou heterossexual, convicto e "não-praticante" (leia-se "gosto de mulher mas não pego ninguém", haha). essa mentira tá sendo espalhada por um invejoso cujo pai tornou-se estéril uns anos depois do filho nascer - provavelmente por desgosto.

79. "Maybe", da Emma Bunton, é uma excelente canção, não acha?
r: tenho certeza. sem ironias.
páginas da história
you gave away the things you loved and one of them was me

Carly Simon, "You're so vain", final de 1972. mas se ele/ela jogou fora as coisas que amava, talvez não amasse porra nenhuma. pelo menos não como devia.
e no mais...
é como uma vez eu disse pro Marcio: você passa a vida toda atacando, até que um dia precisa assumir uma posição de defesa. e descobre que não sabe defender.
o chão vai te engolir
ontem aconteceu algo bizarro na minha vida. quer dizer, é a coisa mais normal que tem por aí, coisa corriqueira na vida da maior parte dos meus amigos. já me haviam dito que um dia aconteceria na minha, talvez até tivesse acontecido e eu não me havia dado conta disso. não sei. mas ontem eu percebi que estava acontecendo e, depois disso, o meu pré-julgamento e a minha leve inaptidão para a coisa me encarregaram de encaminhar a situação. acordei hoje cedo sem saber como lidar com isso, mas espero achar graça dentro de algum tempo. não foi trágico, é verdade; por mais cruel que possa ser, não acho que perdi grande coisa. mas não vou passar o tempo pensando em what ifs. o chão não me engoliu; saí vivo, apesar de bêbado, e fui cuidar de mim - mas sem egolatrias.
importante
esta semana que começa amanhã não é decisiva. mas eu preciso me comportar como se fosse - e seguir assim até o final da minha vida.
geeeeeela
acabei de ver no Soulseek que alguém procurou pela palavra "create" e a busca retornou resultados no meu acervo. normal. o problema é que eu li tão rápido que achei que a pessoa tivesse buscado por "crente" e tivesse achado algo aqui - o que seria motivo para minha preocupação.
dízimo
a primeira banda que mudou minha vida foi os Smiths. 1997, nojo dos Raimundos, sabendo alguma coisa de inglês... tinha que procurar alguma coisa pra minha vida, né... então acabei descobrindo eles. e foi a minha banda preferida até lá por 2002, quando dei a mão à palmatória e descobri que o Suede era (ainda é) a melhor banda do mundo.

quando você vira uma pessoa bem resolvida e de bem consigo e com o mundo, como aconteceu comigo no final de semana passado, sua paciência com os Smiths estoura. você acusa a bicha velha do Morrissey de reclamar de tudo, de lamentar e não fazer picas para a situação mudar, de ser um subproduto Thatcherista (logo você, que vota com o Labour e com os republicanos), de glorificar o facto de estar na m****, além de responsabilizá-los pelo Travis, pelo John Mayer e por dúzias de outros lixos que aí estão.

concordo. em parte considerável - mas não toda - é culpa dos Smiths. o problema é que, quando eles puxam o freio do miserabilismo e atacavam os outros com sarcasmo, continua sendo bom demais. por isso mesmo eu não tenho paciência para ouvir o "Ringleader of the tormentors", um conjunto de supostos lamentos à italiana, e vou ouvir "Cemetry gates", um murro bem doído na cara do Howard Devoto - que deve arder ainda hoje, a poucos meses de completar vinte anos. ô musiquinha boa.
mmmm
hoje tava bom pra encarar um rango árabe, não?
além
da Folha de São Paulo de hoje:

Quero ir para longe do Brasil, diz caseiro que acusa ministro

por Rubens Valente
da sucursal de Brasília

A sucessão de eventos que atingiram Francenildo dos Santos Costa, 24, após o depoimento prestado à CPI dos Bingos (a decisão da Justiça impedindo que falasse, a violação da sua conta bancária e um pedido do governo para investigá-lo por "lavagem de dinheiro") abalou sua confiança no país. Seu maior desejo hoje? "Ir para bem longe do Brasil."

O caseiro está sem casa. Na última semana, dormiu num lugar diferente a cada noite. Equipes de TV rondam seu último endereço, em São Sebastião (DF), fazem perguntas aos vizinhos sobre seu dia-a-dia e querem saber "quem paga o aluguel". Não voltou mais para lá. Numa noite, dormiu no escritório do advogado. Na maior parte das vezes, em casas de amigos. Por causa das pressões, teve problemas com sua mulher, Nelma, com quem vive há sete anos e tem um filho da mesma idade.

Parou de freqüentar o supletivo (ele estudou até a 5ª série) assim que suas declarações vieram a público. Na noite do dia 17, quando foi revelada a violação de seu sigilo bancário, desabafou à Folha: "Minha avó está passando mal. Se alguma coisa acontecer com ela, eu me suicido". Ela tem 67 anos e teria desmaiado ao ver na TV o neto sendo "desmentido".

Uma semana depois, Francenildo descobriria ser alvo de um inquérito policial. Chorou com um amigo e disse que pretendia voltar para o Piauí, sua terra natal, que deixou aos 16 anos de idade, com R$ 30,00 no bolso e a mãe ao lado.

"Queria chorar um dia e uma noite seguidos", disse logo após deixar o prédio da Procuradoria Geral da República, onde fizera a enésima narrativa de tudo o que disse ter visto na casa do Lago Sul alugada por ex-assessores do ministro Antonio Palocci (Fazenda).

O caseiro disse que não tinha a mínima idéia do que ocorreria a partir da decisão de procurar um amigo para dizer que queria narrar, na CPI, o que afirma ter presenciado na casa. Quando contou ao amigo o que pretendia fazer, o interlocutor antecipou a tempestade. "Ele me disse: "Tu quer chutar o balde mesmo?'", lembrou-se o caseiro. Francenildo disse que sua principal motivação foi ver pela TV "as mentiras" dos freqüentadores da casa. Disse ter ficado "indignado".

"Eu pensava que o negócio era só falar no jornal e pronto. Foi totalmente diferente", contou. Não esperava tornar-se um alvo da polícia e do governo. "Eles têm que investigar o [Vladimir] Poleto, o próprio [Antonio] Palocci."

Francenildo Costa está no olho de um furacão muito diferente de sua pacata rotina de limpar a piscina, cortar a grama e aparar a cerca viva, pela qual recebe R$ 700 mensais (agora está de licença, mas o patrão, o advogado Luiz Antônio Guerra, já avisou que vai mantê-lo no emprego).

(...)

O caseiro é um palmeirense doente. Um de seus orgulhos é ter uma camiseta autografada do goleiro Marcos. Na última sexta-feira, descobriu que um grupo de advogados quer recebê-lo em São Paulo, para lhe dar apoio. Ficou satisfeito com a possibilidade de conhecer o Parque Antártica.


meu deus. não é um empresário milionário, um senador da República, um lobista poderoso, um governador. é esse cara que o PT tá tentando destruir. já quebrou o sigilo bancário dele sem ordem, já escancarou que ele nasceu fora do casamento do pai, já fez com que ele sentisse vontade de ir embora do país. agora falta o quê?

Sexta-feira, Março 24, 2006

residual
(continuação do poste anterior)

e onze: enquanto você não mudar, não tem conversa. e eu não vou ficar esperando uma mudança sua.
cubos de gelo
dez coisas que eu odeio em você (e que você nunca saberá porque não lê este blógue, ainda bem):

1. você tentar falar comigo apenas para ficar bem consigo, levando a egolatria e o desprezo pelo que os outros sentem a níveis impensáveis;
2. ver que essa história já aconteceu três vezes e não mudou nada, porque você continua agindo da mesma maneira infantil e irracional. se fosse o caso de acontecer uma quarta vez, seria bom que você mudasse - mas você é burra demais pra mudar;
3. a desfaçatez com que você pede o número do meu telemóvel para os meus amigos, exceto para aquela nossa amiga double agent que sabe de tudo que aconteceu entre nós e que te pediu, da última vez, para que você nunca mais tentasse falar comigo;
4. o fato de que uma única vez você disse a verdade para mim - e duas semanas depois, contou-me a maior mentira do mundo, e eu caí;
5. a sua preguiça até no momento de lutar pelo seu ego, já que você só me escreveu um mail depois que percebeu que eu tinha abandonado o orkut;
6. saber de seu estilo de vida ridículo e suas frases igualmente lamentáveis, do tipo "eu sou o rock", e não deixar de gostar de você;
7. pensar em você toda noite, na cama, antes de dormir - e chorar na metade dessas vezes;
8. lembrar que você tentou me ensinar que não vale a pena gostar de alguém. só por essa a minha mágoa já se justifica plenamente;
9. eu ter decorado (involuntariamente, óbvio) o número do seu novo telemóvel, para o qual nunca liguei e nem pretendo;
10. o fato de que em tudo que eu escrevo você está lá.
notas cariocas, anexo
toda vez que venho ao Rio fico prometendo para mim mesmo que um dia ainda vou ficar de vez, morar nesta cidade que me lembra uma velha senhora muito maltratada pela família mas que ainda guarda os belíssimos traços da sua juventude.

Ricardo Kotscho, no NoMínimo, definindo melhor que eu essa cidade. alguém aí já se apaixonou por uma pessoa mais velha?

Quinta-feira, Março 23, 2006

método
eu preciso de um plano. rápido.
codorna
meu carro tem quase tudo que eu não gosto: motor desenvolvido no Brasil, tração dianteira, ausência de bolsas infláveis e freios anti-travamento, câmbio manual, não tem sistema de som original de fábrica e tem quatro portas. pior, é da cor preta - tudo bem, pelo menos não é prata. e ainda paguei caro.

mesmo assim eu o amo.
é tudo uma questão de perspectiva
tava a fim de sentir os pêlos do braço arrupiando.

- primeira opção: ir até o território proibido. mas a azia de pisar lá viria junto.

- segunda opção: ameaçar de morte um cara que tá disparatando que eu sou viado. descartada, porque ele vai sofrer com o plano Plasil, daqui a alguns anos.

- terceira opção: tomar meia garrafa de Absolut gelada e ir até a Brasília Motors, onde, armado, exigiria fazer um test-drive num E 55 AMG. e sair tesourando todo mundo no Eixão, pra depois terminar espatifado na L2 norte.

- quarta opção: ignorar o sol a pino e colocar "Elysium", do Portishead, pra tocar bem alto. foi a que escolhi.
vergonha
Machismo marca sabatina de Ellen Gracie
da sucursal de Brasília

O plenário do Senado aprovou ontem a indicação da futura presidente do STF Ellen Gracie Northfleet para a presidência do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Antes, a ministra teve seu nome aprovado numa sessão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) recheada de cenas constrangedoras por conta de comentários de teor machista por parte dos senadores.

A partir do próximo dia 30, ela vai presidir o STF, em substituição a Nelson Jobim, que irá se aposentar. A nova função a levará também ao comando do CNJ, o órgão de controle externo que proibiu o nepotismo e mandou limitar o salário dos desembargadores a R$ 22.111. O plenário aprovou seu nome por 61 votos a favor, 1 contra e 1 abstenção.

Depois de afirmar que conhecia as qualificações profissionais de Ellen Gracie, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) anunciou: "O meu voto ainda leva em conta a beleza e o charme. Assim voto com muito prazer."

Já Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse que falaria não como senador, mas como "médico ginecologista". Fez elogios às mulheres em geral e afirmou entendê-las em razão da atividade profissional. "Como ginecologista, aprendi a lidar de perto com as mulheres, a entender muito profundamente a sensibilidade feminina", disse. O clima foi de constrangimento.

Ao final da sessão, após a aprovação unânime da indicação de Ellen Gracie, o presidente da CCJ, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), tentou reparar declarações como a de Salgado. Disse que a ampla aceitação do nome dela se devia "à elegância física e moral, à dignidade e sobretudo à competência" da ministra.
A sabatina é um requisito para a nomeação do presidente do CNJ. Ela também é exigida na escolha de ministros do STF.

"A senhora não veio ser sabatinada, veio ser homenageada", afirmou José Agripino (PFL-RN). O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), seguiu a mesma linha: "Eu não poderia deixar de participar dessa homenagem."

Ellen Gracie revelou a expectativa de que o presidente Lula nomeie mais uma mulher para o STF. "Não será por falta de escolha que não teremos em breve, se tudo correr bem, uma colega no tribunal."
cold-blooded old times
este blógue passou parte do dia de ontem fora do ar, graças a problemas em sua publicação - sempre travava entre os oitenta e os noventa e sete por cento. graças ao Marcio, vi que o maldjíato ainda com problema, fui lá e resolvi.

agora preciso publicar os arquivos de fevereiro e março desse ano, de algum jeito. tem alguém do help desk do Blogger aí?

Quarta-feira, Março 22, 2006

Itália, 1967
e aí, bora descobrir se arrependimento mata? não, não na própria pele, mas na dos outros... utilizando terceiros como cobaias.
wharf
o Alê veio com uns projetos doidos durante nosso período em deprelândia. doidos no sentido de "maneiros", não no de "insanos": tudo bem realista. aí um dia ele me mandou uns prospectos e disse "pensa aí, Pala", pedindo idéias para o projeto. tá. dei voltas pela casa, conversei com todo mundo, tomei um Gardenal, ouvi todos aqueles discos velhos que deixei por lá e tive algumas idéias inovadoras. encaminhei.

dias depois o Alê me surge com uma parada nova: "bicho, os caras deram takeover numa redação, tá todo mundo muito doido e boto fé da gente ficar doidão também. pensa aí, Pala", pedindo idéias para o projeto. tá. dei voltas pelo apartamento, conversei com todo mundo, comi um pedaço de Crunch, ouvi todos aqueles discos novos que trouxe para Brasília e mandei umas poucas idéias, além de prometer que compraria um exemplar da "New Yorker", porque é lá que a gente tem de se espelhar.

na boa, eu adoro pensar, mas cheguei no limite. e na vanguarda.
grandes momentos do século XX
You wouldn't know what to say to yourself
Love is a poverty you couldn't sell


(Beck, "Tropicalia", 1998)
passou
bem, o vazio e a bad vibe mencionadas abaixo passaram. queria aproveitar e mencionar que "Don't get me wrong", dos Pretenders, é a nova melhor música da história.

sério, o que é a vibração dessa música? não tem igual. você se sente feliz e pra cima na mesmíssima hora, sem descambar pra futilidade (a letra não é nem um pouco fútil). ao lado de "San Francisco", do Scott McKenzie, a música com as melhores vibrações da história.
stelle die Karte
aí depois de escrever esses dois últimos postes me bateu um vazio enorme e eu fui ouvir "Almost blue". valeu, Costello, te devo mais essa.
as doença
ontem fez um ano que comecei a ter azia.

disseram-me que eu não conseguiria mais dormir, mas não foi o que aconteceu. só que desde então eu nunca mais sonhei.
notas cariocas, vol. 2
não é novidade que eu faço apologia ao modus vivendi carioca, mas não posso ignorar algumas coisas incômodas. a maior delas, e que eu só saquei nesse domingo, é que os cariocas são a galera mais estúpida do mundo no trânsito. buzinam quando alguém sai um segundo depois do sinal abrir (a tolerância máxima parece ser de três décimos), páram nas calçadas, costuram ultrapassagens sem dó, têm um transporte público dominado por motoristas loucos. e eu descobri isso dormindo.

depois de tentar assistir ao enfadonho gepê da Malásia, dormi lindo e gato no sofá da sala. no período de repouso (entre cinco da manhã e duas da tarde), acordei umas quatro vezes com arrancadas de ônibus, buzinas impacientes e até uns berros de alguma discussão de trânsito. sério. olha que, apesar de ser uma rua movimentada, o JP mora no sexto andar. enquanto ele não acordava, fiquei enrolando no iBook, tentando entender o funcionamento dessas coisinhas brancas da Apple que tanto cultuo mas não sei mexer p**** nenhuma. quando ele acordou, faminto, resolvemos procurar algo pra forrar a pança - o gás dele está cortado, de modo que o fogão do Le Práxis Meridien e o chuveiro quente são coisas de outros tempos, haha.

pegamos o caminho do Leblon e fomos batendo perna até the arsehole of nowhere, com paradas para mate com limão e Guara Viton no caminho. ele ainda não estava melhor da ziquizira que lho abatera no dia anterior, razão pela qual lhe sugeri um ônibus - e que ele prontamente declinou. naquele momento, de bermudão (assim que cheguei ao Rio, minha primeira atitude foi trocar as calças por uma bermuda, e só vesti uma de novo indo para o aeroporto), vendo as pessoas bronzeadas passando, tomando um porre de mate gelado, senti uma vibe maneiríssima. era como se eu estivesse dentro duma novela do Manoel Carlos, exatamente como da última vez em que estive no Rio. e isso é bom demais: novela do Manoel Carlos não tem pobre, não tem morro, não tem carro 1.0... e tem até amor de verdade - tudo bem, isso de amor de verdade é ficção mesmo... mas os outros até dá pra acreditar.

eu estava feliz. demais. com vontade de ligar pro meu pai e dizer "pai, tô no Rio e daqui não saio, daqui ninguém me tira" - no outro dia ele procuraria o sr. João Magraner, advogado aparecidense das antigas, e excluir-me-ia de seu testamento. chegamos à Polis Sucos do Leblon, indicada pelo meu querido Ricardo Cima na noite anterior:

"- Palandi, você tem uma missão no Rio. procure a Polis Sucos e peça uma salada de galinha e um suco de maracujá."

dito e feito. cheguei lá e pedi o que o galino da seis recomendou. achei que a salada era mesmo uma salada, mas o que vi foi um sanduíche de frango no estilo desse do Bob's, mas muito mais gostoso. e o que era o suco que vinha a reboque? eu já estava feliz antes dessa refeição, depois dela fiquei... ahn, sei lá. "mais feliz ainda" é pouco. o Ricardo sabe das coisas. da próxima vez que for ao Rio, compro uma camiseta da Polis Sucos para ele.

depois daquilo, ainda circulamos por mais ruas do Leblon e fomos à livraria Argumento, que foi usada numa novela da Globo uns tempos atrás - na novela, ela era do Tony Ramos. era alguma do Manoel Carlos? na alta que devia ser. ele comprou um livro do Gay Talese para a chefe, eu fiquei com vontade de levar um disco do John Coltrane mas declinei. não pela qualidade do disco, mas pela da minha conta bancária. ele queria me levar ainda à Pequena Brasília, um bairro carioca onde a arquitetura dos blocos de apartamentos é absurdamente chupinhada dos blocos brasilienses - e que bem poderia abrigar expats cerradinos como o JP.

voltamos à orla e parámos (olha, acentuação à portuguesa!) para uma água de coco, onde a photo session de onde foi tirada a foto que ilustrou este blógue dia desses. espero voltar ao Rio de Janeiro a cada vez que lançar um livro e tirar uma foto no mesmo estilo, para um dia fazer um fotolog com elas formando uma série - tipo os cachimbos do Magritte. a tarde caía, e aquele lume ia me deixando ainda mais feliz e com a sensação de que sim, em algum lugar do mundo o final do domingo não é um período deprimente.

à noite eu tinha um encontro marcado com o sr. Guilherme Schneider, peixe das antiquíssimas, e é aí que reside a nota triste da viagem: a caminho de nosso esperado meeting, ele foi assaltado e ficou sem a carteira e o telemóvel - salvou-se de coisa pior por ter deitado o cartão do banco em posição estratégica.

soube disso apenas à meia-noite, de volta para casa - antes rolou um filé à Oswaldo Aranha (receita aqui) na companhia do João Paulo. ficamos discutindo relacionamentos e amor em geral, assunto que deveria ser proibido - de certa forma, acho que já é. disse-lhe que ali no Rio, sabe-se lá por que cargas d'água, cheguei à conclusão de que não vale a pena gostar de alguém. o JP respondeu com um breve "total, total", e então falamos sobre quando acreditamos que um dia a pessoa objeto de nossos sentimentos possa mudar de idéia.

de forma geral, não vale a pena acreditar nisso - it just doesn't happen. o problema são os casos isolados, tipo o do casal Johnny Cash e June Carter, conforme eu escrevi naquele poste em francês sobre o filme: quem garante que o meu caso, ou o caso de qualquer outra pessoa, não é assim? não existe uma literatura médica sobre probabilidades de acontecer. é certo que insistência incomoda, dar murro em cabeça de prego dói. mas e o fato de não ter certas respostas, não dói tanto quanto ou ainda mais?

pedimos a conta. entre o pedido e a chegada à nossa mesa, passaram uns seis grupos de pessoas conversando por nós - estávamos do lado de fora do restaurante. passou gente falando francês, holandês, inglês, espanhol. e só um grupo trocando idéinha em português. voltei pro apartamento, falei com o Gui no computador e fui dormir. acordei bem cedinho (amanhece muito cedo no Rio), vesti as calças, dei um abraço no JP e voltei para Brasília, descrente nisso que chamam de amor mas feliz da vida, e com vontade de um dia manter um apartamento no Leblon - quem sabe eu não vire o Hemingway local... me aguardem.
sacudindo os mercados
na Folha de São Paulo hoje: "Prince será novo presidente do Citigroup". quando se clica na matéria ou lê-se o texto da edição impressa, percebe-se que falam de Charles Prince, executivo-chefe do conglomerado. quando li o título, no entanto, pensei que fosse aquele baixote que amanteigou a Carmen Electra e passou a década de 1980 conclamando a rapeize a rebolar doidamente...
desmedido
a Renault brasileira foi gente boa e, ao lançar a segunda geração do Mégane no Brasil, disponibilizou nove das dez cores que o carro tem no exterior. inclusive aquela (bege angorá) que eu quero na minha perua Mégane Break, uma das duas possibilidades para próximo carro que cogito. é só uma pena que bancos em couro cinza-claro e ar-condicionado digital ficaram para uma próxima encarnação...

(nota: o bege angorá, na verdade, só tem bege no nome. é lilás)

Terça-feira, Março 21, 2006

notas cariocas, vol. 1
(aviso: esse poste tem elementos ficcionais e reais se misturando)

como já é de conhecimento dos leitores deste blógue, passei o final de semana no Rio de Janeiro, atendendo ao convite feito pelo grande João Paulo Gomes, para que fosse à sua festa de aniversário.

apesar de ter nascido em São Paulo, odiar o estado e me considerar brasiliense, a terra treme embaixo de mim quando vou ao Rio. podem falar da violência, do mau cheiro da Ilha do Governador, do ésse pronunciado como xis... podem falar o que quiser, mas basta passar pela lagoa Rodrigo de Freitas, rumo à zona sul, que meu coração bate mais forte. que eu me sinto como numa pintura do Renoir, como numa balada do Suede, como numa obra de arte qualquer. os paulistas costumam odiar o Rio. talvez seja por isso que eu ache os paulistas tão chatos.

passando pelos túneis e chegando ao Arpoador, aquela sensação de "se eu tivesse feito o colegial aqui, seria ainda mais feliz hoje". não sei explicar, mas se eu pudesse mudar algo no meu passado, teria feito o colegial no Rio e a faculdade em Brasília. teria aprendido a comer tomate seco, bacalhau e mate com limão muito antes, teria lido ainda mais, perdido o medo do meu pai, trabalhado mais, aprendido alemão. e não teria me apaixonado, como explicarei mais pra frente.

saudado pelo JPráxis, não perdemos tempo e fomos à Forneria Fasano, casa dos mestres ítalo-paulistanos para quem quer um lanche rápido. curioso é que me lembro mais do sanduíche dele do que do meu - mas lembro que ambos estavam deliciosos. pegamos um táxi e fomos a Botafogo, onde ele e sua chefe, Malu, alugaram uma casa para dar a festa. enchemos bexigas, fizemos crachás, pichamos faixas e espalhamos cadeiras, dentre outras coisas. ele estava um pouco adoentado, e enrolamos até meia-noite e meia para ir à própria festa. lá chegando, uma surpresa para mim: todos, mesmo o anfitrião, morriam em cinco dólares brasileiros por uma caipirinha. na zorra, paguei por uma de tangerina - um tanto boa, diga-se.

a maior parte dos presentes era de amigos da Malu, que também comemorava seu aniversário, mas havia uma turma boa do João Paulo. umas meninas bonitas (todas comprometidas) e um disc-jockey muito do meia-boca, daqueles que, se tivessem um restaurante, serviriam pizza com gosto de churrasco e churrasco com gosto de pizza.

aí o bicho pegava: ir a uma festa onde só se conhece o anfitrião é uma faca de dois gumes. você pode virar o co-anfitrião, mas pode cair no tédio também... então o jeito é, fingindo-se social, fazer amigos o mais rápido possível - basta pensar nisso como sendo uma questão de sobrevivência, apesar de alguns papos dos novos amigos serem la mort.

depois daquilo, diante da inépcia do tocador de discos, JPaulo disse-me que iria até o espaço onde o esculápio se encontrava, de modos a dar o cateback e assumir o controle da sonorização do ambiente. um pacto de Concórdia fez com que o gajo tocasse só mais quatro e se recolhesse, dando espaço ao meliante do Arpoador... e a mim junto. começamos bem, mandando "Toxic", uma Britney safra 2003, antes de virar a desinteressante mãe de família que hoje ela se tornou. o resultado foi sensacional: dúzias de cachorras se acochambrando no salão, tipo assim "o mundo vai acabar, então vou pagar o último cofrinho da história da humanidade". niiiiiiice.

emendamos "Hey ya!", do Outkast, um princípio do fim. essa música tocou tanto em 2004 que até hoje me dá calafrios. na seqüência, aquela musiquinha da buzininha da J-Lo (não, não é buzanfinha, é buzininha). essa da buzininha é boa, mas aí eu e JPráxis escolhemos "Daft Punk is playing at my house", do LCD Soundsystem, como próxima de nosso eclético cardápio.

okay, é uma puta canção, mas não era a hora dela. pior, ele interrompeu a buzininha na metade e colocou essa. aí já viu... a pista esvaziou. passamos boa parte dos outros vinte minutos tentando recuperar o prestígio e a honra que tal disparate levou longe, mas tava f***. eis que uma lamparina acendeu-se na minha cabeça:

"- JP, só tem uma saída, cara"
"- qual, Palandi?"

desci com a lista do iTunes até "Take me out", do Franz Ferdinand. a teoria era simples: apenas um mês atrás, os escoceses feiosos (pleonasmo?) visitaram o Rio, então a vibe ainda estava lá. ele não aceitou a idéia logo de cara, mas depois de uns cinco minutos, acuado, mandou ver. em dois segundos, nove indies amigos dele, incluindo uma judia peituda, adentraram a pista de dança e puseram-se a rebolar as franjas. arrá!

mas é óbvio que, como Franz Ferdinand é hype e hype dura pouco, a gente não tinha bala na agulha pra segurar a galera... colocar "Do you want me to?" seria suicídio. aí tocamos qualquer besteira e assistimos à pista morrer de novo. nhé. depois de muito deliberar, ele mostrou uma arma secreta: uma mixagem de 31 minutos, assinada pelo Diplo, só de pancadão - mais mortal que H5N1, não? total. o resultado imediato foram lots and lots of hot Brazilian barangas paying cofrinho once again.

por outro lado, meia hora de amansa-corno pré-montado era uma picaretagem suprema, cujo fardo nos pesaria demais. num ato de coragem, JP desmontou a farsa com sete minutos, emendando um outro funk classudo. depois, no entanto, tivemos de voltar ao pop - e as pancadão girls para outras áreas da festa. noutro ato de coragem, ele emendou "Last nite", dos Strokes, com "Bamboleo", do Gipsy Kings. INACREDITÁVEL. e encerrou a performance com uma Maria Bethânia que era puro caô. às quatro da manhã viramos abóbora e voltamos para casa, onde não acompanhamos, em todas as suas emoções, o Grande Prêmio da Malásia de Fórmula 1.

(continua)
etiqueta
do livro de memórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, via Veja:

Por 'indigesto' que fosse o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, procurei tratá-lo como um dos novos movimentos da sociedade. Tentei dialogar com seus dirigentes, nos limites da lei, mesmo quando, por exemplo, militantes invadiram a fazenda que pertencia à minha família em Buritis, no noroeste de Minas Gerais. Confesso, entretanto, que por mais que os recebesse e me esforçasse para apoiar o programa de reforma agrária, o diálogo revelou-se impossível. Lembro-me de que, na primeira reunião que tive com dirigentes do MST no Planalto, eles deixaram logo claro que pretendiam antes provocar um fato na mídia do que dialogar. Era um pequeno grupo, e logo no início do encontro um deles, que portava a bandeira verde, branca e vermelha do movimento, perguntou:

– Podemos abrir a bandeira?

Respondi:

– Não! Bandeira, aqui, só a do Brasil. Não pode, não.

De outra feita, o grupo, em atitude típica, entrou em minha sala sem tirar os bonés com o logotipo do movimento, atitude distante da que se espera de quem tem uma audiência no gabinete presidencial, seja quem for o Presidente. Estavam os principais dirigentes, entre os quais João Pedro Stédile e José Rainha Júnior. Logo no começo, um integrante do grupo dirigiu-se a mim de maneira desrespeitosa, chamando-me de 'Fernando'. Olhei para ele e disse, cortando o tom inadequado:

– O senhor está falando com quem?"
Verachtung: die beste Medizin gegen Selbsucht
parece que a terapia de choque começa a surtir efeitos. bora pro segundo módulo do plano.

Segunda-feira, Março 20, 2006

clipping
como o Diário da Manhã é um jornal maneiro, cobriu o lançamento do livro, lá em São Paulo. vê aqui, fui eu que escrevi, em primeira pessoa e tudo mais. e tem umas Petillices nos links ao fim do texto. observação: na foto que ilustra o meu texto, é o Alê, e não eu, quem aparece.

fora isso, uma nota na Folha de São Paulo de hoje (danke, Rodrigo):

Como John Lennon Pode Mudar Sua Vida
Alexandre Pettilo, Pablo Kossa e Eduardo Palandi (Geração Editorial, tel. 0/xx/11/3872-0984)
R$ 49

Esse livro sobre o beatle que morreu assassinado em Nova York em 1980 mostra a biografia dele por meio de suas músicas, com destaque para as lições de paz e confraternização que estão nas letras do compositor, principalmente na fase solo.


se eu fosse você, ligava na editora e pedia o livro agora. ou então na página deles. se liga, bodinho!
o véi e o mar


eu tomando água de côco no posto 11, Leblon, tendo o morro Dois Irmãos como pano de fundo. segundo o João Paulo, essa foto "ficou meio Hemingway", de modos que batizei a imagem com o nome desse poste.
esses dias
- altas cachorras pagando cofrinho on the dancefloor;
- a importância da transfusão de mate;
- uma nova série, "Fast facts about deprelândia", explicando a teoria dos paralelos que rege a geografia de deprelandense;
- quando a paciência perde a paciência;
- na Vanguarda da técnica (em maiúsculas);

tudo isso e muito mais, só neste blógue.
depois de semanas fechado, o bar se prepara para reabrir e servir os fregueses
"oi, essa porra tá ligada?"

Terça-feira, Março 14, 2006

n.b.
parece que magoar está na moda. acho vacilo.